Wednesday, December 9, 2009

A colecção da Ajuda ou o Tempo dos Braganças

Um dos principais temas do especial Focus Relógios, que hoje sai para as bancas, é a saga de poder dos Braganças, iniciada em 1640 e terminada em 1910, analisada à luz dos medidores de tempo que os foram acompanhando.

Aliás, uma das melhores colecções nacionais de relojoaria média, e que já foi da Família Real, encontra-se no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Estas e outras abordagens do Tempo e dos Relógios na maior edição de sempre deste título.

Monday, December 7, 2009

Focus Relógios 2009

Quarta-feira, 9 de Dezembro, nas bancas, especial Focus Relógios, a maior edição de sempre.

Thursday, October 22, 2009

Os 125 anos do Meridiano de Greenwich - achegas para o caso português

Longitude de Lisboa assinalada no chão, junto à linha do Meridiano Zero, no Observatório de Greenwich


Como já referimos aqui, a 22 de Outubro de 1884, há precisamente 125 anos, foi aprovado na Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington D. C., Estados Unidos. o meridiano de Greenwich como Meridiano de referência para todo o mundo.

A partir dessa altura, para os países que aceitassem a norma, a longitude 0° passaria pelo Observatório Real de Greenwich, nos arredores de Londres. Além disso, o globo passava a estar dividido em 24 "gomos", os fusos horários, com uma hora ou 15 graus cada um. Os fusos horários seriam contados positivamente para leste, e negativamente para oeste, até ao Meridiano de 180º - o Anti-Meridiano, situado no Oceano Pacífico, onde seria a Linha Internacional de Data.

Deve-se a Erástenes (276-196 AC) a base do sistema de coordenadas que ainda hoje se usa e que permite definir um lugar na superfície do globo, por uma latitude e por uma longitude. Se a questão da latitude sempre foi pacífica, medindo-se a partir dos zero graus do Equador, para norte e para sul, já a da longitude demorou muito mais tempo a padronizar-se.

No tempo dos Descobrimentos, para o desenho de cartas e portulanos, o conceito de meridiano zero era empregue com a sua localização naquele que passava pela ilha do Ferro, a mais ocidental do arquipélago das Canárias, daí resultado, por exemplo, o célebre Tratado de Tordesilhas. Mercator, em 1569, usou como meridiano zero as ilhas de Cabo Verde. No século XVIII proliferaram os meridianos zero, a partir de Londres, Paris, Madeira. O de Greenwich parece ter sido utilizado pela primeira vez numa carta editada em 1738.

Em Portugal, por essa altura, era considerado como meridiano zero o que passava pelo seu observatório astronómico principal. Então, era o que estava instalado no Castelo de São Jorge (e posteriormente o da Tapada da Ajuda). No Congresso Internacional de Geografia, em Antuérpia, em 1871, foi proposto o meridiano de Greenwich como referência internacional para a contagem da longitude (devido ao prestígio que atingira o observatório aí instalado).

No Congresso Internacional de Ciências Geográficas de 1881, em Veneza, foi formalmente pedido às nações para que se pronunciassem sobre o meridiano zero que achavam ser o mais lógico para si.

No ano seguinte, o Ministério português dos Negócios Estrangeiros remetia o assunto para a Sociedade de Geografia de Lisboa, para que se pronunciasse, “tendo em vista não só a questão da longitude, mas particularmente a das horas e datas”, como explica o relator da Secção Náutica da Sociedade, Ferreira de Almeida, no opúsculo A Questão do Meridiano Universal (1883). A Sociedade, por seu turno, decidiu “consultar catorze estabelecimentos e associações de sábios”. De todas elas, dez escolheram o meridiano de Greenwich, uma, o da ilha do Ferro, uma, o da ilha do Pico, e duas, um meridiano a determinar.

Em face deste resultado, a Sociedade de Geografia de Lisboa, em decisão de 16 de Março de 1883, assinada por Luciano Cordeiro, seu secretário perpétuo, votou pelo meridiano de Greenwich, como meridiano primário universal.

Em 1884, na conferência de Washington, fica oficiosamente determinado o meridiano zero como sendo o do observatório de Greenwich. Mas, a questão da escolha da localização do meridiano zero não era, como se calcula, pacífica, dadas as rivalidades entre as potências.
A Associação Comercial de Lisboa, que também tinha sido chamada a pronunciar-se (pois as relações comerciais e comunicações internacionais só podiam ter alguma lógica quando todos se entendessem sobre a padronização de hora e data), delegou o seu parecer na Sociedade de Geografia mas não deixou de dizer na nota emitida para o efeito: “A questão seria fácil de resolver se não fossem as susceptibilidades particulares [...]. Mas se aos diferentes povos que fazem uso de um primeiro meridiano nacional repugna adoptar um outro, só porque em vez de passar pelo seu território atravessa o de outra potência, onde se encontrará no mundo um ponto absolutamente neutro, seja cidade, observatório, pico, rocha ou cabo, que não esteja no domínio de uma nacionalidade qualquer, e que, por conseguinte, não dê argumento para levantar susceptibilidades?”

Portugal não aderiu em 1884 à Convenção de Washington, continuando a utilizar a hora solar média do meridiano de Lisboa, a qual diferia da hora de Greenwich em menos 36 minutos 44 segundos e 68 centésimos.

As instruções regulamentares de 1891 e 1892 relativas às horas e duração de serviço nas estações dependentes da Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, estabelecem que “ [...] a hora, em todas as estações, será a média oficial contada pelo meridiano do Real Observatório Astronómico de Lisboa; nas principais cidades do reino e em quaisquer pontos do país, quando a conveniência do serviço público aconselhar, serão estabelecidos postos cronométricos destinados a fazer conhecer a hora média oficial.” Assim, a hora oficial era transmitida diariamente do Observatório à estação central dos telégrafos de Lisboa e desta sucessivamente a todas as estações telegráficas do continente e ilhas adjacentes.

Só em 1911, pelo decreto-lei de 24 de Maio se subordinou a hora legal de todo o território português ao meridiano principal de referência, de acordo com a convenção de Washington.

A partir de 1 de Janeiro de 1912, todos os serviços públicos e particulares, possuidores de relógios internos e externos, passam a ser regulados e acertados pela hora legal estabelecida nos termos anteriores, cabendo-lhes o dever de tornar pública a informação horária. Foi nesta data que os relógios nacionais foram adiantados os tais 36 minutos 44 segundos e 68 centésimos, a diferença de tempo entre os meridianos de Greenwich e de Lisboa.

De notar que um dos primeiros testemunhos literários do tempo unificado, dos fusos horários, é A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne, obra escrita em 1873, antes da instituição internacional do sistema de fusos horários, que no entanto já se praticava no seio do Império Britânico.

Para saber mais: História do Tempo em Portugal - Elementos para uma História do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades em Portugal (2003)

Wednesday, October 21, 2009

Meridiano de Greenwich faz 125 anos

A 22 de Outubro de 2009 comemoram-se 125 anos do Meridiano Zero de Greenwich. Essa linha imaginária assinala a Longitude 0° 0' 0" e divide os hemisférios oriental e ocidental – assim como o Equador divide os hemisférios norte e sul (Latitude 0º 0’ 0’’).

Qualquer ponto da Terra pode localizar-se por essas duas coordenadas – longitude e latitude
O “dia universal” é medido a partir do Meridiano Zero.

Da Wikipedia:

O Meridiano de Greenwich é o meridiano que passa sobre a localidade de Greenwich (no Observatório Real, nos arredores de Londres, Reino Unido) e que, por convenção, divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. Foi estabelecido por Sir George Biddell Airy em 1851. Definido, por acordo internacional em 1884, como o primeiro meridiano, serve de referência para calcular distâncias em longitudes e estabelecer os fusos horários. Cada fuso horário corresponde a uma faixa de quinze graus de longitude de largura, sendo a hora de Greenwich chamada de Greenwich Mean Time (GMT).

O Meridiano de Greenwich atravessa dois continentes e sete países. (na Europa: Reino Unido, França e Espanha (como se vê nas fotos acima); e na África: Argélia, Mali, Burkina Faso e Gana). O seu antimeridiano é o meridiano 180, que coincide fugazmente com a irregular Linha Internacional de Data, cruza uma parte da Rússia no estreito de Bering e uma das ilhas do arquipélago de Fiji, no Oceano Pacífico.

Apesar da confusão em relação ao meridiano principal, já no ano de 1884 mais de dois terços dos navios usavam o Meridiano de Greenwich como referência de longitude. No mês de Outubro daquele ano, sob os auspícios de Chester A. Arthur, então presidente dos Estados Unidos, 41 delegados de 25 nações sencontraram-se em Washington, DC para a Conferência Internacional do Meridiano. Esta Conferência seleccionou o Meridiano de Greenwich como meridiano principal devido à sua popularidade. Votaram a favor do Meridiano de Greenwich o Império Austro-Húngaro, o Chile, a Colômbia, a Costa Rica, a Alemanha, o Reino Unido, a Guatemala, o Hawai, a Itália, o Japão, a Libéria, o México, os Países Baixos, o Paraguai, a Rússia, a Espanha, a Suécia, a Suíça e a Turquia. O Brasil e a França, todavia, abstiveram-se do voto (por várias décadas ainda, os mapas franceses permaneceram usando o Meridiano de Paris como meridiano zero) e a República Dominicana votou contra. Os representantes dos Estados Unidos, da Venezuela e de El Salvador faltaram à votação.

As zonas horárias ou fusos horários são cada uma das vinte e quatro áreas em que se divide a Terra e que seguem a mesma definição de tempo. O termo fuso refere-se a uma velha peça de relógio onde a corda se enrolava. Anteriormente, por volta de 1300 ou já antes, usava-se o tempo solar aparente, passagem meridiana do sol, de forma que a hora do meio do dia se diferenciava de uma cidade para outra. Os fusos horários corrigiram em parte o problema ao colocar os relógios de cada região no mesmo tempo solar médio.

A hora era uma característica extremamente local. Antigos viajantes, tinha que acertar o relógio toda a vez que chegavam a uma cidade nova. O acerto de horas era feito através do sol: o meio-dia representava o ponto mais alto que a estrela alcançava. Grande parte das empresas, devido a estas irregularidades resolveram fixar cem fusos dos caminhos-de-ferro. Esta prática ocorreu até 1883.

Na Grã-bretanha, foi criado uma única hora legal para todo o país (Inglaterra, Escócia e País de Gales), sendo o autor original desta ideia o Dr. William Hyde Wollaston. Com isto, a prática foi-se popularizando.

A Great Western Railway foi a primeira companhia de caminhos-de-ferro a utilizar a hora Greenwich Mean Time (GMT) ou Tempo Médio de Greenwich. Em 1847, praticamente todas utilizavam este sistema.

O senador do Canadá, Sanford Fleming, em 1878, sugeriu um sistema internacional de fusos horários. O seu pensamento era dividir a Terra em 24 faixas verticais, onde cada uma delas era um fuso de uma hora. O planeta possui 360° de circunferência, assim sendo, cada faixa teria 15° de largura longitudinal. Em 1879, o estudo foi publicado num jornal científico de Toronto. Com a aprovação norte-americana, em 18 de novembro de 1883, as linhas de caminhos-de-ferro passaram a utilizar os fusos.

Em 1884, foi realizado a Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington D. C., Estados Unidos. A proposta era padronizar a utilização mundial da hora legal. Acabou sendo aceito a teoria de Fleming. A longitude 0° passaria pelo Observatório Real de Greenwich. Os outros fusos seriam contados positivamente para leste, e negativamente para oeste, até ao Meridiano de 180º - o Anti-Meridiano, situado no Oceano Pacífico, onde seria a Linha Internacional de Data.


A questão em Portugal - O Meridiano Zero de Lisboa
Em princípios do séc. XIX e a par de outras nações europeias, Portugal adoptou o Tempo Solar Médio, que simplificou a definição da Hora Legal. Os Reais Observatórios Astronómicos da Marinha (Lisboa) e de Coimbra definiam a Hora Legal para a sua região de longitude. Funcionavam, assim, vários meridianos zero no país.

Legislação de 1878 estabelece que o Real Observatório Astronómico de Lisboa (OAL, criado em 1861, nas fotos acima, ao tempo da fundação e na actualidade) tem como objectivo "Fazer a transmissão telegráfica da hora oficial ás estações semafóricas e outros pontos do país". O OAL passa a funcionar como meridiano zero para todo o território nacional.

Só com a República Portugal adopta o sistema de fusos horários aprovado a 22 de Outubro de 1884 na Conferência de Washington. A partir de 1 de Janeiro de 1912, a Hora Legal em Portugal Continental foi adiantada de 36m 44s,68, ou seja a diferença de longitudes entre os meridianos do OAL e de Greenwich. (A longitude de Lisboa é de 9,11 graus Oeste).

O OAL continua a ser hoje o único emissor oficial da Hora Legal nacional e o relógio da Hora legal, ao Cais do Sodré, está finalmente, e desde o início de 2009, a dar o tempo correcto, mercê de uma ligação, via Internet, com o Observatório da Ajuda.
Para saber mais, História do Tempo em Portugal – Elementos para uma História do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades em Portugal (2003).

Thursday, August 13, 2009

Bugio

Chegado por e-mail:

«Caras(os) Amigas(os),

Creio que no último contacto que fiz convosco a propósito da Visita Guiada ao Forte e Farol de Bugio, antes da mesma, garanti que eu iria estar no Porto de Recreio a acompanhar o embarque e o desembarque e vos convidei a falarem comigo para conversarmos sobre a Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras, mas também porque eu pretendia conhecer a vossa opinião sobre a visita.
Por motivos alheios à minha vontade, e não foi a chuva, foi-me completamente impossível estar presente, apesar de às 7h30 ter tirado as nalgas da cama...
Deste facto, desta falha, apresento as minhas mais sinceras desculpas.

Espero que todos tenham conseguido ultrapassar as dificuldades que ocorreram com as inscrições, em especial nos últimos dias que antecederam a visita, e que todos tenham tido o grato prazer de finalmente realizarem a visita que, como muitos de vós me comunicaram, há anos desejavam fazer.

Os que o conseguiram terão certamente - apesar de com água por cima e por baixo... - terão certamente dizia, fruído aquele espaço e respirado a magia que nele reside.
Os outros, que possam ter ficado privados desse prazer e viram goradas as expectativas, não desesperem, pois a Espaço e Memória realiza esta visita todos os anos mais ou menos pela mesma altura (uma vez por ano), e para o próximo ano esperamos lá estar de novo. Mantenham-se atentos, por exemplo ao nosso blog , onde esta e outras iniciativas são anunciadas atempadamente.
Aqueles que se tornaram/tornarem associados, terão informação ainda mais cedo via email.

Estendo o convite da visita ao blog, para que aproveitem o post sobre o Bugio para deixarem os vossos testemunhos a propósito do mesmo na caixa de comentários, o que agradecemos antecipadamente.


José António Baptista
Secretário

Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras
Rua Professor Mota Pinto, Loja n.º 10,
Bairro do Pombal, 2780-275 Oeiras - Portugal
tel: +351 21 441 99 51
email: espacoememoria@gmail.com
url: http://espacoememoria.blogspot.com»

Monday, July 27, 2009

Roteiro da Ciência e da Técnica em Lisboa


O Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva acaba de comemorar 10 anos e, para assinalar a data, editou um roteiro, convidando a um deambular por Lisboa, à descoberta da Ciência e da Tecnologia.

São 14 propostas, para um olhar diferente sobre a cidade, sugerindo-se percursos a pé, para residentes e forasteiros. Quanto às áreas do Tempo, da Cosmologia à Gnomónica, sabe onde fica o Meridiano Zero da capital, que durante muitos anos marcou a Hora Oficial do país? Ou que a Esfera Armilar, representação ptolomaica do mundo, presente por toda a cidade, está muitas vezes mal construída, com a Banda do Zodíaco inclinada de menos? Ou que o relógio da Hora Legal, ao Cais do Sodré, está a cumprir finalmente a sua missão, dando a hora exacta ao público? E onde se podem encontrar exemplares de Relógios de Sol na capital?

Estas perguntas, bem como outras sobre os Jacarandás, o Estuário do Tejo, a Baixa Pombalina, os Eléctricos, os Chafarizes, o Grande Aterro, o Lioz, ou os Elevadores poderão ser respondidas, sempre com base científica, neste Roteiro do Pavilhão do Conhecimento. Até a Luz de Lisboa, essa realidade tão subjectiva de que todos falam, está aqui explicada cientificamente.


O Pavilhão do Conhecimento pretende editar mais Roteiros (em versões portuguesa e inglesa), dedicados agora aos Locais do Conhecimento, aos Sabores da Cidade, às Pedras e Colinas. Sempre vendo Lisboa de forma diferente do habitual, com os olhos da Técnica e da Ciência.

Thursday, July 23, 2009

Repara e restaura o património das horas

In Jornal de Notícias (23/7/2009)
JSANDRA BRAZINHA


«Relógio do arco da Rua Augusta está entre os muitos que Luís Cousinha já restaurou.

A construção de um relógio não representa qualquer mistério para Luís Cousinha. Foi bem cedo, aos 16 anos, que começou a aprender um ofício herdado do avô: restaurar e montar relógios de torre.

"A relojoaria mecânica, férrea ou monumental não tem nada a ver com os relógios de pulso", esclarece o relojoeiro, de 62 anos, que tem uma oficina na Marisol, Charneca de Caparica, em Almada.

A escolha foi feita logo após ter concluído o ensino secundário. Mesmo com outras opções, decidiu dar continuidade ao negócio da família. "O meu avô pediu-me para não deixar isto e eu, na altura, disse ao meu pai que abdicava de um curso superior. Não estou nada arrependido", confessa, recordando que antes do 25 de Abril a empresa familiar, com sede em Almada, tinha entre 12 a 15 empregados. "O curso que eu tenho é a vida e os ensinamentos que o meu avô me transmitiu e os técnicos que trabalhavam com ele", conta.

Para além de mecânica, há que perceber de serralharia, soldadura, carpintaria e pedraria. "Somos polivalentes. Fazemos o nosso serviço e o dos outros. Já cheguei a abrir roços nas paredes. É muito duro", realça, mostrando-se orgulhoso, porém, por conhecer o país de lés a lés.

A relojoaria mecânica é tanto exaustiva como benfeitora. "Isto dá um trabalho dos diabos, mas tudo montado fica realmente uma peça bonita", enaltece Luís Cousinha, cujos filhos não se sentiram atraídos pelo ofício.

"A profissão está em vias de extinção. Como eu, devem haver uns dois ou três no máximo", refere Cousinha, que entre os seus dois colaboradores já tem um seguidor, um jovem de 22 anos com quem trabalha há três anos. "Vai fazer carreira mesmo e no final do ano vou enviá-lo para um curso de relojoaria para adquirir cultura geral, porque para relojoaria mecânica não há cursos nem mercado", diz.

Apesar de hoje em dia grande parte dos relógios de torre funcionar autonomamente com mecanismos computorizados, o trabalho não falta a este homem. As encomendas que recebe anualmente não são, contudo, suficientes para que dedique todo o tempo à restauração de artigos que considera um património. "Não há nenhuma firma que possa viver fazendo cerca de três restauros por ano", queixa-se, dizendo trabalhar ainda em relojoaria computorizada e na área da informática.

"Há muita gente que não considera isto património. Mas ainda temos no país determinadas pessoas com responsabilidades a nível local que se interessam por estas coisas", salienta. Por restaurar, Luís Cousinha tem um relógio de Vila de Frades, Vidigueira, e um outro de Salva Terra do Extremo, Idanha-a-Nova.

Este relojoeiro, responsável pelo restauro do relógio do arco da Rua Augusta, em Lisboa, irá recuperar ainda este ano os relógios de torre do antigo edifício dos Paços do Concelho de Almada e da Base Naval do Alfeite.

Os restauros, que custam entre 2500 a 3000 euros, demoram em média sete meses, mas durante um ano é sempre necessário fazer rectificações. Já um relógio de torre novo pode atingir os 100 mil euros. "Eu era capaz de fazer um relógio, porque tenho moldes de todas as peças. Demorava um ano, mas fazia-o de raiz", garante Luís Cousinha.»

...

O problema, Sr. Couzinha, é que o relógio do Arco da Rua Augusta está sistematicamente parado ou com as horas trocadas. Ou seja, NÃO ESTÁ REPARADO. Ou seja, ainda, foi dinheiro deitado ao lixo.

Monday, July 20, 2009

Apareceu terceiro Horas Universais de Veríssimo Alves Pereira

Até agora, sabia-se de três relógios de Horas Universais concebidos e fabricados por uma figura fascinante da Indústria e da Técnica do séc. XIX português: Veríssimo Alves Pereira. Mas só se conhecia o paradeiro de dois.

Apareceu recentemente um novo exemplar. Está tudo em
http://estacaochronographica.blogspot.com/

Friday, July 17, 2009

Chegado por e-mail:







Sr. Paulo Ferrero

Tenho o prazer de enviar-lhe algumas fotos do relógio monumental de torre que construí para o quartel general de Évora, por encomenda do Sr. general Vaz Antunes. Iniciei os trabalhos em Janeiro e terminei agora em fins de Junho. Está já a funcionar e em finalização de eferimento horário. A armação, ou gaiola, foi aproveitada de um antigo relógio ali existente, cujas peças desapareceram. Todo o projecto e construção de peças da actual máquina foi de minha inteira e exclusiva autoria.

foto 018 - vista da máquina em finais da construção
foto 019 - idem
foto 05 - já terminado em oficina
foto 012 - pormenor do mostrador de serviço
foto 016 - já colocado e a funcionar no CID do Exército em Évora


Com os meus melhores cumprimentos

Hermínio de Freitas Nunes

Saturday, July 11, 2009

Viagem pela relojoaria da colecção real

A italiana Maria Pia de Bragança (1847-1911), mulher de D. Luís, é a grande responsável pela colecção de relógios da Casa Real portuguesa. Com o advento da República, todos os que foram considerados objectos pessoais foram devolvidos aos Bragança, enquanto os que foram considerados pertença do Estado ficaram espalhados pelas várias residências reais. O acervo mais importante, cerca de 80 peças, encontra-se no Palácio da Ajuda. Cronologicamente, a colecção pode balizar-se entre os finais do século XVII e os últimos anos do século XIX, entre relógios de sala, de secretária, de bolso, de transporte ou jóias e adereços. Há ainda um núcleo de relógios de sol e bússolas.

No sábado, 18 de Julho, a partir das 15h00, há uma visita guiada pelo conjunto de peças do palácio. Mais informações e inscrições em www.clubedosentas.com/, por email - eventos@clubedosentas.com ou pelo telefone: 96 0055526 ou 91 2839833

Tuesday, July 7, 2009

Relógio de sol / âncora de Belém poderá vir a ser dentro em breve recuperado

É um dos mistérios com que os turistas se debatem, na Praça do Império, em frente aos Jerónimos, em Lisboa: para que serve aquela âncora ali especada, no meio da relva? Será escultura? Será arqueologia industrial? Não. A âncora é o gnómon (ponteiro) de um relógio de sol, que só está completo se no chão estiverem traçados os segmentos correspondentes às horas do dia. Esse era aliás o aspecto original, quando este relógio de sol foi feito, no contexto da Exposição do Mundo Português, em 1940. Hoje, a relva está toda por igual, mas originalmente ela fazia efeitos, entre o claro e o escuro, em segmentos, podendo assim ler-se as horas. Sabemos que o Pavilhão do Conhecimento, no âmbito do programa Ciência Viva, está a negociar com a Câmara a maneira de voltar a ter a relva a funcionar como um verdadeiro quadrante (mostrador). Esperemos que a parceria funcione e, finalmente, ao fim de décadas, a âncora volte a dar horas com a sua sombra.

Tuesday, June 23, 2009

Relógio de sol

Um dos poucos relógios de sol de que Lisboa dispõe. Sabe onde se encontra? Como se vê, o quadrante teve que ser alinhado para Norte através de uma cunha que foi feita na parede. O relógio marcava sábado último praticamente o meio-dia quando a foto foi tirada (cerca das 13h25 Hora Legal). Este como outros relógios de sol serviam para acertar os relógios mecânicos, exactamente ao meio-dia do chamado "tempo solar verdadeiro", até praticamente ao final do século XIX. Nessa altura ainda o Tempo era essencialmente local, ainda se não tinha a noção colectiva de "tempo solar médio" (o dia não tem, ao longo do ano, exacatamente 24 horas, variando grosso modo entre mais 16 minutos e menos 14 minutos, a chamada Equação do Tempo). Nem de "tempo nacional", emitido pelo Meridiano Zero de convenção, que foi primeiro o de Lisboa, o que passa pelo Observatório da Ajuda. Nem o de "fuso horário", quando Portugal passou a estar no sistema universal e o meridiano zero passou a ser o de Greenwich, mas só em 1912. Pois, para ler um relógio de sol, é fácil, desde que queira obter o "tempo solar verdadeiro" do lugar onde se encontra. A coisa complica-se se quiser saber a Hora Legal - terá que saber a Equação do Tempo para esse dia, fazendo o desconto. Depois, terá que saber a Longitude de Lisboa, para fazer outro desconto, atendendo ao fuso horário onde se encontra. E, finalmente, terá que saber se está a vigorar a Hora de Verão (mais uma do que a solar média) ou a de Inverno (a que se aproxima mais da hora solar). E agora, de novo à carga? onde está este relógio de sol? Pois está na Sé.

Friday, June 12, 2009

Para os que seguem o Tempo

Para os que se interessam pelo Tempo, em toda a sua multidisciplinariedade, Estação Chronographica é um apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente.

Friday, May 29, 2009

Também chegado por e-mail:

boa tarde

como posso adquirir o livro Anuário Relógios e Canetas 2009 .

Sem mais no momento


José carlos

Chegado por e-mail:


Caros amigos, como funcionava a leitura deste "relogio horizontal" ?
Bom fim de semana
Ralf

Relógia do Arco da Rua Augusta não acerta uma


É realmente um país do faz-de-conta. Fala-se do Terreiro do Paço. Fala-se das comemorações disto e daquilo. E o Arco da Rua Augusta está em estado deplorável. E, pior, o relógio continua a não acertar uma. Há pouco, estava parado nas 6h30 quando já se eram 9h. Ou seja, espatifaram-me uns largos milhares em um pseudo-arranjo, mas nem por isso se deixou de deitar foguetes pelo facto. Passados uns meses, relógio na mesma.

Já pode acertar o seu relógio



A cinco anos de perfazer um século de existência, depois de um arranque periclitante, de atribulações e modificações, de abandono durante décadas e quase extinção no início do século XXI, o edifício da Hora Legal, ao Cais do Sodré, volta a servir para aquilo que foi criado - emitir o Tempo Oficial português, a partir da única autoridade habilitada para o efeito, o Observatório Astronómico de Lisboa.

Thursday, May 28, 2009

Exposição de relojoaria em Évora


A partir de hoje, e até Domingo decorre no Hotel M'Ar de Ar, no centro histórico de Évora, uma exposição organizada com parte do acervo do Museu do Relógio de Serpa. Subordinada ao tema "200
Anos de Relógios Mecânicos: 1800-2000", a exposição mostra peças de bolso e de pulso, desde as mais rústicas "cebolas" aos mais sofisticados modelos. A exposição funciona das 14h00 às 23h00 e conta com a presença de funcionários do Museu, que poderão explicar a história das peças ou informar sobre os seus serviços de manutenção e restauro.

Thursday, May 21, 2009

Os relógios de João Vaz de Carvalho





João Vaz de Carvalho tem um mundo muito especial, feito de côr e riso. Este pintor natural do Fundão, mas radicado há muitos anos em Lisboa, tem mantido presente na sua obra uma série de relógios - não são inventados, são máquinas do tempo que lhe povoam a habitação e o quotidiano. É dos poucos artistas portugueses que conheço que mantém com o Tempo uma relação iconográfica perene. Que pode ter uma leitura imediata, infantil (talvez a que mais lhe agrada), ou uma leitura mais elaborada, cheia de ironia e segundos sentidos. Alguns exemplos da sua produção mais recente (que inclui outras temáticas, claro) podem ser vistos na Galeria Trema, ao Príncipe Real, em Lisboa, a partir de Sábado e até 20 de Junho.

Sunday, May 17, 2009

O mais antigo relógio de sol em madeira até agora encontrado em Portugal




É um pequeno objecto em madeira, de 4,5 x 4 cm. Foi encontrado no final do século passado em trabalhos arqueológicos no Largo do Corpo Santo, na Lisboa ribeirinha. Mas só agora foi por nós identificado – trata-se da base de um relógio de sol portátil, o mais antigo do seu género de que há conhecimento no país.
Esta meridiana, nome por que é conhecido o tipo de relógio de sol em causa, chegou aos nossos dias com a madeira praticamente intacta porque esteve durante mais de 500 anos debaixo de água.
Está incompleta, já que lhe falta, no centro, uma bússola (material ferroso rapidamente deteriorado). E, para completar o conjunto, havia também uma tampa, de que ainda há na base os sinais de ligação. Essa tampa deveria ser também em madeira, e serviria para gravar no interior uma tabela com nomes das cidades mais importantes da Europa, com as respectivas latitudes. Um fio, preso à tampa e a um ponto da base (de que há também vestígios no objecto achado) serve neste tipo de relógios como gnómon, para projectar a sombra do Sol.
A base, cujo centro escavado servia de assentamento para a bússola, tem gravados algarismos árabes, vendo-se claramente, da esquerda para a direita, o “0” de 10, e depois “11”, “12”, “1”, 2”, “3”, “6”, “8” e “9”. Os números “4” e “7” estão escritos de forma hesitante, demonstrando a antiguidade do objecto. Os algarismos árabes, incluindo o “zero”, foram introduzidos na Europa científica a partir de Itália, no século XII, por Leonardo Fibonacci, mas só lentamente começaram a substituir a grafia da numeração romana no quotidiano ocidental. A base da meridiana em madeira encontrada no Corpo Santo ainda apresenta uma grafia não fixada dos algarismos árabes. “Apesar de os algarismos árabes terem sido usados ocasionalmente pelos europeus desde o século XIV, só no princípio do século XVII começou a generalizar-se na Europa, incluindo Portugal”, refere-nos o matemático Nuno Crato. Isto poderá significar que a meridiana do Corpo Santo terá vindo de Itália, como o material cerâmico encontrado no local.
No quadrante da meridiana encontram-se ainda marcações que deverão indicar pontos de acerto deste relógio de sol portátil. Depois de achado o Norte, através da bússola, o utilizador deveria acertar o objecto para o local onde se encontrava, mediante a latitude que sabia ou que iria consultar na tabela da tampa.
Os relógios de sol foram introduzidos na Península Ibérica pelos romanos, havendo alguns exemplares encontrados no território português. Depois disso há um enorme hiato, durante as ocupações bárbara e islâmica, não se tendo encontrado até hoje qualquer exemplar desses períodos. O relógio de sol volta a aparecer no período românico, adjacente a mosteiros e igrejas. Mas nunca como relógio de sol portátil. A meridiana do Corpo Santo, possivelmente datada do início do século XV, é pois o mais antigo relógio de sol portátil encontrado até hoje no país.
A escavação do Largo do Corpo Santo, dirigida por Clementino Amaro, e com os arqueólogos Ana Vale e João Marques, foi efectuada devido à necessidade de construir um poço de ventilação para o Metropolitano de Lisboa. A área a escavar correspondia a uma circunferência, com cerca de 15 m de diâmetro, no canto nordeste do parque de estacionamento, encostado ao edifício da Marinha.
Os trabalhos arqueológicos no Largo do Corpo Santo, em Lisboa, iniciaram-se em Janeiro de 1996. Imediatamente sob a superfície foram detectadas as estruturas pertencentes às oficinas de serralharia do Arsenal da Marinha, destruídas já neste século, para a construção do parque de estacionamento. Depois de liberta a área de escavação destas estruturas recentes, começaram a aparecer pavimentos e paredes pertencentes ao Palácio dos Côrte-real, cuja edificação data de 1585. A escavação sob os pavimentos revelou que estes assentavam num grande aterro onde abundam os óxidos de ferro e cinzas, possivelmente provenientes das ferrarias aí instaladas no início do século XVI. Teriam sido eventualmente danificadas pelos terramotos de 1531 e 1551 que, segundo os relatos, atingiram duramente a zona ribeirinha de Lisboa. Os seus despojos terão sido utilizados para criar um aterro sobre a praia, destinado à construção do novo e grandioso palácio de D. Cristóvão de Moura, casado com D. Margarida de Côrte-real. O Palácio dos Côrte-real, também conhecido como Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo, sofreu um incêndio em 1751, ficando irrecuperável com o terramoto de 1755.
O material escavado no aterro inclui algumas peças de qualidade excepcional, como as primeiras majólicas importadas do centro de Itália, remontando a sua cronologia ao séc.XV e XVI. A meridiana em madeira foi recolhida num nível junto à praia, ou seja, na base do aterro referido, podendo assim datar-se do final do século XV.


in Cronos - Pilares do Tempo, suplemento saído com o Público de 16 de Maio