
relógio; do latim horologium < Gr. horológion < hóra, hora + légo, dizer. s. m., instrumento para marcar as horas, os minutos, etc. de entre eles, apenas nos interessam os relógios históricos e entre eles os mecânicos e os de sol, já que dos astronómicos nem vê-los por cá. em Lisboa o panorama é mau, pelo estado de abandono, uns, pela ignorância e desprezo com que são tratados, outros. vamos dar tempo ao tempo e ver se chegamos a horas para alguns deles.
A cidade e os seus marcadores colectivos de tempo, ao longo da História.
Exmo. Senhor,


Que espera a multidão
com este frio,
plantada ali defronte à estação
do Rossio?
Nada que justifique uma pneumonia...
Nada, afinal, para que assim se afoite:
- Espera apenas o fim de mais um dia,
quando o relógio marque a meia-noite.
Só há que o fim do dia por que espera
é, simultaneamente, o fim de um desengano
e o princípio de mais uma quimera
que, para muitos, vai durar um ano...
E a multidão - que vive o seu presente
em sonhos sem tom nem som -
está de nariz no ar, ansiosamente
à espera do Ano-Bom!
Espera, como quem espera
depois da fome, o pão;
depois do Inverno, a Primavera;
no tribunal - a salvação!
E quando, enfim, se cruzam os ponteiros
e a meia-noite soa,
o delírio electrisa os mais ordeiros
e sai fora de si o povo de Lisboa!...
O chinfrim ensurdece
e dir-se-ia que tudo se conhece,
tantos são
os abraços que se dão!
Soltam-se vivas, gargalhadas, gritos!
Bate-se em latas, tachos, caçarolas!
Tocam-se gaitas, sopram-se apitos
e dizem-se graçolas!...
Mas passada a vertigem de balburdia
da eterna farça da passagem do ano
- sobre a cidade em esturdia
cai o pano!
A vida, como sempre, continua
nem melhor nem pior: - tal qual o que era.
E a multidão dispersa, rua em rua,
mas... não desiste de ficar à espera!
Silva Tavares (1893-1964), in Calendário de Lisboa

Há cerca de 2400 anos, o mestre daoista Zhuangzi (庄子, 370-301 a.C.) contava aos seus discípulos a seguinte parábola:
Certo homem vivia perturbado ao observar a própria sombra e as pegadas que deixava, que considerava grilhões à sua liberdade. Por isso, decidiu livrar-se delas. Começou a correr, mas sempre que colocava um pé no chão, lá aparecia uma nova pegada, enquanto a sombra o acompanhava sem a menor dificuldade, por maior que fosse a velocidade a que corria. Julgou que não estava a andar depressa o suficiente, pelo que aumentou a velocidade da corrida. Até que caiu por terra, morto.
O erro, concluiu Zhuangzi, foi o facto de ele não ter percebido que, se fosse para um lugar sombrio, a sua própria sombra desapareceria; e se tivesse ficado parado, as suas pegadas deixariam de aparecer.
Com votos de um 2010 à medida das suas expectativas, alguns dados que lhe poderão ser úteis:
ERAS CRONOLÓGICAS EM 2010*
ESTAÇÕES
ECLIPSES
Em 2010 há um eclipse anular e outro total do Sol, respectivamente a 15 de Janeiro e 11 de Julho, mas ambos os fenómenos não serão avistados de Portugal.
*Com base nos dados do Observatório Astronómico de Lisboa e do Calendário Celebração do Tempo 2010 (edições Paulinas)




Um dos principais temas do especial Focus Relógios, que hoje sai para as bancas, é a saga de poder dos Braganças, iniciada em 1640 e terminada em 1910, analisada à luz dos medidores de tempo que os foram acompanhando.
Longitude de Lisboa assinalada no chão, junto à linha do Meridiano Zero, no Observatório de Greenwich
A 22 de Outubro de 2009 comemoram-se 125 anos do Meridiano Zero de Greenwich. Essa linha imaginária assinala a Longitude 0° 0' 0" e divide os hemisférios oriental e ocidental – assim como o Equador divide os hemisférios norte e sul (Latitude 0º 0’ 0’’).
O Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva acaba de comemorar 10 anos e, para assinalar a data, editou um roteiro, convidando a um deambular por Lisboa, à descoberta da Ciência e da Tecnologia.