Tuesday, June 24, 2008

Roteiro da Relojoaria Grossa de Lisboa


Aspecto do grupo que no passado domingo, dia 15 de Junho, participou na iniciativa do Clube dos Entas, onde, e a partir do terraço do Arco Triunfal da Rua Augusta, se partiu para uma análise histórica e cronológica do Tempo e do Poder em Lisboa, focando a chamada relojoaria férrea, grossa, de torre, pública ou monumental.

O evento mereceu notícia no jornal Metro de segunda-feira, dia 16, como se pode ver em:

Monday, June 16, 2008

A propósito da visita guiada de ontem...

E do último post, só para referir que os 'Cidadãos por Lisboa' elaboraram uma proposta sobre o Observatório Astronómico de Lisboa e sobre a Horal Legal, que aguarda agendamento para discussão há demasiado ... tempo.

Thursday, June 5, 2008

Viagem pela relojoaria grossa de Lisboa


Uma forma de aceder ao topo do Arco da Rua Augusta, que não está normalmente aberto ao público, e de conhecer alguma da relojoaria grossa da capital

Domingo 15/06: Roteiro dos Relógios de Lisboa


Uma viagem guiada por Fernando Correia de Oliveira


Ponto de encontro: debaixo do Arco da Rua AugustaEstacionamento: estacionamento subterrâneo atrás do Banco de Portugal, Terreiro do Paço e ruas circundantes

Transportes: metro do Terreiro do Paço (linha azul)Horário: das 16:00h às 19:00h

Dress Code: desportivo, com calçado confortável.Levar: garrafa de água, máquina fotográfica, chapéu/boné, protector solar, bloco de notas e caneta.
14:30h - ponto de encontro, debaixo do Arco da Rua Augusta

15h00 - visita ao interior do arco da Rua Augusta

15:30h - 16:30h - passeio pedestre guiado pela relojoaria grossa de Lisboa (relógio da Sé, o relógio da Alcáçova, o relógio do Paço, o relógio do Carmo, passando-se depois para a Avenida da Ribeira das Naus, com passagem pelo relógio do Arsenal - referência ao balão da hora - e pelo Cais do Sodré - relógio da hora legal)

17h00 - lanche de confraternização final entre os participante e o guia18h00 - entrega dos manuais e encerramento
Preço: 35€

Organização: Clube dos Entas


contactos para inscrição:

http://www.clubedosentas.com/index.php ou eventos@clubedosentas.com e os telefones 960055526/ 21 2452862

Saturday, May 31, 2008

O Balão do Arsenal




Em 1858, no Observatório de Marinha, então instalado na frente de rio junto ao actual Arsenal, entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, foi colocado um balão, que servia para os navios ancorados no Tejo fazerem o chamado "estado do cronómetro" - saber os desvios diários deste precioso mecanismo, utilizado para o achamento da longitude no mar.


Desde 1829 que havia este tipo de dispositivo, utilizado pela primeira vez na Base Naval de Portsmouth, Inglaterra, o chamado "time ball". Içado lentamente num mastro um quarto de hora antes de uma determinada hora (meio-dia solar médio ou uma hora da tarde, como no caso de Lisboa), caia subitamente nessa altura determinada, sendo visível de bordo. O primeiro balão de Lisboa funcionava muito mal e era alvo do escárnio de quem nos visitava, nomeadamente da imprensa inglesa. Um segundo balão, ligado por linha eléctrica ao Observatório da Ajuda, veio substitui-lo, agora já com grande qualidade. O cair do balão da hora, em Lisboa, era acompanhado de um sinal sonoro, servindo também para o acerto dos relógios normais dos alfacinhas. Do primeiro e do segundo balões nada resta, levados para o lixo ou por um incêndio que destruiu parte do Arsenal. O Balão do Arsenal tinha, entretanto sido substituído pelo Relógio da Hora Legal, ao Cais do Sodré, de que já temos falado aqui. Houve, em Lisboa, outros balões da hora - adjacentes ao Observatório da Ajuda e ao Observatório da Escola Politécnica.

Surge agora uma ideia - apadrinhada pelo Comandante Estácio dos Reis, um oficial de Marinha que também é historiador, e se tem dedicado à descoberta e preservação do nosso património, nomeadamente astrolábios. Aproveitando a passagem das sedes das agências europeias da Droga e do Mar para a zona do Cais do Sodré, pretende-se que, junto ao novo edifício, onde hoje está um parque de estacionamento, e onde ficava o Observatório de Marinha, se erga de novo um Balão da Hora - para recordar os balões passados e haver um instrumento de Tempo público com a hora certa na capital portuguesa - coisa que hoje não há. A Marinha está envolvida neste projecto, falta sensibilizar a União Europeia e as suas agências, especialmente a marítima, cujas sedes ficarão a funcionar na capital portuguesa. Nas imagens, o balão de Nova York; o balão que existiu à Escola Politécnica.

Tuesday, May 13, 2008

Gare Marítima de Alcântara


"No próximo dia 14 de Maio" - amanhã, portanto - "um dos maiores navios de cruzeiro do mundo, o Independence of the Seas, escalará Lisboa na sua viagem inaugural com início e fim no porto de Southampton, em Inglaterra, e será o maior navio de cruzeiros de sempre a visitar a capital Portuguesa". Ao chegar, informa a Administração do Porto de Lisboa (APL) no seu portal, o Independence of the Seas "será escoltado por rebocadores lançando jactos de água até ao Terminal de Cruzeiros de Alcântara, onde ficará acostado. Tal como vem sendo habitual nas primeiras visitas a Lisboa, os passageiros serão agraciados com animação de cais que se traduzirá na actuação de um grupo de monociclos e andas, de um pequeno grupo musical e na oferta de brindes, e ao comandante do navio será entregue a placa comemorativa do evento".

Obra de Porfírio Pardal Monteiro, e uma das jóias do modernismo aplicado ao desenho de equipamentos portuários, a Gare Marítima de Alcântara, hoje Terminal de Cruzeiros de Alcântara, também tem os seus trunfos, mas o portal da APL pouco fala deles, o que é pena. O relógio da gare... bom... está como é regra na cidade: não funciona e falta-lhe um dos ponteiros. Que pensarão os 3634 passageiros do Independence of the Seas quando amanhã, já em terra, olharem a fachada principal do complexo e virem o seu relógio neste estado?


Friday, April 25, 2008

O relógio do Quartel do Carmo

... E o relógio foi mesmo «inaugrado»... :
Também ontem foi assinalada a entrada em funcionamento do relógio mecânico da torre do quartel (do Carmo), avariado há vários anos e só agora restaurado por um profissional.
Gina Pereira, JN

Thursday, April 24, 2008

Inauguração do Relógio do Carmo restaurado


O exemplar que agora é devolvido à cidade, devidamente restaurado e reparado, é um relógio francês do final do séc. XIX, início do séc. XX, da firma Prost Frères, mais tarde adquirida por Francis Paget et Cie. Tanto a primeira como a segunda assinavam as suas obras com “P. F.”, iniciais que se podem ver nos suportes do mecanismo. A chamada relojoaria grossa, monumental, de torre ou pública teve forte tradição na região francesa do Jura, nomeadamente em Morèz, uma pequena cidade junto ao rio Bienne, onde a Prost Frères e depois a Francis Paget estavam instaladas. Portugal foi um bom cliente da relojoaria grossa e média de Moréz du Jura, havendo dezenas, se não centenas de exemplares desse tipo espalhadas pelo país.

O Convento do Carmo já tinha tido relógio, antes da instalação deste exemplar. Nos Arquivos da Câmara de Lisboa encontra-se um contrato assinado em 1872, onde um grande relojoeiro do séc. XIX português, Veríssimo Alves Pereira, se compromete a aproveitar e a concertar algumas peças de um antigo relógio do Convento que, tal como este, assinalava as horas e as meias horas. O bater das horas do Carmo é citado em dois trechos de A Relíquia, de Eça de Queiroz, (1887). Desta antiga máquina, não há hoje rasto.

No século XX há indicação de que o relógio do Carmo era importante para a comunidade do pequeno comércio que fazia da zona o bairro mais chique da cidade. O seu bater de horas regulava o abrir e fechar de taipais, a ida para almoço de caixeiros e patrões. Sabe-se que uma associação de comerciantes da Rua do Carmo teve durante décadas a seu cargo a manutenção do relógio, que depois ficou parado. Hoje, é devolvido à Baixa mercê do trabalho de recuperação e restauro de Luís Cousinha, neto de um outro grande construtor de relojoaria grossa do século XX português, Manuel Francisco Cousinha.

Friday, April 18, 2008

Relógio do Convento do Carmo / Comando Geral da GNR





No âmbito das comemorações oficiais do 25 de Abril, o Comando Geral da Guarda Nacional Republicana leva a efeito nas suas instalações, no Convento do Carmo, em Lisboa, uma cerimónia de inauguração do relógio de torre ali instalado, e recentemente restaurado.
Na ocasião, será proferida uma intervenção sobre a relojoaria grossa na capital e, particularmente, sobre esta peça originária de Morez du Jura, França, que marcou durante décadas o tempo colectivo de parte da Baixa pombalina, nomeadamente do seu comércio.
A cerimónia ocorre a 24 de Abril, pelas 16h00, com entrada livre, pela Porta de Armas do Quartel do Carmo.

Saturday, March 22, 2008

Antes e depois - o relógio da Igreja da Charneca do Lumiar




Onde param o painel de azulejos policromáticos (de que só tenho foto a preto e branco) e o ponteiro barroco que serviam de mostrador ao relógio da Igreja da Charneca do Lumiar?

Wednesday, March 19, 2008

Ainda o relógio do nº 50 da rua da Boa Vista


O prédio sito no nº 50 da rua da Boa Vista, agora recuperado, e que ostenta uma caixa de relógio com dois mostradores (penso que oca, mas isso é outra conversa) terá sido um importante foco de propaganda do conhecimento científico e industrial durante grande parte do século XIX português. Penso que o relógio que lá esteve (semelhante a um outro, na imagem, que se encontrava na Rua da Imprensa Nacional, e que entretanto desapareceu, e que estava à porta de um relojoeiro que fechou) era de origem francesa, possivelmente comercializado em Portugal por Paul Plantier, e que foi durante muitos anos fornecedor também dos Caminhos de Ferro nacionais. Este relógio no nº 50 da rua da Boa Vista é dos tempos da Associação Promotora da Indústria Fabril, fundada em 1837 e que penso teve sede lá (ou no número 46 anexo). Essa organização, génese da actual Associação Industrial Portuguesa (AIP) foi muito activa na promoção do Progresso e na divulgação científica, editando, por exemplo, a Gazeta das Fábricas. Do ponto de vista da relojoaria, será ainda de notar que Veríssimo Alves Pereira foi um dos seus membros mais activos. Veríssimo, natural do Porto, era um mestre relojoeiro que construiu as meridianas na Torre dos Clérigos e, depois, no Castelo de São Jorge e na Escola Politécnica, na capital. Vizinho à Associação, encontrava-se então o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, fundado em 1852 por Fontes Pereira de Melo, e que está na génese do Instituto Superior Técnico. Em 1854, fundou-se no Instituto uma oficina de instrumentos de precisão, para reparar e até construir vário tipo de aparelhos - incluindo relógios. O objectivo era o abastecimento e manutenção desses aparelhos de precisão (incluindo cronómetros) a todos os estabelecimentos científicos do Estado. As instalações do Instituto eram gigantescas, ocupavam todo um quarteirão, e tinham porta principal para o lado do rio e porta secundária para a rua da Boa Vista. Eram tempos em que a zona fervilhava de indústria e comércio - Augusto Justiniano de Araújo teve a sua oficina de relojoaria grossa no nº 164 da mesma rua e George Gundersen uma outra na vizinha Rua de São Paulo. Alguém se lembra ainda dos Armazéns do Conde Barão? e da Loja dos Parafusos? O que ardeu, ardeu, o que não ardeu está moribundo e entregue a lojas de chineses. Ainda está por fazer uma história do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, onde o Tempo era tratado de maneira muito pouco portuguesa - com precisão.

Thursday, March 13, 2008

Thursday, February 21, 2008

O relógio do nº 50 da Rua da Boavista


Num prédio magnífico, propriedade da CML, e magnificamente restaurado. Só há dois contras: o relógio não funciona e, pior, o prédio está desabitado, inclusive a loja.

Thursday, February 14, 2008

E o relógio do Arco da Rua Augusta?


Está neste momento completamente destrambelhado, de tal maneira que nem se pode dizer que esteja atrasado ou adiantado, está apenas perdido. Ou seja, precisa de nova intervenção do Sr. Cousinha! (?)

Wednesday, February 13, 2008

O relógio da esquina da Rua da Betesga


O relógio da Ourivesaria Portugal, que é um dos mais bonitos relógios de Lisboa. Sempre a horas, por sinal.

Thursday, February 7, 2008

A 'resposta' do PM ao nosso email sobre a Hora Legal e a Ajuda

Exmo. Senhor

Encarrega-me o Senhor Primeiro Ministro de acusar a recepção do e-mail de V. Exa. e de informar que lhe foi prestada a devida atenção.

Com os melhores cumprimentos


Fernando Soto Almeida
Assessor Administrativo
(por delegação)



Elucidativa, portanto.

Wednesday, February 6, 2008

A experiência dos outros (2): Terry Eiss, guia da torre de relógio mais famosa do mundo


Can you clear up the Big Ben/Clock Tower confusion?
The Bell is Big Ben, the tower is the Clock Tower (…). The Clock Tower is synonymous with the bell and is possibly one of the most recognised tourism icons in the world.

Desde o Verão de 2004 que Terry Eiss sobe 1002 degraus diariamente: 334 degraus por cada uma das três visitas que, um dia após outro, conduz à mais famosa torre de relógio do mundo: a torre do Palácio de Westminster, que, no próximo ano, terá festa de aniversário a condizer - em 2009, o Big Ben fará 150 anos.

Para lá de trabalhos regulares de manutenção, o Big Ben submeteu-se a uma intervenção de fundo em 2007, nos meses de Agosto e Setembro, voltando o sistema a ficar operacional a 1 de Outubro. Num país, como o nosso, em que, salvo honrosas excepções, a informação institucional ou é guardada a sete-chaves ou disponibilizada numa lógica de serviços mínimos, dá gosto ver, como noutras paragens, tudo é bem diferente.

Galeria de imagens e enquadramento da intervenção no Big Ben, aqui, e depois aqui e também aqui, quando ela foi dada por concluída. Entrevista com o guia, Terry Eiss, aqui.
Créditos imagem: Trabalhos de limpeza e manutenção do Big Ben no Verão de 2007 (in UK Parliament)

Tuesday, January 29, 2008

Ano novo, vida nova, reponham a hora legal no Cais do Sodré e acertem as horas na Ajuda!

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara, Dr. António Costa
Exma. Senhora Ministra, Drª Isabel Pires de Lima,
Exmo. Senhor Ministro, Eng. Mário Lino,
Exmo. Sr. Presidente da APL, Dr. Manuel Frasquilho,
Exmo. Sr. Presidente do IGESPAR, Dr. Elísio Summavielle,


No seguimento da criação do presente Observatório e do ponto de situação que entretanto fizemos sobre os relógios históricos de Lisboa, vimos por este meio chamar a atenção de Vossas Excelências para a gravidade de dois casos em particular: a Hora Legal do Cais do Sodré (que já não é) e a Torre do Galo (que continua mudo).

Como é do conhecimento de V.Exas, o relógio da Hora Legal é aquele que está ligado aos relógios atómicos do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), e que, até há bem pouco tempo, estava localizado junto ao Cais do Sodré, no que se chamou Edifício da Hora Legal.

Embora sofrendo de problemas técnicos desde há mais de 20 anos, o relógio que se encontrava nesse local foi, efectivamente, o relógio da Hora Legal.

O problema é que Administração do Porto de Lisboa (APL) achou por bem (sem ter em consideração as observações do OAL) substituir o relógio que lá estava por um relógio de quartzo, moderno, bem como interromper a ligação do mesmo ao OAL. Por conseguinte, a hora que será exibida pelo novo relógio não será nunca a hora legal portuguesa ... como foi até ao dia em que se iniciaram as obras de construção dos edifícios da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu de Toxicodependência, e que levaram a que o relógio fosse retirado do local.

Curiosamente, e também relacionado com a Ajuda, também outro importantíssimo relógio histórico de Lisboa se encontra olvidado por quem de direito: a chamada Torre do Galo, junto ao Palácio da Ajuda - palácio nacional, sede do Ministério da Cultura e do IGESPAR, e sala de visitas das individualidades estrangeiras que nos visitam.

Como também é do conhecimento de V.Exas., com a construção da Real Barraca, à Ajuda, fez-se nova Patriarcal, de que a Torre do Relógio ou do Galo (por ter um catavento em forma de galo) fazia parte. A comunidade da Ajuda regeu-se durante mais de um século por este marcador público do Tempo e, por exemplo, o regulamento da Biblioteca vizinha refere, no horário, que a entrada dos funcionários e o encerramento dos serviços se devia fazer obedecendo diariamente ao que os sinos da torre e o seu relógio ditassem.

("MAFRA, José da Silva, relojoeiro do convento de Mafra, "artista habilíssimo", nascido a 1790, foi o autor do mais notável relógio Português que foi colocado na extinta Patriarcal de Lisboa, começando a trabalhar no dia 8 de Setembro de 1796. A obra durou mais de cinco anos a fazer e custou mais de 100.000 cruzados. O construtor ficou seu cuidador, seguido dum seu filho que ficou a exercer o cargo a partir de 24 de Dezembro de 1814, até à extinção da Patriarcal. José Mafra, em 1843, inventou um mecanismo, "por meio do qual se reduziu a um só o emprego diário de dois homens, que eram absolutamente indispensáveis para dar corda ao dito relógio". Fez uma fábrica de peças licenciada por alvará de 21 de Junho de 1785. Entre os manuscritos da Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, encontra-se um Rol de Confessados de 1812, do Sítio da Ajuda, onde se faz referência ao "relojoeiro da Patriarcal, José da Silva, natural de Mafra", o que mostra que o seu apelido de família era Silva, mas que, a partir dele, o local de nascimento, Mafra, passou a ser apelido, o que era normal na época.", in «Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal» (Âncora, 2006).

Simplesmente, um incêndio que terá sofrido no final do séc. XX fez com que as estruturas interiores da torre, em madeira, estejam em risco iminente de ruir. No seu interior, lá em cima, e em que estado... poderá estar um dos mais interessantes exemplares da relojoaria grossa nacional.

Tendo em conta o que acabamos de expor, e os últimos desenvolvimentos relacionados com a desafectação de terrenos da APL para a CML, vimos, pelo presente, solicitar a V.Exas.:

- A reposição do exemplar original da Hora Legal, actualmente em exposição na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara, e a sua reconexão aos relógios atómicos do OAL , a fim de que um relógio público volte a mostrar a Hora Legal a todos quantos habitam, trabalham e visitam Lisboa;

- A recuperação da Torre do Galo, com o restauro da máquina de Silva Mafra e sua musealização e contextualização in situ, que, deste modo, poderia ser o primeiro passo no sentido da intervenção geral de reabilitação de toda a envolvente ao Palácio da Ajuda, que todos desejamos mas que, ciclicamente, é anunciada e adiada. A recuperação da Torre do Galo iria enriquecer também o trabalho que o Palácio Nacional da Ajuda vem desenvolvendo no campo do estudo e divulgação do seu próprio acervo. Neste caso, da sua colecção de relojoaria, uma das mais importantes da Europa (tema, recorde-se, da exposição "Tempo Real" e respectivo catálogo, na década de 90).


Na expectativa da concordância de V.Exas. em restabelecer a verdade histórica nestes dois relógios de Lisboa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos


Maria Amorim Morais, Fernando Correia de Oliveira, Paulo Ferrero e Virgílio Marques

Wednesday, January 23, 2008

Algo de estranho se passa ali ...

Não é que o relógio do Arco da Rua Augusta estava certinho, certinho como um pêndulo, ainda há coisa de minutos?

Monday, January 21, 2008

O Relógio do Arco da Rua Augusta está atrasado quase 1 hora!!!


Afinal, parece que o Sr. Cousinha se enganou.

Sunday, January 6, 2008

Sul e Sueste







Neste caso, como noutros, fica-se na dúvida sobre por onde começar: se pelo estado do relógio, se pelo estado do edifício, porque a imagem de desconsolo é a mesma para onde quer que se olhe na Estação Fluvial de Sul e Sueste. Quando se espera um transporte é no relógio da estação que se confia, mas neste caso, como noutros, o entendimento parece ser outro: parado, com o mostrador partido e embaciado pela humidade do Tejo, este relógio é hoje um elemento deixado à deriva, da mesma forma que à deriva está, em matéria de conservação, esta peça de arquitectura-chave (projecto de 1928/9, aberto à exploração em 1931) do nosso primeiro modernismo.

O seu autor, que muitos relembrarão de imediato pelo contributo que deu aos anos de ouro do cinema português com A Canção de Lisboa, foi sobretudo arquitecto, de equipamentos públicos, em particular ao serviço dos Caminhos-de-Ferro, de que foi quadro ao longo de toda a sua vida adulta: Cottinelli Telmo (1897-1948), “espírito irrequieto e apaixonado”, como escreve o Prof. José-Augusto França, cuja avidez pela vida o levaria a dedicar-se a um sem-número de outras actividades como a ilustração, com realce para a BD, a música ou a dança.

A 18 de Setembro deste ano passarão 60 anos sobre a sua morte, em circunstâncias trágicas, num acidente de pesca nas águas de Cascais. A ter que se começar por algum lado nesta que foi uma das principais estações que projectou, por que não começar pelo relógio, restaurando-o?


Créditos das três últimas imagens: Fachada principal da estação fotografada por Fernando de Jesus Matias, em finais dos anos 50/Arquivo Fotográfico de Lisboa; Ficha de registo de Cottinelli Telmo como funcionário dos Caminhos-de-Ferro/Arquivo da CP