João Vaz de Carvalho tem um mundo muito especial, feito de côr e riso. Este pintor natural do Fundão, mas radicado há muitos anos em Lisboa, tem mantido presente na sua obra uma série de relógios - não são inventados, são máquinas do tempo que lhe povoam a habitação e o quotidiano. É dos poucos artistas portugueses que conheço que mantém com o Tempo uma relação iconográfica perene. Que pode ter uma leitura imediata, infantil (talvez a que mais lhe agrada), ou uma leitura mais elaborada, cheia de ironia e segundos sentidos. Alguns exemplos da sua produção mais recente (que inclui outras temáticas, claro) podem ser vistos na Galeria Trema, ao Príncipe Real, em Lisboa, a partir de Sábado e até 20 de Junho.
Thursday, May 21, 2009
Sunday, May 17, 2009
O mais antigo relógio de sol em madeira até agora encontrado em Portugal


Esta meridiana, nome por que é conhecido o tipo de relógio de sol em causa, chegou aos nossos dias com a madeira praticamente intacta porque esteve durante mais de 500 anos debaixo de água.
Está incompleta, já que lhe falta, no centro, uma bússola (material ferroso rapidamente deteriorado). E, para completar o conjunto, havia também uma tampa, de que ainda há na base os sinais de ligação. Essa tampa deveria ser também em madeira, e serviria para gravar no interior uma tabela com nomes das cidades mais importantes da Europa, com as respectivas latitudes. Um fio, preso à tampa e a um ponto da base (de que há também vestígios no objecto achado) serve neste tipo de relógios como gnómon, para projectar a sombra do Sol.
A base, cujo centro escavado servia de assentamento para a bússola, tem gravados algarismos árabes, vendo-se claramente, da esquerda para a direita, o “0” de 10, e depois “11”, “12”, “1”, 2”, “3”, “6”, “8” e “9”. Os números “4” e “7” estão escritos de forma hesitante, demonstrando a antiguidade do objecto. Os algarismos árabes, incluindo o “zero”, foram introduzidos na Europa científica a partir de Itália, no século XII, por Leonardo Fibonacci, mas só lentamente começaram a substituir a grafia da numeração romana no quotidiano ocidental. A base da meridiana em madeira encontrada no Corpo Santo ainda apresenta uma grafia não fixada dos algarismos árabes. “Apesar de os algarismos árabes terem sido usados ocasionalmente pelos europeus desde o século XIV, só no princípio do século XVII começou a generalizar-se na Europa, incluindo Portugal”, refere-nos o matemático Nuno Crato. Isto poderá significar que a meridiana do Corpo Santo terá vindo de Itália, como o material cerâmico encontrado no local.
No quadrante da meridiana encontram-se ainda marcações que deverão indicar pontos de acerto deste relógio de sol portátil. Depois de achado o Norte, através da bússola, o utilizador deveria acertar o objecto para o local onde se encontrava, mediante a latitude que sabia ou que iria consultar na tabela da tampa.
Os relógios de sol foram introduzidos na Península Ibérica pelos romanos, havendo alguns exemplares encontrados no território português. Depois disso há um enorme hiato, durante as ocupações bárbara e islâmica, não se tendo encontrado até hoje qualquer exemplar desses períodos. O relógio de sol volta a aparecer no período românico, adjacente a mosteiros e igrejas. Mas nunca como relógio de sol portátil. A meridiana do Corpo Santo, possivelmente datada do início do século XV, é pois o mais antigo relógio de sol portátil encontrado até hoje no país.
A escavação do Largo do Corpo Santo, dirigida por Clementino Amaro, e com os arqueólogos Ana Vale e João Marques, foi efectuada devido à necessidade de construir um poço de ventilação para o Metropolitano de Lisboa. A área a escavar correspondia a uma circunferência, com cerca de 15 m de diâmetro, no canto nordeste do parque de estacionamento, encostado ao edifício da Marinha.
Os trabalhos arqueológicos no Largo do Corpo Santo, em Lisboa, iniciaram-se em Janeiro de 1996. Imediatamente sob a superfície foram detectadas as estruturas pertencentes às oficinas de serralharia do Arsenal da Marinha, destruídas já neste século, para a construção do parque de estacionamento. Depois de liberta a área de escavação destas estruturas recentes, começaram a aparecer pavimentos e paredes pertencentes ao Palácio dos Côrte-real, cuja edificação data de 1585. A escavação sob os pavimentos revelou que estes assentavam num grande aterro onde abundam os óxidos de ferro e cinzas, possivelmente provenientes das ferrarias aí instaladas no início do século XVI. Teriam sido eventualmente danificadas pelos terramotos de 1531 e 1551 que, segundo os relatos, atingiram duramente a zona ribeirinha de Lisboa. Os seus despojos terão sido utilizados para criar um aterro sobre a praia, destinado à construção do novo e grandioso palácio de D. Cristóvão de Moura, casado com D. Margarida de Côrte-real. O Palácio dos Côrte-real, também conhecido como Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo, sofreu um incêndio em 1751, ficando irrecuperável com o terramoto de 1755.
O material escavado no aterro inclui algumas peças de qualidade excepcional, como as primeiras majólicas importadas do centro de Itália, remontando a sua cronologia ao séc.XV e XVI. A meridiana em madeira foi recolhida num nível junto à praia, ou seja, na base do aterro referido, podendo assim datar-se do final do século XV.
in Cronos - Pilares do Tempo, suplemento saído com o Público de 16 de Maio
Thursday, May 14, 2009
Cronos - Pilares do Tempo, Sábado com o Público

Cronos -Pilares do Tempo sai Sábado, 16 de Maio, com o PÚBLICO. O único suplemento do género num jornal generalista comemora uma década a mostrar o Património, a Cultura e as mais belas Máquinas do Tempo. O achado de uma meridiana quinhentista em madeira na zona ribeirinha da capital, o regresso da Hora Legal ao Cais do Sodré, ou a relação entre o tempo sagrado e o tempo profano nas igrejas de Lisboa são alguns dos temas desta edição.
Thursday, April 30, 2009
Exposição de Relojoaria nas Caldas da Rainha
"Tempos de História" é o título da iniciativa do Museu do Hospital e das Caldas, nas Caldas da Rainha, inserido nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Até 17 de Maio, de Segunda a Sábado, das 09h00 às 17h00, poderá subir à Torre Sineira da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo e admirar a bela vista e o mecanismo do relógio de quatro mostradores, que acciona os sinos em carrilhão, batendo as horas e quartos progressivos. Poderá ainda passear-se pela cidade, fazendo o ressto do roteiro "Tempos de História", que inclui os marcadores de tempo da Escola de Sargentos do Exército, a Estação Ferroviária, a Praça da república ou a Estação Rodoviária. Se quiser visitar o Museu, onde se encontra um relógio de sol, poderá fazê-lo de Segunda a Sexta, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00, ou aos Sábados, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, e Domingos e Feriados, das 09h00 às 12h30.
Monday, April 6, 2009
Chegado por e-mail:
«Caros Amigos do "Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa",
Foi por acaso que, no decorrer duma pesquisa sobre o Forte Farol do Bugio, desembarquei no vosso blog, que me merece os maiores elogios. Gostei imenso dele.
Numa peça que li, mencionavam que não tinham fotos do RELÓGIO DE SOL implantado no citado Forte Farol do Bugio.
Numa outra peça vi uma referência a um Álbum Fotos/slideshow onde referem que está lá uma foto do relógio.
Infelizmente, não consegui aceder ao show para ver a foto - recebi uma mensagem de erro 404 not found.
É com todo o gosto que vos cedo para publicação no vosso blog, se acharem interessante e conveniente, as minhas fotografias do relógio.
Apenas peço que façam menção ao autor - José António Baptista - e se possível me informem se/quando as publicarem (uma ou todas).
Se pretenderem dar-lhes outra utilização que não o blog, contactem-me para vos dar autorização.
Estas fotografias foram obtidas no decorrer de duas Visitas Guiadas promovidas pela Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras, da qual sou associado e Secretário de Direcção.
Sem outro assunto de momento e com Votos de sucesso,
Respeitosos Cumprimentos,
José António Baptista»
Saturday, March 7, 2009
Exposição e palestra sobre o Tempo, em Tentúgal

Sábado, 14 de Março, a partir das 15h30, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Tentúgal, uma série de iniciativas, que incluem uma exposição sobre o Tempo e uma Palestra de José Mota Tavares sobre o Relógio - a Máquina que divide o Tempo. No âmbito da inauguração de placa comemorativa na Torre do Relógio da localidade.
Monday, March 2, 2009
Colóquios sobre Relojoaria, Tempo e Evolução das Mentalidades

Sopas de Pedra "O Relógio": Jantares-Colóquio regressam ao Claustro do Convento da Graça, em Torres Vedras.
As Sopas de Pedra, conjunto de três jantares-colóquio, regressam em2009 subordinadas ao tema “O Relógio”. A primeira sessão decorrerá já no próximo dia 6 de Março, sexta-feira, pelas 20h00, nos Claustrosdo Convento da Graça e o tema “A História do Tempo” será abordado porFernando Correia de Oliveira, o convidado dessa noite.
Dos cromeleques aos relógios atómicos e ao GPS. Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador da temática multidisciplinar doTempo, faz nesta comunicação uma viagem através da História e das Mentalidades, ligando o Homem e Cronos, e a maneira como o primeiro se tem relacionado com o segundo. Relógios de sol, clepsidras, ampulhetas, a relojoaria mecânica - da de torre à de pulso - são instrumentos que acompanharam a viagem da Humanidade através da realidade mais invisível e, no entanto, mais mensurável - o Tempo. E Portugal, como tem sido o percurso do Tempo Português? Do sagrado ao profano, do público ao privado. E da relação dos vários poderes - religioso, político, económico, científico - com o Tempo e os seus medidores. Fernando Correia de Oliveira abordará todas estas questões, numa viagem com hora marcada.
As Sopas de Pedra terão continuidade durante o mês de Março estando agendadas mais as seguintes sessões:
Dia 13 de Março (Sexta-Feira) - 20h00:“O Relógio de Sol no Município de Torres Vedras” Convidado: José Madruga de Carvalho (professor da Escola Secundária deHenriques Nogueira)
Dia 20 de Março (Sexta-Feira) - 20h00“O Relógio Mecânico e a Medição do Tempo em Torres Vedras” Convidado: José Mota Tavares (investigador)
As Sopas de Pedra são uma organização do Arquivo Municipal e do Museu Municipal Leonel Trindade, destinam-se a toda a família e o preço de cada jantar-colóquio é de € 10 (€ 25 os três jantares). A sua inscrição pode ser realizada pelo telefone 261 320 736 ou pelo e-mail:
Sunday, February 22, 2009
Relógio no Lago do Campo Grande
Agora que se está a limpar o Lago do Campo Grande, em Lisboa, não seria boa altura (é sempre...) de dar uma reparação geral ao mobiliário urbano que o rodeia? É que a zona podia ser privilegiada em termos de espaço público alfacinha, em vez de ser paragem de marginais. O edifício do centro comercial encontra-se fechado, abandonado, quando ali podia ser um espaço de cultura e lazer, já que o enquadramento é ideal. Quanto aos barcos, jazem de momento a seco, velhos, descoloridos, decadentes. Não haveria um concessionário interessado em explorar as várias explanadas, restaurantes, renovando a "frota"? E que dizer do relógio ali colocado em meados do século passado, e que servia para magalas e sopeiras saberem se já tinham esgotado o tempo pago para o passeiozinho a remos e para maior intimidade no namoro? O relógio é um exemplar SATIF, que bem merecia recuperação.
António Nunes Fitas foi um relojoeiro nascido no início do séc. XX. Estabeleceu-se na Rua da Bica Duarte Belo, 28, em Lisboa, com oficina de reparação e fabricação de relógios, que comercializou com a marca SATIF. Mais tarde, dedicou-se à reparação e venda de aparelhos de precisão, actividade que ainda hoje lá se exerce, mantendo a firma a mesma designação de “SATIF”. (in Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal (Âncora, 2006).
António Nunes Fitas foi um relojoeiro nascido no início do séc. XX. Estabeleceu-se na Rua da Bica Duarte Belo, 28, em Lisboa, com oficina de reparação e fabricação de relógios, que comercializou com a marca SATIF. Mais tarde, dedicou-se à reparação e venda de aparelhos de precisão, actividade que ainda hoje lá se exerce, mantendo a firma a mesma designação de “SATIF”. (in Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal (Âncora, 2006).
Friday, January 30, 2009
Thursday, January 22, 2009

A notícia é boa mas o artigo está mal feito pois não investigou coisa nenhuma. Acontece que foi a CML, por via de proposta dos Cidadãos por Lisboa, quem conseguiu incutir bom senso aos incultos de quem depende aquele espaço. A bem de Lisboa.
Friday, January 16, 2009
Rotunda do Relógio
Este é o estado actual da chamada Rotunda do Relógio. Houve tempos em que nela figuraram dois relógios florais, um dizendo "Bem Vindo" e outro "Boa Viagem", saudando os que chegavam ou partiam de avião numa Portela recém-estreada. Hoje, com o gigantesco viaduto que lhe passa por cima, a Rotunda do Relógio está totalmente abandonada, com as duas esculturas em pedra que lá foram colocadas, com os seus relógios, completamente perdidas no espaço e no tempo. Há poucos dias, descobri uma fotografia a cores da antiga Rotunda, que serviu de capa a um "single" pimba dos anos 60. Quem tem mais imagens desta rotunda que já foi bonita?
Thursday, January 8, 2009
2009 – “qual relógio de sol em tempo brusco”

Respigando os dados para Almanaques do Observatório Astronómico de Lisboa, e tomando como referência o calendário gregoriano, o dia 14 de Janeiro corresponde ao dia 1 de Janeiro do calendário juliano. O ano 2009 da era vulgar, ou de Cristo, é o 9.º do século XXI e corresponde ao ano 6722 do período juliano, contendo os dias 2 454 833 a 2 455 197. O ano 7518 da era bizantina começa no dia 14 de Setembro. O ano 5770 da era israelita começa ao pôr do Sol do dia 18 de Setembro. O ano 4646 da era chinesa (ano do búfalo) começa no dia 26 de Janeiro. O ano 2785 das Olimpíadas (ou 1º da 697ª), começa no dia 14 de Setembro, ao uso bizantino. O ano 2762 da Fundação de Roma “ab urbe condita”, segundo Varrão, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 2758 da era Nabonassar começa no dia 21 de Abril. O ano 2669 da era japonesa, ou 21 do período Heisei (que se seguiu ao período Xô-Uá), começa no dia 1 de Janeiro. O ano 2321 da era grega (ou dos Seleucidas) começa, segundo os usos actuais dos sírios, no dia 14 de Setembro ou no dia 14 de Outubro, conforme as seitas religiosas. O ano 2047 da era de César (ou hispânica), usada em Portugal até 1422, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 1931 da era Saka, no calendário indiano reformado, começa no dia 22 de Março. O ano 1726 da era de Diocleciano começa no dia 11 de Setembro. O ano 1431 da era islâmica (ou Hégira) começa ao pôr do Sol do dia 17 de Dezembro.
Já se quiser ver o próximo eclipse total do sol, a 21-22 de Julho, terá que estar nessa altura na Índia, Nepal, China ou algures no Pacífico onde a sua “faixa de totalidade” passe.
Isso faz-nos lembrar breu, penumbra sombra, luz, relógios de sol.Em tempo de crise, nada melhor do que citar Joaquim Fortunato de Valadares Gamboa, poeta menor português que em 1791 dava à estampa em Lisboa o seguinte poema:
Que relógio de sol, que serventia / Ter não pode de alguma utilidade / Quando o dia está brusco, e na verdade / Ninguém faz dele caso nesse dia: / Assim se da pobreza a mão sombria / Faz no homem qualquer escuridade / Em lhe faltando do ouro a claridade / É dos outros desprezo e zombaria: / Dos planetas mais nobre é o sol louro; / O ouro dos metais; e está mais fusco, / Que relógio sem sol, homem sem ouro: / Disto exemplos alheios eu não busco; / pois me vejo que estou, com vil desdouro, / Qual relógio de sol em tempo brusco.
Pois que 2009 não seja um eclipse total e que a luz do sol volte depressa, dizemos nós.
Wednesday, December 31, 2008
2009

O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa.
António Vieira, S.J. (1608-1697)
António Vieira, S.J. (1608-1697)
Ninguém pára o Futuro.
Que 2009 comece. E avance. E acabe.
O melhor possível.
Saturday, December 27, 2008
Como "ver" o segundo extra de 2008

Como já referimos aqui, o ano de 2008 vai ter no seu final um "segundo intercalar" ou "leap second" em inglês. Segundo o International Earth Rotation Service (IERS), que é o organismo responsável pela decisão da introdução deste segundo adicional, a passagem do dia 31 de Dezembro de 2008 para o dia 1 de Janeiro de 2009 deverá ocorrer segundo a sequência:
2008 Dezembro 31, 23h 59m 59s
2008 Dezembro 31, 23h 59m 60s
2009 Janeiro 1, 00h 00m 00s
2008 Dezembro 31, 23h 59m 59s
2008 Dezembro 31, 23h 59m 60s
2009 Janeiro 1, 00h 00m 00s
A esmagadora maioria dos relógios digitais não está preparada para mostrar "23h59m60s", passando imediatamente dos 59s para os 00s. Neles, o acerto terá que ser feito manualmente.
Mas há pelo menos um relógio que poderá seguir comodamente, em casa, e que lhe dará a possibilidade de "ver" esse segundo extra, enquanto tocam as doze badaladas e você tenta não se enganar na escolha dos desejos e na deglutição das tradicionais passas.
Falamos do relógio que se encontra no site do Observatório Astronómico de Lisboa, a entidade que em Portugal superintende no Tempo e na Hora Legal.
Assim, se na Passagem do Ano, tiver o computador ligado a http://www.oal.ul.pt/ terá oportunidade de ver o segundo intercalar e começar 2009 no passo certo.
Tuesday, December 23, 2008
Thursday, December 18, 2008
Portugal, a China, os Relógios e um que esteve no Arco da Rua Augusta

O antigo relógio do Convento de Jesus (actual Academia das Ciências), que foi parar ao Arco da Rua Augusta, adaptado por Augusto Justiniano de Araújo, já foi restaurado, por Luís Cousinha, e está patente temporariamente numa exposição sobre um jesuíta português na corte de Beijing, que entre outras coisas fez relógios.
(extracto da Nota que fizemos ao Catálogo da exposição sobre Tomás Pereira, S.J., patente no Centro Científico e Cultural de Macau, à Junqueira, em Lisboa)
O relógio patente nesta exposição é um exemplar do século XVIII, possivelmente de fabrico nacional, provavelmente anterior ao Terramoto, proveniente do Convento de Jesus, em Lisboa, e intervencionado no final do século XIX.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o espólio dos vários conventos, incluindo relógios, passa para terceiras mãos, sejam elas o Estado ou os particulares. O Convento de Jesus passou a albergar a Academia das Ciências, local onde ainda hoje a instituição se encontra, e o relógio saiu de lá em 1883. Foi parar ao Arco Triunfal da Rua Augusta, que era finalmente construído, mais de um século após o terramoto de 1755.
O relógio do Convento de Jesus é um exemplar da chamada relojoaria grossa ou férrea e as suas peças estão arrumadas numa gaiola cavilhada, característica da técnica dos séculos XVII e XVIII. Como relata a imprensa da época, o relógio “não estava preparado para indicar as horas para o lado da rua”. Ou seja, era, como muitos exemplares do seu tempo, para “bater” e não para “mostrar” o tempo, não tinha mostrador. Assinalava sonoramente as horas e os quartos através de sinos que estavam a ele ligados. Quem o adaptou para ter mostrador e ponteiros e lhe deu um novo escape (substituindo o de folliot por um de âncora) foi Augusto Justiniano de Araújo, o fundador da Escola de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa, ainda hoje a única que se dedica ao ensino da relojoaria em Portugal. O relógio acaba de ser restaurado, numa acção de mecenato que incluiu também a recuperação do relógio que se encontra actualmente no Arco da Rua Augusta e que o foi substituir nos anos 40 do século passado.
Escolhemos este exemplar de relojoaria grossa para ilustrar o tipo de relógios que os padres jesuítas fabricavam no século XVII na China. Foram os portugueses que introduziram a relojoaria mecânica, primeiro na Índia, depois na China, no Vietname, na Coreia e no Japão, quase sempre pela mão pioneira dos Jesuítas. […]
Tomás Pereira (1645-1708), músico de formação, construía os seus próprios órgãos e, aplicando os conhecimentos musicais e mecânicos, construiu mesmo um enorme carrilhão, com relógio, que colocou numa das torres da igreja dos jesuítas, na capital do império. É esse relógio com carrilhão que aparece na célebre gravura incluída na Mursurgia Universalis, de Atanásio Kircher, de 1650. O mecanismo de relojoaria accionava um tambor com espigões, semelhante aos das caixas de música, que por sua vez accionavam arame ligados a sinos, assinalando todas as horas com melodias tradicionais chinesas. […]
O relógio patente nesta exposição é um exemplar do século XVIII, possivelmente de fabrico nacional, provavelmente anterior ao Terramoto, proveniente do Convento de Jesus, em Lisboa, e intervencionado no final do século XIX.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o espólio dos vários conventos, incluindo relógios, passa para terceiras mãos, sejam elas o Estado ou os particulares. O Convento de Jesus passou a albergar a Academia das Ciências, local onde ainda hoje a instituição se encontra, e o relógio saiu de lá em 1883. Foi parar ao Arco Triunfal da Rua Augusta, que era finalmente construído, mais de um século após o terramoto de 1755.
O relógio do Convento de Jesus é um exemplar da chamada relojoaria grossa ou férrea e as suas peças estão arrumadas numa gaiola cavilhada, característica da técnica dos séculos XVII e XVIII. Como relata a imprensa da época, o relógio “não estava preparado para indicar as horas para o lado da rua”. Ou seja, era, como muitos exemplares do seu tempo, para “bater” e não para “mostrar” o tempo, não tinha mostrador. Assinalava sonoramente as horas e os quartos através de sinos que estavam a ele ligados. Quem o adaptou para ter mostrador e ponteiros e lhe deu um novo escape (substituindo o de folliot por um de âncora) foi Augusto Justiniano de Araújo, o fundador da Escola de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa, ainda hoje a única que se dedica ao ensino da relojoaria em Portugal. O relógio acaba de ser restaurado, numa acção de mecenato que incluiu também a recuperação do relógio que se encontra actualmente no Arco da Rua Augusta e que o foi substituir nos anos 40 do século passado.
Escolhemos este exemplar de relojoaria grossa para ilustrar o tipo de relógios que os padres jesuítas fabricavam no século XVII na China. Foram os portugueses que introduziram a relojoaria mecânica, primeiro na Índia, depois na China, no Vietname, na Coreia e no Japão, quase sempre pela mão pioneira dos Jesuítas. […]
Tomás Pereira (1645-1708), músico de formação, construía os seus próprios órgãos e, aplicando os conhecimentos musicais e mecânicos, construiu mesmo um enorme carrilhão, com relógio, que colocou numa das torres da igreja dos jesuítas, na capital do império. É esse relógio com carrilhão que aparece na célebre gravura incluída na Mursurgia Universalis, de Atanásio Kircher, de 1650. O mecanismo de relojoaria accionava um tambor com espigões, semelhante aos das caixas de música, que por sua vez accionavam arame ligados a sinos, assinalando todas as horas com melodias tradicionais chinesas. […]
Wednesday, December 10, 2008
Segundo intercalar será introduzido no final de 2008
No próximo dia 31 de Dezembro será introduzido um segundo extra (leap second, ou segundo bissexto) ao Tempo Universal Coordenado (UTC). Assim, às 23 horas, 59 minutos e 59 segundos do último dia do ano não se seguirão as zero horas, zero minutos e um segundo do primeiro dia de 2009, havendo um segundo extra colocado no meio. Em Portugal, será o Observatório Astronómico de Lisboa (http://www.oal.ul.pt/) a coordenar o processo, já que ele é a entidade que emite e regula para todo o território nacional a chamada Hora Legal. É de lá que respigamos algumas explicações básicas:
O Tempo Universal Coordenado (UTC) é a escala de tempo de referência e é derivada do Tempo Atómico Internacional (TAI) calculado pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) usando uma rede mundial de relógios atómicos. O UTC, que difere do TAI por um número inteiro de segundos, está na base de todas as actividades mundiais. UT1 é a escala de tempo baseada na observação da velocidade de rotação da Terra, que, actualmente, é derivada usando VLBI (Very Large Baseline Interferometry). As variações irregulares progressivamente identificadas na velocidade de rotação da Terra conduziram, em 1972, à substituição do UT1 como escala de tempo de referência. No entanto, era desejável pela comunidade científica internacional, manter a diferença UT1-UTC menor do que 0,9 segundos, para assegurar a concordância entre as escalas de tempo físicas e astronómicas.
Desde a adopção deste sistema em 1972 foi necessário adicionar 23 segundos ao UTC. Este facto deveu-se, em primeiro lugar, à escolha inicial do valor do segundo (1/86400 do dia solar médio do ano de 1820) e, em segundo lugar, à diminuição progressiva da velocidade de rotação da Terra. A decisão de introduzir um segundo intercalar ao Tempo Universal Coordenado é da responsabilidade do International Earth Rotation Service (IERS). De acordo com os acordos internacionais a introdução destes segundos deverá ser efectuada, de preferência no final dos meses de Dezembro ou Junho, ou em caso de necessidade, no final dos meses de Março e Setembro. Desde que o sistema entrou em vigor em 1972, só foram introduzidos segundos intercalares em alguns dos meses de Junho e Dezembro.
O último segundo adicional foi introduzido no dia 1 de Janeiro de 2006 às 0h UTC.
Para saber mais sobre o Leap Second, ver http://tycho.usno.navy.mil/leapsec.html.
O Tempo Universal Coordenado (UTC) é a escala de tempo de referência e é derivada do Tempo Atómico Internacional (TAI) calculado pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) usando uma rede mundial de relógios atómicos. O UTC, que difere do TAI por um número inteiro de segundos, está na base de todas as actividades mundiais. UT1 é a escala de tempo baseada na observação da velocidade de rotação da Terra, que, actualmente, é derivada usando VLBI (Very Large Baseline Interferometry). As variações irregulares progressivamente identificadas na velocidade de rotação da Terra conduziram, em 1972, à substituição do UT1 como escala de tempo de referência. No entanto, era desejável pela comunidade científica internacional, manter a diferença UT1-UTC menor do que 0,9 segundos, para assegurar a concordância entre as escalas de tempo físicas e astronómicas.
Desde a adopção deste sistema em 1972 foi necessário adicionar 23 segundos ao UTC. Este facto deveu-se, em primeiro lugar, à escolha inicial do valor do segundo (1/86400 do dia solar médio do ano de 1820) e, em segundo lugar, à diminuição progressiva da velocidade de rotação da Terra. A decisão de introduzir um segundo intercalar ao Tempo Universal Coordenado é da responsabilidade do International Earth Rotation Service (IERS). De acordo com os acordos internacionais a introdução destes segundos deverá ser efectuada, de preferência no final dos meses de Dezembro ou Junho, ou em caso de necessidade, no final dos meses de Março e Setembro. Desde que o sistema entrou em vigor em 1972, só foram introduzidos segundos intercalares em alguns dos meses de Junho e Dezembro.
O último segundo adicional foi introduzido no dia 1 de Janeiro de 2006 às 0h UTC.
Para saber mais sobre o Leap Second, ver http://tycho.usno.navy.mil/leapsec.html.
Sunday, December 7, 2008
Sunday, November 30, 2008
O relógio do Paço da Ribeira e a Restauração do 1º de Dezembro

Representação do Relógio do Paço (Museu do Azulejo) e Capa de Tempo e Poder em Lisboa
Há precisamente 368 anos, um sábado, pelas nove horas da manhã, dava-se início à operação militar que resultaria na restauração da independência do reino de Portugal, que desde 1580 ficara sob Coroa espanhola. Como em qualquer operação militar, o tempo sincronizado era importante e, para isso, era necessário um relógio comum aos conspiradores – no caso, o relógio do Paço da Ribeira.
Mesmo sob ocupação filipina, e com a capital do reino unificado em Madrid, Lisboa e o seu Paço não deixaram de ter importância política, pois era aí que se encontrava a viver o representante do rei castelhano. O golpe de 1640, liderado por nobres descontentes com a situação, procurando a recuperação da independência de Portugal, é uma operação militar. Decorre na zona do Paço e, como operação militar, necessita de um emissor de tempo comum, que sincronize as acções a desenvolver.
Diz D. Luís de Menezes na História de Portugal Restaurado que o grupo de Conjurados decidiu na última reunião antes da revolta, lendariamente realizada no Palácio dos Almadas, ao Rossio, avançar a acção para sábado, 1 de Dezembro de 1640. E que, “com o menor rumor que fosse possível, se achassem todos junto ao Paço, repartidos em vários postos, e que tanto que o relógio desse nove horas saíssem das carroças ao mesmo tempo”. Mais à frente, nesse mesmo dia, os conjurados, “impacientes, esperavam as nove horas, e como nunca o relógio lhes pareceu mais vagaroso, tanto que deu a primeira, sem aguardarem a última, arrebatados do generoso impulso saíram todos das carroças e avançaram ao Paço”. O resto, já se sabe. Portugal recuperou a independência, que tinha estado hipotecada a Espanha nos 60 anos anteriores. O relógio que deveria bater as nove horas era, possivelmente, o do Paço da Ribeira, com torre própria desde os tempos de D. Manuel I.
Outro relato coevo, a RELAÇÃO DE TUDO O QUE PASSOU NA FELICE ACLAMAÇÃO DO MUI ALTO E MUI PODEROSO REI DOM JOÃO O IV, NOSSO SENHOR cuja monarquia prospere Deus por largos anos, 1.ª edição de Lisboa, Oficina de Lourenço de Anveres, s. d. [1641]:
“Desde o domingo até a sexta-feira daquela venturosa semana se fizeram com grande
fervor e diligência infinitas preparações, ajuntaram-se as armas que para o efeito eram mais acomodadas, deu-se ponto aos amigos e parentes, e muitos convidavam para um empenho grande que sábado às nove horas da menhã haviam de ter no terreiro do Paço, sem declararem o que era. Não se passou noite nenhuma em que não houvesse junta em casa de João Pinto Ribeiro. Iam os fidalgos a ela com grande recato, porque importava já muito a dissimulação, e donde quer que a cada um deles lhe anoitecia, se apeava e, embuçados, entravam no Paço do duque, em cujas salas tudo era sombras e horror, e somente na casa mais oculta − que era aonde se fazia o conselho − estava ũa candeia tão desviada e com tão pouca luz que escassamente alumiava. […]
“Deu-se enfim o ponto para as nove horas da menhã, e deu-se ordem a todos para
que, poucos a poucos, por vários caminhos, se ajuntassem no terreiro do Paço, o que se fez com recato e boa disposição, que uns em coches, outros a cavalo, outros a pé se dividiram em troços por todo aquele espaço que há desd’ o Arco dos Pregos até o Arco do Ouro.[…]
Neste comenos deu o relógio do Paço nove horas, e como quando o fogo de ũa mina
atea na pólvora e saem num mesmo instante por várias aberturas da terra − em cópia larga,com medonho ímpeto − mil raios e mil despedaçados e abrasadores mármores, assi feros, assi terríveis e assi furiosos saíram num mesmo tempo alguns fidalgos dos coches, e logo foram em seu siguimento com a mesma deliberação os mais que, a cavalo, ou a pé, vinham para aquele efeito. Subiram todos intrépidos por ũa e outra escada do Paço, já com as armas prontas, e dispostos para ver a cara ao mais estupendo transe em que desde que hove guerras no mundo se viu o coração humano”.
Para saber mais sobre os marcadores de tempo colectivos na capital e a sua relação com os poderes religioso, político, económico e científico, desde a Reconquista até aos nossos dias, acaba de sair a obra Tempo e Poder em Lisboa – O Relógio do Arco da Rua Augusta, da autoria do jornalista e investigador Fernando Correia de Oliveira e do olissipógrafo José Sarmento de Matos. O livro está disponível ao público em exclusivo nas livrarias Bertrand e na própria editora , a Espiral do Tempo, por 19,50 euros.
Thursday, November 27, 2008
Meridiana do Paço da Rainha
O Palácio da Bemposta, conhecido por Paço da Rainha, foi mandado construir pela filha de D. João IV, D. Catarina de Bragança, viúva de Carlos II, Rei de Inglaterra, quando regressou a Portugal depois da morte do marido, em 1693. Como residência real, estava munida de uma meridiana, também ela com a função de dar o meio-dia solar verdadeiro e, assim, servir de controlo para acerto de relógios mecânicos. Hoje, o Palácio da Bemposta alberga a Academia Militar. Quanto a mais esta meridiana real, está no estado que se vê, ignorada, num parapeito ignoto.
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