Thursday, March 13, 2008

Thursday, February 21, 2008

O relógio do nº 50 da Rua da Boavista


Num prédio magnífico, propriedade da CML, e magnificamente restaurado. Só há dois contras: o relógio não funciona e, pior, o prédio está desabitado, inclusive a loja.

Thursday, February 14, 2008

E o relógio do Arco da Rua Augusta?


Está neste momento completamente destrambelhado, de tal maneira que nem se pode dizer que esteja atrasado ou adiantado, está apenas perdido. Ou seja, precisa de nova intervenção do Sr. Cousinha! (?)

Wednesday, February 13, 2008

O relógio da esquina da Rua da Betesga


O relógio da Ourivesaria Portugal, que é um dos mais bonitos relógios de Lisboa. Sempre a horas, por sinal.

Thursday, February 7, 2008

A 'resposta' do PM ao nosso email sobre a Hora Legal e a Ajuda

Exmo. Senhor

Encarrega-me o Senhor Primeiro Ministro de acusar a recepção do e-mail de V. Exa. e de informar que lhe foi prestada a devida atenção.

Com os melhores cumprimentos


Fernando Soto Almeida
Assessor Administrativo
(por delegação)



Elucidativa, portanto.

Wednesday, February 6, 2008

A experiência dos outros (2): Terry Eiss, guia da torre de relógio mais famosa do mundo


Can you clear up the Big Ben/Clock Tower confusion?
The Bell is Big Ben, the tower is the Clock Tower (…). The Clock Tower is synonymous with the bell and is possibly one of the most recognised tourism icons in the world.

Desde o Verão de 2004 que Terry Eiss sobe 1002 degraus diariamente: 334 degraus por cada uma das três visitas que, um dia após outro, conduz à mais famosa torre de relógio do mundo: a torre do Palácio de Westminster, que, no próximo ano, terá festa de aniversário a condizer - em 2009, o Big Ben fará 150 anos.

Para lá de trabalhos regulares de manutenção, o Big Ben submeteu-se a uma intervenção de fundo em 2007, nos meses de Agosto e Setembro, voltando o sistema a ficar operacional a 1 de Outubro. Num país, como o nosso, em que, salvo honrosas excepções, a informação institucional ou é guardada a sete-chaves ou disponibilizada numa lógica de serviços mínimos, dá gosto ver, como noutras paragens, tudo é bem diferente.

Galeria de imagens e enquadramento da intervenção no Big Ben, aqui, e depois aqui e também aqui, quando ela foi dada por concluída. Entrevista com o guia, Terry Eiss, aqui.
Créditos imagem: Trabalhos de limpeza e manutenção do Big Ben no Verão de 2007 (in UK Parliament)

Tuesday, January 29, 2008

Ano novo, vida nova, reponham a hora legal no Cais do Sodré e acertem as horas na Ajuda!

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara, Dr. António Costa
Exma. Senhora Ministra, Drª Isabel Pires de Lima,
Exmo. Senhor Ministro, Eng. Mário Lino,
Exmo. Sr. Presidente da APL, Dr. Manuel Frasquilho,
Exmo. Sr. Presidente do IGESPAR, Dr. Elísio Summavielle,


No seguimento da criação do presente Observatório e do ponto de situação que entretanto fizemos sobre os relógios históricos de Lisboa, vimos por este meio chamar a atenção de Vossas Excelências para a gravidade de dois casos em particular: a Hora Legal do Cais do Sodré (que já não é) e a Torre do Galo (que continua mudo).

Como é do conhecimento de V.Exas, o relógio da Hora Legal é aquele que está ligado aos relógios atómicos do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), e que, até há bem pouco tempo, estava localizado junto ao Cais do Sodré, no que se chamou Edifício da Hora Legal.

Embora sofrendo de problemas técnicos desde há mais de 20 anos, o relógio que se encontrava nesse local foi, efectivamente, o relógio da Hora Legal.

O problema é que Administração do Porto de Lisboa (APL) achou por bem (sem ter em consideração as observações do OAL) substituir o relógio que lá estava por um relógio de quartzo, moderno, bem como interromper a ligação do mesmo ao OAL. Por conseguinte, a hora que será exibida pelo novo relógio não será nunca a hora legal portuguesa ... como foi até ao dia em que se iniciaram as obras de construção dos edifícios da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu de Toxicodependência, e que levaram a que o relógio fosse retirado do local.

Curiosamente, e também relacionado com a Ajuda, também outro importantíssimo relógio histórico de Lisboa se encontra olvidado por quem de direito: a chamada Torre do Galo, junto ao Palácio da Ajuda - palácio nacional, sede do Ministério da Cultura e do IGESPAR, e sala de visitas das individualidades estrangeiras que nos visitam.

Como também é do conhecimento de V.Exas., com a construção da Real Barraca, à Ajuda, fez-se nova Patriarcal, de que a Torre do Relógio ou do Galo (por ter um catavento em forma de galo) fazia parte. A comunidade da Ajuda regeu-se durante mais de um século por este marcador público do Tempo e, por exemplo, o regulamento da Biblioteca vizinha refere, no horário, que a entrada dos funcionários e o encerramento dos serviços se devia fazer obedecendo diariamente ao que os sinos da torre e o seu relógio ditassem.

("MAFRA, José da Silva, relojoeiro do convento de Mafra, "artista habilíssimo", nascido a 1790, foi o autor do mais notável relógio Português que foi colocado na extinta Patriarcal de Lisboa, começando a trabalhar no dia 8 de Setembro de 1796. A obra durou mais de cinco anos a fazer e custou mais de 100.000 cruzados. O construtor ficou seu cuidador, seguido dum seu filho que ficou a exercer o cargo a partir de 24 de Dezembro de 1814, até à extinção da Patriarcal. José Mafra, em 1843, inventou um mecanismo, "por meio do qual se reduziu a um só o emprego diário de dois homens, que eram absolutamente indispensáveis para dar corda ao dito relógio". Fez uma fábrica de peças licenciada por alvará de 21 de Junho de 1785. Entre os manuscritos da Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, encontra-se um Rol de Confessados de 1812, do Sítio da Ajuda, onde se faz referência ao "relojoeiro da Patriarcal, José da Silva, natural de Mafra", o que mostra que o seu apelido de família era Silva, mas que, a partir dele, o local de nascimento, Mafra, passou a ser apelido, o que era normal na época.", in «Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal» (Âncora, 2006).

Simplesmente, um incêndio que terá sofrido no final do séc. XX fez com que as estruturas interiores da torre, em madeira, estejam em risco iminente de ruir. No seu interior, lá em cima, e em que estado... poderá estar um dos mais interessantes exemplares da relojoaria grossa nacional.

Tendo em conta o que acabamos de expor, e os últimos desenvolvimentos relacionados com a desafectação de terrenos da APL para a CML, vimos, pelo presente, solicitar a V.Exas.:

- A reposição do exemplar original da Hora Legal, actualmente em exposição na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara, e a sua reconexão aos relógios atómicos do OAL , a fim de que um relógio público volte a mostrar a Hora Legal a todos quantos habitam, trabalham e visitam Lisboa;

- A recuperação da Torre do Galo, com o restauro da máquina de Silva Mafra e sua musealização e contextualização in situ, que, deste modo, poderia ser o primeiro passo no sentido da intervenção geral de reabilitação de toda a envolvente ao Palácio da Ajuda, que todos desejamos mas que, ciclicamente, é anunciada e adiada. A recuperação da Torre do Galo iria enriquecer também o trabalho que o Palácio Nacional da Ajuda vem desenvolvendo no campo do estudo e divulgação do seu próprio acervo. Neste caso, da sua colecção de relojoaria, uma das mais importantes da Europa (tema, recorde-se, da exposição "Tempo Real" e respectivo catálogo, na década de 90).


Na expectativa da concordância de V.Exas. em restabelecer a verdade histórica nestes dois relógios de Lisboa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos


Maria Amorim Morais, Fernando Correia de Oliveira, Paulo Ferrero e Virgílio Marques

Wednesday, January 23, 2008

Algo de estranho se passa ali ...

Não é que o relógio do Arco da Rua Augusta estava certinho, certinho como um pêndulo, ainda há coisa de minutos?

Monday, January 21, 2008

O Relógio do Arco da Rua Augusta está atrasado quase 1 hora!!!


Afinal, parece que o Sr. Cousinha se enganou.

Sunday, January 6, 2008

Sul e Sueste







Neste caso, como noutros, fica-se na dúvida sobre por onde começar: se pelo estado do relógio, se pelo estado do edifício, porque a imagem de desconsolo é a mesma para onde quer que se olhe na Estação Fluvial de Sul e Sueste. Quando se espera um transporte é no relógio da estação que se confia, mas neste caso, como noutros, o entendimento parece ser outro: parado, com o mostrador partido e embaciado pela humidade do Tejo, este relógio é hoje um elemento deixado à deriva, da mesma forma que à deriva está, em matéria de conservação, esta peça de arquitectura-chave (projecto de 1928/9, aberto à exploração em 1931) do nosso primeiro modernismo.

O seu autor, que muitos relembrarão de imediato pelo contributo que deu aos anos de ouro do cinema português com A Canção de Lisboa, foi sobretudo arquitecto, de equipamentos públicos, em particular ao serviço dos Caminhos-de-Ferro, de que foi quadro ao longo de toda a sua vida adulta: Cottinelli Telmo (1897-1948), “espírito irrequieto e apaixonado”, como escreve o Prof. José-Augusto França, cuja avidez pela vida o levaria a dedicar-se a um sem-número de outras actividades como a ilustração, com realce para a BD, a música ou a dança.

A 18 de Setembro deste ano passarão 60 anos sobre a sua morte, em circunstâncias trágicas, num acidente de pesca nas águas de Cascais. A ter que se começar por algum lado nesta que foi uma das principais estações que projectou, por que não começar pelo relógio, restaurando-o?


Créditos das três últimas imagens: Fachada principal da estação fotografada por Fernando de Jesus Matias, em finais dos anos 50/Arquivo Fotográfico de Lisboa; Ficha de registo de Cottinelli Telmo como funcionário dos Caminhos-de-Ferro/Arquivo da CP

Ainda o(s) relógio(s) da Estação do Rossio


Dos arquivos da CP, uma imagem preciosa dos primeiros anos do século XX (cerca de 1910), quando a empresa investe em nova sinalética, assim “facilitando o trabalho dos empregados da estação e a informação aos passageiros”. Vários mostradores de relógio indicavam, então, as horas de chegada e de partida das composições, para que ninguém ficasse em terra.


Créditos imagem: Site da CP

Friday, January 4, 2008

Relógios Históricos de Lisboa

O primeiro relógio mecânico de que se tem conhecimento em território português é o colocado em 1377 na Sé de Lisboa, pago em partes iguais pelo rei D. Fernando, pelo cabido e pelos homens bons da cidade. Teria sido o seu autor um tal “mestre João, francês”.
Seria um exemplar de relojoaria grossa (em contraponto à relojoaria fina, de bolso ou de pulso), com as peças arrumadas numa armação de ferro, ou gaiola, e muito provavelmente não teria ponteiros ou mostrador – serviria apenas para accionar sinos, como o “de correr” ou “de colher”, que regulava de manhã e ao sol posto o abrir e fechar de portas da judiaria e da mouraria. Dessa máquina nada resta. O relógio da Sé foi o primeiro grande marcador do tempo colectivo de Lisboa, conquistada ao Islão em 1147 mas apenas tornada capital do reino em 1256.
O casamento, em 1387, de D. João I, com Filipa de Lencastre, permite a Portugal aceder à tecnologia relojoeira do norte da Europa.
Com D. Manuel, o Paço, que até então era na Alcáçova árabe (Castelo de São Jorge), muda-se para a Ribeira das Naus. Junto ao Paço e à Capela Real passa a haver Torre do Relógio, havendo registo desde essa data dos relojoeiros reais. Este é o segundo grande marcador do tempo colectivo lisboeta.
Com D. João V, a Capela Real passa à condição de Igreja Patriarcal e a Torre do Relógio é demolida, para ser construída uma outra, ao estilo barroco, encomendada ao arquitecto italiano Canevari. A nova torre e o seu relógio são referidos com admiração e espanto pelos forasteiros. A máquina deveria ser flamenga, como o são os exemplares que ainda hoje se encontram no Convento de Mafra. Mas a torre de Canevari tem vida efémera, com o terramoto de 1755.
A família real muda-se para a Ajuda, passando a viver na Real Barraca, uma construção em madeira. Com ela muda-se a Capela Real, também construção efémera. Em 1793 acaba a construção adjacente ao conjunto do único edifício em pedra – a torre sineira da capela. Três anos depois, é lá instalado um relógio de José da Silva Mafra. Este foi o terceiro marcador do tempo real, mas o Paço da Ajuda sempre foi periférico ao pulsar da cidade. O relógio de José da Silva Mafra, ainda lá se encontra, mas ao abandono.
No final de 1883, Augusto Justiniano de Araújo, fundador da Escola de Relojoaria da Casa Pia, superintende à adaptação de um relógio proveniente do Convento de Jesus (hoje Academia das Ciências) e sua colocação no Arco da Rua Augusta. O arco foi o quarto grande marcador colectivo do tempo alfacinha – a primeira máquina ainda existe mas foi substituída em meados do século XX por uma de autoria de Manuel Francisco Cousinha, que acaba de ser restaurada. Mas, ao longo de mais de um século, devido à sua falta de exactidão, o relógio do arco da Rua Augusta nunca conseguiu erigir-se à condição de regulador das horas da cidade.
Desde 1857 que funcionava a partir do Observatório Astronómico do Castelo de São Jorge um sistema de meridiana, da autoria de Veríssimo Alves Pereira. Ao meio-dia solar, o sistema fazia troar uma pequena peça de artilharia. A meridiana mudou-se depois para a Escola Politécnica. Funcionou até cerca de 1915. Este foi o quinto marcador colectivo do tempo lisboeta, mas das meridianas nada resta.
Desde 1858 que funcionava junto ao Observatório Astronómico da Marinha o chamado Balão do Arsenal, um dispositivo que assinalava diariamente as 13h00 com a queda de um balão de um mastro e um sinal sonoro. Este foi o sexto marcador colectivo do tempo na capital, mas também dele nada ficou.
Desde 1915, ano em que o Balão do Arsenal desapareceu, que funcionou, ao Cais do Sodré, o relógio da Hora Legal, com o tempo a ser emitido por circuito eléctrico a partir do Observatório Astronómico de Lisboa. Depois de vicissitudes várias, o sétimo e último grande marcador do tempo colectivo da capital deixou de poder ostentar o título de Hora Legal.
Assim, Lisboa singra alegremente pelo século XXI sem respeitar o seu património público relojoeiro e sem ter um único marcador colectivo de tempo que seja fiável, reconhecido e estimado pelos seus habitantes e pelos forasteiros que a demandam.
in Casual, suplemento do Semanário Económico de 28/12/07 (adaptado)

A Capital às voltas com a hora legal

In Notícias da Manhã (4/1/2008)
Ana Serra

«O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, e o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem». Assim o diz o trava-línguas, num diálogo entre o tempo que diz respeito à meteorologia e o tempo do relógio, o que conta os segundos, minutos e horas do nosso dia-a-dia. A necessidade de cronometrar as actividades da nossa vida levou a que, durante toda a sua evolução, o homem viesse a desenvolver ciências e instrumentos que regulassem esse fenómeno transcendente ao Ser Humano - o tempo. A astronomia e a astrofísica são ciências intimamente ligadas ao controlo do tempo, ou não fosse através do Sol uma das formas mais elementares de nos guiarmos no tempo. E é também em função do Sol, ou melhor, na tentativa de aproveitar ao máximo as horas de luz que este nos disponibiliza, que surgiu o regime diferenciado de hora de Inverno e hora de Verão. Portugal adoptou esse regime em 1911, juntamente com a Inglaterra, onde se localiza o meridiano pelo qual regulamos os nossos relógios. É o meridiano de Greenwich que delimita a nossa «hora legal», segundo a qual organizamos as nossas actividades civis, sociais e profissionais. Quatro anos mais tarde foi criado o Serviço de Hora Legal e o Relógio da Hora Legal passou a ser público, acessível à população que todos os dias se movimentava na zona ribeirinha lisboeta. O Cais do Sodré foi o local escolhido para servir de pulso ao relógio que respondia à “necessidade de mostrar de forma eficaz a hora certa, principalmente na zona ribeirinha, onde estava grande parte da vida da cidade”, explica Rui Agostinho, Director do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

O relógio da «Hora Legal»
O relógio da hora legal do Cais do Sodré ficou então aos cuidados do OAL, o qual representa uma entidade com objectivos científicos e a única instituição capacitada, por lei, a certificar a legalidade da hora. No entanto, a manutenção física do instrumento ficava a cargo da Administração de Portos de Lisboa, uma vez que era nas suas instalações que o Relógio da Hora Legal estava exposto. Desta forma, “ao OAL competia enviar os sinais para garantir a hora legal” aos milhares de pessoas que por ali passavam e cronometravam as suas agitadas vidas quotidianas, conta Rui Agostinho, que assinala as implicações sociais e não somente cientificas de controlar a hora. Esta é uma das razões apresentadas por Rui Agostinho para que, nos anos 70, quando o Relógio da Hora Legal começa a apresentar problemas de funcionamento, o OAL pede à Administração dos Portos de Lisboa, incumbidos da sua manutenção técnica, que “seja retirado ao relógio o estatuto de hora legal para não induzir as pessoas em erro”. O estatuto foi retirado mas não a indicação que o define como o relógio da «Hora Legal».

O «tic-tac ilegal»
O relógio permaneceu, mas a hora legal não. Em 2001, o relógio que já fazia parte da história da vida na Capital foi retirado, regressando, no entanto, ao local no passado mês de Novembro, sob a forma de um instrumento de tecnologia digital e com um design mais moderno. A reposição do relógio do Cais do Sodré, mas não da legalidade da hora que dava, levou à criação de um Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa (ORHL). “A ideia surgiu a partir da notícia da reposição do relógio da hora legal, que não é legal. Juntei-me com uns amigos e de inicio será só um blog mas depois logo se vê”, afirma um dos fundadores, Paulo Ferrero.
Apesar de ainda sem qualquer ligação de esforços, o director do OAL partilha da posição defendida pelo recém-criado observatório dos relógios históricos. “Gostaria de voltar à História e à tradição, seria bonito para a cidade de Lisboa se o relógio voltasse a ter hora legal”, confessa Rui Agostinho, que adianta já ter estabelecido contactos com a Administração dos Portos de Lisboa nesse sentido para que “o público tenha a garantia de que o relógio voltasse a ter a hora legal”. Da mesma forma, Paulo Ferrero, admite que lhe agradaria uma ligação do OAL ao ORHL “para que seja reposta a verdade naquele relógio”.

Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa
“Apenas nos interessam os relógios históricos e entre eles os mecânicos e os de sol, já que dos astronómicos nem vê-los por cá. Em Lisboa, o panorama é mau, pelo estado de abandono, uns, pela ignorância e desprezo com que são tratados, outros. Vamos dar tempo ao tempo e ver se chegamos a horas para alguns deles”. Estas são algumas das primeiras linhas do blog que dá imagem a este observatório. “Chamar a atenção dos cidadãos e lançar apelos às entidades” para a protecção dos relógios históricos da Capital são o principal objectivo do ORHL. São muito os relógios emblemáticos que contam as horas e os minutos de Lisboa, mas que agora, na era digital e electrónica, estão votados ao esquecimento e abandono, quer por parte das autoridades competentes da sua manutenção, quer pelos próprios cidadãos que por eles passam, sem se aperceberem da sua existência.

“Preservação da nossa arte e História”
À criação deste Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa, Rui Agostinho responde considerando-a “uma boa medida, tal como todas as que se dediquem à preservação da nossa arte e História”. Também o OAL se dedica à preservação de relógios históricos, que, neste momento, não desempenham um serviço útil, pois não são necessários, mas que devem ser mantidos em boas condições. Sendo a hora, o «tic-tac» vital da vida em sociedade, o director do OAL salienta a importância da certificação de que esse batimento está certo e acessível a toda a população. Para tal, Rui Agostinho defende a ligação dos relógios públicos ao OAL, não só em Lisboa, mas também em outras cidades do País. “Garantimos qualidade da hora, mas precisamos de parceiros, tais como, fabricantes de relógios e câmaras municipais. È um grande desafio, mas possível”, afirma o director do OAL, Rui Agostinho.

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O relógio da Torre do Galo
O relógio da Torre do Galo situa-se na Ajuda, tendo sido a torre que o alberga, construída junto à capela real da Real Barraca. Vizinho do Palácio da Ajuda, este marcador do tempo começou a trabalhar em 1976, fruto da obra do relojoeiro do Convento de Mafra, José da Silva Mafra. Em 1794, a capela real ardeu e, desde aí, a sua estrutura encontra-se em risco eminente de ruir. O ORHL vem então alertar para o estado de degradação da zona que envolve o relógio. “A torre ardeu, estando o relógio em risos de ruína, embora o mecanismo esteja bem”, advertiu Paulo Ferrero, adiantando que o ORHL pretende, já no próximo mês de Janeiro, fazer um “apelo ao Ministério da Cultura e ao Ministério das Obras Públicas por causa da situação do relógio da Ajuda e de toda a zona envolvente do palácio”.

O relógio dos Capuchos
Ninguém dá por ele, mas ele existe há já 421 anos no Hospital dos Capuchos, onde dá nome ao pátio que adorna - Pátio do Relógio. É um dos exemplares mais antigos de relógios de Sol, situado na antiga cisterna do convento dos Capuchos, servindo a boca de apoio ao relógio em pedra, onde ainda podem ser lidas as iniciais do construtor e a data da sua construção, 1586. O seu estado de má conservação testemunha o esquecimento e indiferença a que foi lançado e que o ORHL pretende relembrar.

Relógio de Sol de Belém
Ao passear pelo jardim dos Jerónimos pode ser vista uma grande âncora, talvez uma herança de algum navio naufragado, um testemunho dos Descobrimentos portugueses? Pois não, pode não parecer mas esse grande objecto de metal era um relógio de Sol, ali exposto aquando da Grande Exposição do Mundo Português, em 1940. À sua volta, estavam dispostos vários canteiros sob a forma de «mapa mundi», que representavam os quatro cantos das ex-colónias lusas. “O jardineiro que o preservava reformou-se nos anos 90 e desde aí, o relógio de Sol ficou reduzido a nada mais que uma âncora”, explica Paulo Ferrero»

O meu obrigado à Ana Serra e ao Notícias da Manhã.

Thursday, January 3, 2008

Terreiro do Paço anda perdido nos caprichos do tempo

In Público (1/3/2008)
Ana Henriques


«Relógio do arco da Rua Augusta está parado por causa de desajuste entre mestre relojoeiro e organismo do Estado


Tudo começou há quatro meses com uma pequena oscilação, o ponteiro dos minutos a correr mais veloz do que o próprio tempo, noutras alturas a molengar, sem pressa de chegar a horas ao destino. À medida que passavam os dias agravava-se a rebelião do relógio do arco da Rua Augusta, junto ao Terreiro do Paço, em Lisboa. Ontem, às 11h00, o mostrador marcava orgulhosamente dez para as cinco da tarde, como se o mecanismo seguisse um outro qualquer fuso horário. E dias houve em que teimou em anunciar a hora correcta, porventura com a certeza de que as actividades mundanas já tinham deixado de se regular por si.
Há quatro meses era tudo mesuras: a então ainda ministra da Cultura debruçada sobre as suas entranhas, o mestre relojoeiro, vereadores e assessores a subirem ao topo do arco para celebrarem a reparação de um mecanismo que estava quieto há vários anos. O arranjo foi pago por uma empresa de relojoaria, a Torres, que fez um protocolo com o Instituto de Gestão do Património e desembolsou cerca de 25 mil euros. Só que o tiquetaque certinho que encantou toda a gente foi sol de pouca dura. Nos dias seguintes, o mestre relojoeiro que fez a reparação, Manuel Cousinha, atribuiu os pequenos devaneios do ponteiro dos minutos à necessidade de fazer alguns ajustes ao pêndulo. Que era mesmo assim, dizia, sem poder adivinhar o destrambelhamento que se avizinhava. Hoje confessa sem pudor a sua angústia: "Está parado, e há-de parar muitas mais vezes". Porquê? A resposta não podia ser mais irónica: por causa do tempo. Ou melhor, da noção que dele têm diferentes pessoas, neste caso ele e o organismo que tem o arco à sua guarda.
Cousinha diz que foi há um mês que tudo mudou, quando a chave do arco transitou para as mãos da Direcção Regional de Cultura de Lisboa. Habituado a pedir a chave a qualquer hora para ir afinar o volúvel relógio, viu-se obrigado a vergar-se aos horários do funcionalismo público. Já só podia mexer nas rodas e no pêndulo a horas decentes, e sempre acompanhado de um funcionário do Estado. Depois da máquina, foi a vez de o homem se rebelar: "É caricato, ridículo. Não nos deixam trabalhar, estou revoltadíssimo". O pior é que na direcção regional também há quem se queixe de ter ficado horas a fio à espera do consertador de relógio. Na versão oficial dos factos, Cousinha nunca se queixou dos novos horários. "Se ele tem algum problema temos toda a disponibilidade para ir lá fora de horas", asseguram os responsáveis deste organismo.
Calibrada nos mecanismos dos dispendiosos relógios de pulso que importa para Portugal, a casa Torres vê com maus olhos o que se está a passar. "O funcionamento do relógio do arco da Rua Augusta já devia ter entrado em velocidade de cruzeiro. Não estávamos à espera que isto acontecesse nesta altura do campeonato", observa Paulo Dias, da empresa. Depois deste primeiro restauro, a Torres tinha-se disponibilizado para avançar com operações semelhantes em Coimbra e no Porto, ao ritmo de um relógio por ano. Está desde Janeiro à espera que o Instituto de Gestão do Património lhe indique um relógio a precisar de restauro numa destas cidades. Os caprichos do tempo parecem também aqui ter vencido a vontade dos homens. »

Pois é. Nada que não se previsse. O relógio nunca esteve certo desde que foi 'inaugurado'. O pior, é que me parece que o problema está no relojoeiro... a seguir aqui.

Wednesday, January 2, 2008

Afinal, como é, Sr. Cousinha?




Foi notícia e teve direito a ministra e tudo. Só que, nem passados 5 dias e já estava atrasado ... e ontem estava adiantado entre 3 e 4 minutos.

Fotos: Torres

Tuesday, January 1, 2008

Onde param os familiares de Augusto Justiniano de Araújo?


O primeiro relógio colocado no Arco da Rua Augusta veio do Convento de Jesus (hoje Academia das Ciências), e foi adaptado por Augusto Justiniano de Araújo (Valença, 1843 - Lisboa, 1908). O primeiro relógio colocado no Mercado 24 de Julho era igualmente da sua autoria. Augusto Justiniano de Araújo é um dos grandes relojoeiros portugueses de sempre e o fundador da Escola de Relojoaria da Casa Pia, ainda hoje a única escola do género existente no país. Dois mistérios - o primeiro, onde pára a máquina primitiva do Mercado da Ribeira? o segundo, haverá ainda descendentes de mestre Araújo? Aqui fica o apelo público, pois estou a preparar uma monografia sobre a personagem e falta-me sobretudo iconografia. Este anúncio figura na revista que Araújo fundou, o Cosmocronómetro, e onde se referem alguns dos relógios que fabricou e os sítios onde foram instalados.

Monday, December 31, 2007

Para si!

Bom Ano!

De Stonehenge a... Lisboa



Directamente, não tem a ver com Lisboa. Mas se é um «relógio de sol» - então tem tudo a ver com «relógios históricos» da Humanidade - e, portanto, também os nossos, seus sucessores... A questão é: a foto de Stonehenge é a imagem que sempre tenho nos meus desktops há muitos anos (idêntica à foto de cima)... Alguém me explica se é de facto um «relógio de sol»? Vou à Vikipédia e fico mais baralhado. O monumento megalítico mais belo de todo o mundo não tem um aexplicação plausível... ainda? Expliquem-nos lá!
.
Nota
A imagem de baixo correpsonde ao nascer do Sol no solstício de Verão (21 de Junho de 2005, no caso)... dia em que o sol incide exactamente sobre uma determinada pedra do monumento, segundo também já li... Ou seja: «eles» colocaram então as pedras numa determinada disposição para obter um determinado efeito e lhes servir de orientação. «Eles» já saberiam «tanto» há mais de 2 000 anos?!

Saturday, December 29, 2007

Calendários

Carpe diem... et noctem

O dia 14 de Janeiro corresponde ao dia 1 de Janeiro do calendário juliano. O ano 2008da era vulgar, ou de Cristo, é o 8.º do século XXI e corresponde ao ano 6721 do período juliano, contendo os dias 2 454 467 a 2 454 832. O ano 7517 da era bizantina começa no dia 14 de Setembro. O ano 5769 da era israelita começa ao pôr do Sol do dia 29 de Setembro. O ano 4645 da era chinesa (ano do rato) começa no dia 7 de Fevereiro. O ano 2784 das Olimpíadas (ou 4º da 696ª), começa no dia 14 de Setembro, ao uso bizantino. O ano 2761 da Fundação de Roma «ab urbe condita», segundo Varrão, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 2757 da era Nabonassar começa no dia 21 de Abril. O ano 2668 da era japonesa, ou 20 do período Heisei (que se seguiu ao período Xô-Uá), começa no dia 1 de Janeiro. O ano 2320 da era grega (ou dos Seleucidas) começa, segundo os usos actuais dos sírios, no dia 14 de Setembro ou no dia 14 de Outubro, conforme as seitas religiosas. O ano 2046 da era de César (ou hispânica), usada em Portugal até 1422, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 1930 da era Saka, no calendário indiano reformado, começa no dia 21 de Março. O ano 1725 da era de Diocleciano começa no dia 11 de Setembro. Os anos 1429 e 1430 da era islâmica (ou Hégira) começam ao pôr do Sol dos dias 9 de Janeiro e 28 Dezembro. (dados do Observatório Astronómico de Lisboa)

Seja qual for o Calendário por que se reja, aproveite bem o Tempo, pois como diz o primeiro gramático português, o Padre Fernão de Oliveira, "Todas as coisas têm o seu tempo; e os ociosos o perdem".

Friday, December 28, 2007

Observatório no Semanário Económico

O Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa vem hoje mencionado num artigo do Casual, o suplemento do Semanário Económico.

Passem por ele no Rossio


Quem teve a possibilidade de a ver por dentro diz que é um dos espaços mais bonitos da estação ferroviária do Rossio: a torre, que justamente alberga o seu relógio, o principal do complexo e que, durante muito tempo - eventualmente ainda hoje -, operou em sincronia com os relógios interiores. De acesso vedado ao público, esta torre poderia muito bem ser aberta a visitas organizadas, pelo menos de carácter sazonal, uma vez concluídas as obras do túnel e reaberta a estação. Agora que um novo ano está prestes a começar, eis um voto para 2008. Projecto do arquitecto José Luiz Monteiro (1848-1942), autor também do vizinho Hotel Avenida Palace, a Estação do Rossio está classificada como Imóvel de Interesse Público. Bom ano!

Sunday, December 23, 2007

Ainda o relógio do S. Carlos


Esta é a máquina do relógio do São Carlos, que há muito está desligada do mostrador. Actualmente, os ponteiros andam por controlo eléctrico de um relógio-mãe de quartzo. Em tempos sugeri que trouxessem a máquina da mansarda onde se encontra, no meio de lixo e décors velhos, para o hall do teatro, contextualizando-a (não tem assim tanto interesse como isso, mas sempre é um exemplar mecânico, do início do séc. XX, presumivelmente francês, e em bom estado). Ou que então a cedessem mediante protocolo à Casa-Museu Fundação Medeiros e Almeida, que tem o melhor espólio relojoeiro nacional mas a que faltam exemplares de relojoaria grossa. Não sei como as coisas ficaram, mas isso foi há 5 anos e ainda não terá dado em nada.

Wednesday, December 19, 2007

O relógio do Teatro de São Carlos


(...)
Por volta dos anos 40 do séc XIX (não sei desde quando nem até quando) era estucada e pintada de verde a pequena porção da parede da frontaria situada entre as janelas, cimalhas, etc.
Enquadrando as portas que dão para o varandim e as respectivas almofadas, sobressam quatro colunas de ordem toscana.
O terceiro piso da fachada forma um certo contraste com os outros dois, pela exiguidade das dimensões e pela relativa pobreza arquitectónica. Os dois elementos dignos de referência são um relógio, que não é da primitiva (no seu lugar existiu antes um medalhão) e, a coroar o edifício, as armas reais, de dimensões e imponência talvez inferiores ao que seria legítimo desejar.
("O TEATRO DE S. CARLOS - Dois Séculos de História", de Mário Moreau, Edição Hugin, 1999

Sunday, December 16, 2007

O DN fala do Observatório

Não encontrei disponível on-line, mas a edição de sábado, 15 de dezembro do Diário de Notícias refere, numa coluna de Eurico de Barros, a existência do blogue.

Saturday, December 15, 2007

Lembra-se deste?


Marcel Proust, um dia, terá escrito uma surpreendente verdade intuitiva mas que não lembraria ao diabo escrever: «Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um Homem». Nem os dias nem os anos. Nem para o homem nem para os locais. Veja-se, por exemplo, a diferença deste local de relógios em Lisboa, ali mesmo junto do aeroporto. Quando era miúdo e se vinha a Lisboa de carro e em carros diferentes, a combinação à partida era sempre: «O primeiro que chegar à Rotunda do Relógio, espera». Ou então, as combinações com a família: «Não sabe cá vir ter a casa. Não há problema. Eu estou na Rotunda do Relógio à sua espera». Um local cheio de injecções de memórias minhas... E tinha aquela belíssima ideia para relógio «de relva». Mecânico. Agora também há ali horas. Há um relógio, claro. Electrónico, suponho. Mas desconsola-me. Sem saudosismo.

A experiência dos outros (1): Marvin Schneider, "clock master" de Nova Iorque


Why are public clocks important?

For many reasons. Primarily, of course, because people need them. Not everyone wears a watch... certainly more do now than years ago when public clocks were an object of civic pride. How frustrating to see a transit clock not working! We depend on these clocks. Public clocks are also part of the landscape and are indicative of what goes on in the building. What does it say to community not to have your clock working? We don't care? […]. Not all clocks are masterpieces, but even the mundane ones should tell the time.

Marvin Schneider zela pelos relógios públicos de Nova Iorque desde 1992. Antigo trabalhador camarário, de 67 anos, hoje aposentado, apaixonou-se por eles muito antes de imaginar que viria a exercer essas funções: foi nos anos 70, quando um dia os olhou com olhos de ver. O seu é também um belíssimo exemplo de cidadania: foi graças à sua insistência que os relógios da Big Apple voltaram a ter um zelador.

Um testemunho na primeira pessoa aqui, em entrevista à Save America’s Clocks, associação cívica de que faz parte, e reportagem de Junho último do New York Times sobre o seu trabalho, aqui.


Eis uma experiência que Lisboa poderia facilmente aplicar.


Crédito imagem: 3planesoft

Wednesday, December 12, 2007

Ainda a Torre do Galo ou da Patriarcal

O que se passa com a Torre do Galo é uma vergonha, mais a mais estando paredes meias com o antigo IPPAR, hoje IGESPAR. Um incêndio que terá sofrido no final do séc. XX fez com que as suas estruturas interiores, em madeira, estejam em risco iminente de ruir. No seu interior, lá em cima, e em que estado... poderá estar um dos mais interessantes exemplares da relojoaria grossa nacional. Mas vamos um pouco atrás...

D. João V alçou a capela real, ao Paço da Ribeira, à categoria de Patriarcal, e adjacente a ela ficou uma célebre Torre do Relógio, da autoria do arquitecto italiano Canevari. Mas ela só durou umas escassas décadas, já que o terramoto de 1755 destruiu o Paço e tudo à volta, e essa é outra história. Com a construção da Real Barraca, à Ajuda, fez-se nova Patriarcal, de que a Torre do Relógio ou do Galo (por ter um catavento em forma de galo) fazia parte. A comunidade da Ajuda regeu-se durante mais de um século por este marcador público do Tempo e, por exemplo, o regulamento da Biblioteca vizinha refere, no horário, que a entrada dos funcionários e o encerramento dos serviços se devia fazer obedecendo diariamente ao que os sinos da torre e o seu relógio ditassem.
Penso, mas não tenho a certeza, que ainda lá se encontrará uma máquina construída por José da Silva Mafra, cuja entrada cito de "Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal" (Âncora, 2006):

MAFRA, José da Silva
Relojoeiro do convento de Mafra, “artista habilíssimo”, nascido a 1790, foi o autor do mais notável relógio Português que foi colocado na extinta Patriarcal de Lisboa, começando a trabalhar no dia 8 de Setembro de 1796. A obra durou mais de cinco anos a fazer e custou mais de 100.000 cruzados. O construtor ficou seu cuidador, seguido dum seu filho que ficou a exercer o cargo a partir de 24 de Dezembro de 1814, até à extinção da Patriarcal. José Mafra, em 1843, inventou um mecanismo, “por meio do qual se reduziu a um só o emprego diário de dois homens, que eram absolutamente indispensáveis para dar corda ao dito relógio”. Fez uma fábrica de peças licenciada por alvará de 21 de Junho de 1785. Entre os manuscritos da Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, encontra-se um Rol de Confessados de 1812, do Sítio da Ajuda, onde se faz referência ao “relojoeiro da Patriarcal, José da Silva, natural de Mafra”, o que mostra que o seu apelido de família era Silva, mas que, a partir dele, o local de nascimento, Mafra, passou a ser apelido, o que era normal na época.

Uma intervenção geral na Ajuda é há muito reclamada, para ordenamento do anárquico espaço público de um sítio de localização geográfica de eleição e tão carregado de história. A recuperação da Torre do Galo, com o restauro da máquina de Silva Mafra e sua museologização e contextualização in situ seria apenas uma gota de água, mas podia começar-se por ela...

O relógio da torre do mercado


“Fabricado em França, na empresa Horloges Bodet, era considerado um relógio revolucionário para a época. Mas a [sua] importância não impediu que a máquina estivesse parada quase 20 anos. Só em 1998 a Câmara Municipal de Lisboa decidiu contratar um dos mais prestigiados relojoeiros portugueses. António Franco foi chamado para inspeccionar o relógio da torre. Em menos de um ano, o sistema mecânico foi restaurado e o mostrador teve de ser feito de novo. Um mostrador que guarda a assinatura do homem que permitiu que os cacilheiros voltassem a guiar-se pelo relógio da torre do mercado”.

O mercado é o Mercado da Ribeira, um dos mais belos edifícios da cidade no seu género e função, e o texto, extraído do livrinho que lhe é dedicado na colecção Lisboa Porta a Porta. Desde então passaram quase dez anos. Na segunda-feira, dia em que a fotografia acima foi tirada, o relógio estava atrasado – ou adiantado – várias horas, mas hoje – e não era ilusão de óptica – estava a funcionar apenas com um ligeiro atrasado de minutos. Se isso significar que houve intervenção de manutenção, será de aplaudir. Se foi apenas uma coincidência e há problemas de funcionamento, então está na hora de o reparar de novo: a estima pela cidade mede-se também por esses gestos - ter os seus relógios em boas condições de conservação e dando a hora certa. O Mercado da Ribeira, nunca será de mais lembrá-lo, figura entre os últimos testemunhos da acção e da visão de Frederico Ressano Garcia (1847-1911), um dos melhores técnicos que a Câmara de Lisboa alguma vez teve, e cuja cidade se esfuma hoje diante dos nossos olhos para lucro de alguns e prejuízo de todos os outros.



O relógio da Torre do Galo


A Torre do Relógio fica na Ajuda, junto ao Palácio, e foi construida ao lado da capela real da Real Barraca (feita em madeira e que ardeu em 1794), segundo «desenho do arquitecto Manuel Caetano de Sousa, procedendo-se à cerimónia de sagração dos sinos em 1793» (in IPPAR)


A Torre do Galo encontra-se, como toda a zona envolvente ao Palácio da Ajuda, ao abandono e em mau estado de conservação. Ali ao lado já alertámos para a necessidade de recuperação de toda a envolvente e do Palácio, também, mas o que tem saído para a opinião pública são planos de pormenor que parecem estar mais preocupados com o derrube de árvores (Alameda dos Pinheiros), com a construção de vias rápidas e de urbanizações do que propriamente com a recuperação da ... Torre do Galo.

Foto: Osvaldo Gago

Monday, December 10, 2007

Saudoso café, saudoso relógio!


Era assim o interior do fabuloso café Chave d'Ouro, no Rossio. Esta fotografia data de 1941 e é de Kurt Pinto (fonte: Arquivo Municipal de Lisboa)

O relógio da torre da Sé


Não terá já nada a ver com o relógio que, sem mostrador, servia para bater as horas desde o tempo de D.Fernando, mas gostava de acreditar que sim, e que o povo do bairro da Sé ainda se orientasse segundo o seu bater.

Foto: Isaurinda Brissos

Thursday, December 6, 2007

Adenda ao relógio de sol do Bugio


Boas notícias: em Agosto de 2006, o relógio de sol do Bugio ainda estava intacto. Poderão vê-lo, ou revê-lo, em Álbum Fotos, reportagem fotográfica de um cibernauta que então visitou o forte. A imagem correspondente ao relógio está na última fila do slideshow.

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E já que temos vindo a falar de relógios deste tipo, uma curiosidade: os entusiastas já o sabem certamente de cor, mas há um dia no ano que lhes é dedicado: 21 de Junho é o Dia do Relógio de Sol e foi instituído em 1990 pelo Instituto de Investigação, Estudo e Divulgação do Quadrante Solar, fundado no ano anterior com a missão de “estudar e divulgar a gnomónica e o relógio de sol/sombra como instrumento de interesse histórico, científico, didáctico, lúdico e decorativo”.

Crédito imagem: Impression, Soleil Levant, óleo s/tela de Claude Monet, 1873; Musée Marmottan-Monet, Paris


O relógio de sol que Khadafi poderá apreciar



No Forte de São Julião da Barra, no magnífico terraço sobranceiro ao mar, o Presidente líbio poderá apreciar durante o seu acampamento por Portugal uma peça em excelente estado de conservação, apesar de estar há meio século ali. Trata-se de um relógio de sol, da autoria do General Henrique Pereira do Vale e que, além de um quadrante afinado para Lisboa, com respectivo gnómon, tem ainda quadrantes afinados para se poder ler a hora solar verdadeira na Ilha das Flores, nos Açores; em Luanda; Lourenço Marques (Maputo); Goa; Macau e Timor. O quadrante respeitante a Lisboa tem ainda um segundo gnómon, que indica a evolução anual do Zodíaco. A circundar a peça, a frase de Camões “Cujo alto império o sol em nascendo vê primeiro” (Lusíadas, Canto I). Pereira do Vale (1889-1974), engenheiro de formação, esteve na batalha de La Lys, na I Guerra Mundial, foi director do Colégio Militar e, ao longo da sua carreira de militar, investigou paralelamente dois temas – a artilharia histórica dos exércitos portugueses (de que foi e ainda é uma autoridade) e a gnomómica. Neste último caso, projectou e construiu dezenas de relógios de sol, nomeadamente para Afonso Lopes Vieira, de quem foi amigo. Se Khadafi vir a peça, e lhe traduzirem o significado, esperemos que não fique demasiado chocado com o seu tom “imperialista” e “colonialista”.

Um pedaço de um relógio de sol dos mais antigos do País está no Museu do Teatro Romano, em Lisboa, entre a Sé e o Castelo


Há um pedaço de um relógio de sol que pode datar do século VI da nossa era. Está no Museu do Teatro Romano (acima da Sé). O Museu,, leio na Wikipédia, «ocupa a vertente sul da colina do Castelo de S. Jorge, junto ao Pátio do Aljube, 5 (à Rua Augusto Rosa)». Lá dentro, um pedaço de um relógio de sol. A ser assim, julgo que será o mas antigo da Cidade, e dos mais antigos do País. Onde há muitos. Muitos: há quem afirme ter «inventariado no país cerca de três mil relógios de sol, os mais antigos remontando ao período romano. Um desses relógios de sol encontra-se no Teatro Romano de Lisboa, mas só pode ser visto com autorização da Câmara Municipal, uma vez que o teatro está fechado». Li aqui.
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No site da CML, referência ao Museu (não ao relógio, diga-se). Aqui. Fotos mais expressivas sobre o museu, aqui.

Tuesday, December 4, 2007

Também há um nos Capuchos!

Este, ali em cima da boca da cisterna, já tem 421 anos e já todos passámos por ele ou perto. «Reside» nos Capuchos e pode ler sobre ele aqui. Transcrevo. «No chamado "Pátio do Relógio" stua-se a antiga cisterna do convento, cuja boca tem cerca de 1 metro de altura e forma octogonal, e no topo da qual foi colocado um relógio de sol em pedra, onde está gravada a data de 1586 e as iniciais do construtor, e que pertencia à cerca do Convento. A boca da cisterna encontra-se revestida de azulejos azuis e brancos, provavelmente da 2ª metade do século XVIII, cuja decoração é composta por medalhões, no centro dos quais estão ramos de lírios, e por rica ornamentação rocaille de volutas, concheados, anjinhos e "asas de morcego". (...) Lamentavelmente encontra-se em mau estado de conservação, e colocado num pátio sombrio actualmente rodeado de edifícios» - diz a Junta de Freguesia local (veja mais no link aí em cima).

Um relógio na barra do Tejo



Fica num dos mais belos lugares da Grande Lisboa, um ponto na paisagem que todos conhecemos quando olhamos a barra do Tejo. Não é fácil vê-lo assinalar a passagem do tempo, mas poderia ser fácil fazê-lo se, ao lugar onde se encontra – uma das maiores jóias da nossa arquitectura militar -, fosse atribuído um uso público.

Instalado na bateria alta do Forte do Bugio, é um relógio de sol raro pela sua excepcional localização e, porventura, o mais solitário de todos eles, dado que a automatização do farol dispensou há muito a existência de faroleiros residentes.

O futuro desse relógio de sol é hoje tão incerto quanto o do lugar onde foi implantado: com o desmantelamento da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), entidade que cuidou da conservação do Bugio durante décadas, não se vislumbra quem dará, na prática, continuidade a essas intervenções; por outro lado, e embora ciclicamente disputado por três concelhos – Lisboa, Oeiras e Almada -, a verdade é que ele continua hoje sem uso para além daquele que mantém sob a supervisão da Direcção-Geral de Faróis. É pena que assim seja e que não possamos ver a lição que o seu pequeno relógio de sol tem para nos dar - que é tempo de darmos valor a tudo aquilo para o qual deixámos de ter tempo: o nascer e o pôr-do-Sol, para começar.


Créditos imagem: vista aérea e vista geral do Bugio quando da intervenção de protecção e reconstrução da sua muralha periférica, em 1999/2000; Inventário do Património Arquitectónico da extinta-DGEMN

Relógio de Sol de Belém


Era assim o relógio de sol no Jardim do Império - a relva com sulcos e desenhos, a servir de mostrador; a haste da âncora a projectar nele a sombra, a servir de gnómon.

Cá volto a Belém e à pobre da âncora ...


Retomo o que escrevi há meses, ali ao lado, ou seja:

Eis o que resta de um relógio de sol, do tempo da Grande Exposição do Mundo Português. Era composto por canteiros dispostos em mapa mundi, representando minuciosamente os quatro cantos das ex-possessões portuguesas. O jardineiro dedicado à sua preservação reformou-se há um bom par de anos. Desde então é o que se vê.

Pergunto se não haverá pela CML, de entre todos aqueles técnicos e funcionários desmotivados, um bom de um jardineiro que diga "presente" e se ofereça como voluntário para cuidar daquilo ... antes que aumente o número dos que pensam tratar-se a âncora de uma peça de arte, ou de algum navio encalhado, do tempo das Descobertas??!!

Monday, December 3, 2007

O relógio da Hora Legal em 1943



O regime diferenciado de Hora de Verão e Hora de Inverno tem como objectivo aproveitar ao máximo, para as actividades sociais da maioria da população, as horas de sol disponíveis ao longo do ano. A Alemanha terá sido o primeiro país a adoptar o sistema de Horário de Verão e de Inverno logo no início da I Guerra Mundial, em 1914. A Inglaterra e Portugal adoptaram esse regime em 1916, que tem sofrido até hoje várias alterações, como se pode ver em www.oal.ul.pt.
Em 1943, em plena II Guerra Mundial, Os Ridículos dedicavam a sua primeira página de 13 de Março à mudança da hora, ilustrando-a com um desenho do relógio da Hora Legal, ao Cais do Sodré. Nesses anos, por motivos de segurança (possibilidade de bombardeamento aéreo por parte dos alemães, mesmo sendo o país oficialmente neutral), e de escassez de energia, a iluminação pública era restringida ao mínimo e as horas solares eram aproveitadas ainda de forma mais "esquisita".
O regime de Hora Legal em Portugal em 1943 (como no ano anterior e nos dois que se seguiriam) era o seguinte:
Hora do meridiano de Greenwich, tendo sido adiantada de 60 minutos nos períodos compreendidos entre as 23 horas do dia 13 de Março e as 23 horas do dia 17 de Abril e, entre as 24 horas do dia 28 de Agosto e as 24 horas do dia 30 de Outubro; e adiantada de 2 horas desde as 23 horas do dia 17 de Abril até às 24 horas do dia 28 de Agosto.

Sunday, December 2, 2007

No PDM de Lisboa, o relógio da hora legal do Cais do Sodré é a peça nº 49.52



Uma nota que pode ser interessante. No anexo I ao Regulamento do Plano Director Municipal, lá está ele: o Relógio da Hora Legal do Cais do Sodré é listado como a peça nº 49.52 - ou seja: fica na Freguesia de S. Paulo (freguesia que no PDM / Regulamento, anexo I, é identificada com o nº 49). E na lista de património identificado desta freguesia ocupa o nº 52. A referência é a seguinte: «ANEXO N.° 1 (do Regulamento do Plano Director Municipal) / Inventário municipal do património / Lista dos imóveis e conjuntos edificados (artigo 13.°)».
E o que diz esse artigo 13º? Que este anexo «assinala os imóveis e conjuntos edificados com interesse histórico, arquitectónico e/ou ambiental, assim como as áreas de potencial valor arqueológico» e que «os imóveis e conjuntos edificados com interesse histórico, arquitectónico e/ou ambiental são os que constam do Anexo 1.»

Saturday, December 1, 2007

O Cais do Sodré antes do Relógio da Hora Legal

Uma das centralidades do tempo público alfacinha, mesmo antes de lá ter sido colocado o Relógio da Hora Legal estava situada no largo dos Remolares, hoje Cais do Sodré. Além da pesca e dos apetrechos a ela ligados, a zona começava a estar povoada de agentes transitários, para quem a hora certa era um instrumento diário de trabalho.
Antes do relógio mecânico, esteve lá um relógio de sol, horizontal. Alguém saberá do seu paradeiro?
Diz-nos Júlio de Castilho em “A Ribeira de Lisboa, Descrição Histórica da Margem do Tejo, desde a Madre de Deus até Santos-o-Velho”: “Em 1860 havia no centro da praça uma escadaria circular de poucos degraus, e de 2 metros de diâmetro, tendo ao centro, sobre um pedestal, uma meridiana ou relógio de sol. Essa meridiana (como tantas coisas inofensivas e úteis!) tornou-se alvo dos epigramas, mais ou menos agudos, do Lisboeta. Há uns certos sujeitos inúteis, que só sabem rir, rir de quem trabalha, epigramar a quem serve. A meridiana era proveitosa; fazia o seu serviço, e cumpria-o bem; andava às ordens do sol, e obedecia-lhe pontualíssima, em benefício dos próprios ociosos que a desprezavam. Pois era moda dizer mal dela”.
E Júlio de Castilho, sem dar pormenores sobre quando a meridiana terá sido construída ou sobre quem a terá feito, conta várias histórias do quotidiano alfacinha que girava à volta da Meridiana dos Remolares. Uma delas diz respeito a “um pobre saloio, para quem um instrumento assim se figurava novidade inaudita, ouvindo dizer que era relógio se lhe aproximara e, desconfiado de que o pretendiam enganar, aplicara o ouvido, e tornara a aplicá-lo, concluindo (depois de maduro exame) que seria talvez relógio, mas estava parado”.
“Outro beócio chegando ali às Ave-Marias, quando já não havia sol, esperou pacientemente que se acendessem os candeeiros de gás da iluminação municipal, e foi depois consultar a meridiana... que lhe disse não sei bem o quê”, acrescente o conhecido olissipógrafo.
“A meridiana foi enfim substituída (e com vantagem) pelo monumento do Duque da Terceira, cuja primeira pedra se assentou em 24 de Julho de 1875”, conclui Castilho.
No Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa há uma imagem da Meridiana dos Remolares, numa ilustração ligeiramente diferente da que é incluída em “A Ribeira de Lisboa”. O mesmo arquivo tem depois imagens da praça a sofrer as terraplanagens para receber a estátua e para o assentamento de carris do “americano”, o antecessor do eléctrico, que tanto basbaque iria provocar na capital.
Pelas ilustrações se pode deduzir que o relógio de sol dos Remolares era constituído por uma coluna de pedra, no cimo da qual se colocara uma escala e um gnómon, cuja sombra indicava no mostrador a hora solar. Para onde terá ido, depois de destronada pela estátua equestre? Ninguém sabe. Para entulho, possivelmente.

Friday, November 30, 2007

Hora legal, legal mesmo

Na foto: edifício-sede do Observatório (construção: 1861), na Tapada da Ajuda
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Comecemos então pelo princípio: qual é a hora legal em Portugal? Quem é que me diz se a esta exacta hora são, como marca agora mesmo o meu computador, 23 e 6 exactas (23:06) ou se falta um minuto, passam dois ou 30 segundos para um lado ou para o outro?
Quando se me levanta essa dúvida e tenho necessidade de aferir seja o que for pela hora legal, vou a um sítio que nunca engana:
o Observatório Astronómico de Lisboa. Aqui.
Essa é a hora legal, de facto, melhor: de direito!
Se pretender visitar o sítio do OAL, pode clicar aqui.
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(Já agora: os meus parabéns aos compenheiros que tiveram esta ideia. E agradeço porque tiveram a amabilidade de me convidar e incluir nos fundadores do blog.)
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Depois desta entrada, vamos então aos relógios, ao tempo medido e aos relógios históricos de Lisboa (e arredores: vão ter uma surpresa um dia destes, se o espécime que tenho em mente ainda existir naquela esquina de um antigo palacete do Marquês de Pombal nos arredores de Lisboa: vou procurá-lo...). E há mais. Um dia destes, apareço com algo interessante nesse campo. Antes mais cedo do que mais tarde.











Fases da recolocação do relógio no chamado edifício da Hora Legal, ao Cais do Sodré, hoje. Trata-se de um relógio de quartzo, moderno. Tem razão o Professor Rui Agostinho, Director do Observatório Astronómico de Lisboa - esta não é a hora legal portuguesa, cuja única entidade emissora oficial é o OAL. Fica a curiosidade de saber se o Porto de Lisboa apaga ou não da frontaria a frase "Hora Legal". Devia apagar. O que é pena é que não haja um único relógio público em Portugal que possa ostentar esse título de Hora Legal. E as soluções técnicas são muito fáceis. Sobre a história do relógio do Cais do Sodré voltaremos brevemente ao tema.



Relógio do Convento do Carmo / Comando Geral da GNR







O relógio do Convento do Carmo, Comando Geral da GNR, está prestes a entrar de novo em funcionamento. Trata-se de uma máquina presumivelmente francesa, da região de Morez du Jura, importada no final do séc. XIX ou início do séc. XX. O relógio tem mostrador para o Rossio e batia horas e quartos em dois sinos, mas parece que agora passará apenas a accionar um.

Relógio volta mas hora legal não

In Diário de Notícias (30/11/2007)
MARINA ALMEIDA
ANA COSTA-ARQUIVO DN (imagem)

«O relógio deverá voltar hoje ao Cais do Sodré, em Lisboa. Mas não a hora legal, pois, desta vez, o relógio não vai estar ligado aos cinco relógios atómicos do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). "É um relógio qualquer, mais preciso ou menos preciso, mas a Administração do Porto de Lisboa (APL) não pode manter a etiqueta de hora legal", diz ao DN Rui Agostinho, director do OAL.

O dispositivo deverá, segundo a APL, que tem jurisdição da zona, ser instalado até hoje. Esteve fora do local por causa das obras que decorrem ao lado, segundo a APL. No entanto, a sua falta de precisão tem décadas. Rui Agostinho diz que "desde o 25 de Abril" que o relógio está "ao abandono." O astrofísico disse ao DN que recentemente "desafiou a APL a fazer a hora legal" regressar ao Cais do Sodré mas nunca recebeu resposta. A certificação da hora legal faz-se através de uma linha telegráfica, a cada dois segundos, com sinais horários que regulam o relógio. "Um relógio pode atrasar 15 a 30 segundos por mês", alerta. Já "a hora legal mantém o padrão do tempo".

Rui Agostinho sabe a importância do que é ser guardião da hora. Por um minuto se ganha ou se perde. "É um valor essencial, e à medida que a nossa vida é mais electrónica, a hora ganha ainda mais importância", alerta. Nos últimos anos "houve vários casos [em tribunal] em que fomos chamados a dar explicações mas cada um [cada entidade] tem a sua hora..." , conclui com desalento. Lamentando o fim da hora certificada, questiona: "Qual é a garantia de qualidade daquela hora?"

O DN tentou, sem sucesso, até à hora de fecho desta edição, obter esclarecimentos da APL.

O primeiro relógio da hora legal chegou ao Cais do Sodré em 1914. Este exemplar foi substituído em 2001 pelo que agora regressa ao local e que tem "tecnologia digital e design bem mais moderno", segundo a APL. O exemplar original está exposto na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara.»

Esta notícia diz bem da aberração com que tratamos o tempo e os relógios.

Para os responsáveis da Administração do Porto de Lisboa, a Hora Legal é um fait divers, e tanto pode ser mecânico como digital, fazer publicidade a uma marca de relógios ou estar em cima de um contentor. Tanto se lhes dá. Compreende-se.

O que não se compreende é como a quem de direito tanto se lhe dá o que o Observatório Astronómico de Lisboa considera ou a APL acha. Fazendo horas, portanto. Esquisito, este país.