Sunday, January 30, 2011

Lisboa fora de horas

Notícia no Cidades, Público de 30 de Janeiro de 2011:

Relógios públicos de Lisboa andam ao deus-dará

Mais de metade dos relógios públicos antigos de Lisboa estão parados. Quem o diz é o investigador do tempo Fernando Correia de Oliveira, que atribui o abandono a que muitas destas peças históricas estão votadas à relação "doentia" que os portugueses têm com o tempo.

Por Ana Henriques (texto) e Miguel Manso (fotografia)

Fernando Correia de Oliveira, investigador da história do tempo e da relojoaria, aponta o mecanismo da Torre do Galo, na Ajuda, como um exemplo do abandono a que estão votados os relógios públicos antigos de Lisboa. Pormenor: a torre barroca encimada por um catavento em forma de galo fica a uma escassa centena de metros do Palácio da Ajuda, sede do Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) e do Ministério da Cultura. Visto de fora, o edifício de pedra com mostradores em todas as faces parece simplesmente por recuperar.

O especialista explica no entanto que, no interior da torre, o mecanismo de ferro do relógio está ligado a um complexo sistema de carrilhões assente em estrados de madeira que podem desmoronar-se a qualquer momento, até porque houve aqui um incêndio há algumas décadas. Trata-se de um dos exemplares mais interessantes da relojoaria grossa nacional, observa, fabricado por um exímio mestre relojoeiro do Convento de Mafra no séc. XVIII, José da Silva. Fazia parte da Real Barraca, as instalações em madeira que D. José mandou fazer depois de o terramoto de 1755 o ter feito fugir da zona do Terreiro do Paço. O estado a que chegou "é chocante", diz Fernando Correia de Oliveira.

Igualmente preocupante é a situação dos relógios públicos existentes nos hospitais do centro de Lisboa que irão ser desmantelados. O desconhecimento do seu valor pode ditar a destruição. O especialista fala de um pequeno carrilhão ao abandono no Hospital de S. José, que não está sequer à vista, e num relógio com sino numa torre num pátio no Hospital dos Capuchos: "Este património desconhecido pode ir todo parar ao lixo." Outro perdeu-se para sempre, como os relógios florais da rotunda do aeroporto. "Um dizia "bem vindo" e outro "boa viagem". Foi tudo destruído."

"Há uma insensibilidade e um desprezo quase total dos poderes públicos perante estas questões", descreve. O facto de os técnicos do património terem uma formação habitualmente ligada apenas à história da arte pode ajudar a explicar o desinteresse. "Toda a Europa estima os seus relógios; são considerados património colectivo." Mesmo mostradores de madeira pintada existentes em países com climas bem mais rigorosos que o português, como a Alemanha, são mantidos em condições, prossegue. A que se deve a atitude nacional? "É o nosso desmazelo e a nossa má relação com o tempo exacto, a que não damos valor." Mesmo instituições que dantes mantinham as suas máquinas a funcionar de forma irrepreensível, como os Correios, já não têm o mesmo cuidado. Que o diga o relógio da estação da Praça D. Luís, junto ao mercado da Ribeira. O mostrador amarelado e os ponteiros parados no tempo desfiguram a solenidade do torreão em que mora desde os anos 50. Não está sozinho no seu infortúnio: no vizinho Largo de S. Paulo, um dos mostradores da igreja já nem ponteiros tem.

A CP é das poucas entidades que continuam a manter bons padrões de funcionamento, nota Fernando Correia de Oliveira. Por vezes, os mecanismos foram retirados dos seus lugares originais e colocados nos núcleos museológicos que a empresa tem espalhados pelo país. A Fundação Portuguesa das Comunicações podia fazer algo de semelhante com o espólio dos antigos CTT, Marconi e TLP que tem armazenado, sugere. Em vez de o ter depositado nos armazéns, longe da vista do público, poderia aproveitar os diferentes relógios que tem para criar um núcleo museológico do tempo.

Um pouco adiante, o fracasso do restauro do relógio do Arco da Rua Augusta é exemplar de como, mesmo havendo um mecenas, um processo que tinha quase tudo para correr bem pode emperrar. O relógio do arco marca agora a hora certa. Por quanto tempo? É impossível saber. Ainda há cinco dias estava parado. As oscilações de humor duram-lhe desde 2007, altura em que a Torres Joalheiros empreendeu uma missão de mecenato com a marca de alta relojoaria Jaeger-LeCoultre para financiar o restauro desta e doutras peças notáveis de Lisboa há muito adormecidas. A reentrada em funcionamento de um mecanismo que se encontrava parado há anos foi feita numa cerimónia que contou com a presença da ministra da Cultura e de vários outros responsáveis pelo património - o que não impediu que, escassos dias mais tarde, o mostrador já registasse um atraso de dez minutos. Mais de três anos e de 36 mil euros depois, valor da verba paga pelos mecenas, o problema não está resolvido. O mestre relojoeiro que consertou o maquinismo - produzido pelo seu avô no final da década de 1930 para substituir o original, que tinha deficiências de funcionamento - chegou a queixar-se de que o Igespar nem sempre lhe facultava a chave que lhe permitia aceder ao arco para fazer a manutenção regular do aparelho. Em relógios mecânicos, como é o caso, e ainda por cima numa zona de alguma humidade por causa da proximidade do rio, os pequenos acertos periódicos feitos pelo relojoeiro são indispensáveis. O peso dos ponteiros de um sistema desta dimensão também contribui para os desacertos. A estes desentendimentos somaram-se os danos provocados pelas obras que o Estado resolveu a seguir fazer no edifício, com o intuito de o abrir de forma permanente ao público - o que, apesar de estar previsto no protocolo com a Torres, nunca sucedeu até hoje. "O relógio ficou num estado deplorável por causa da poeira resultante da limpeza da pedra", recorda Paulo Costa Dias, da empresa benemérita. Seguiu-se nova reparação. A Torres disponibilizou-se para patrocinar o restauro de mais dois relógios monumentais, o da Sé e o do Mosteiro de S. Vicente de Fora. "Mas sentimo-nos menos motivados depois do falhanço da Rua Augusta", admite o mesmo responsável, que continua à espera que o relógio volte a trabalhar em condições para avançar para mais mecenatos.

Talvez não seja fácil. "Este relógio nunca funcionou bem", diz Fernando Correia de Oliveira. E revela um segredo bem guardado: durante a II Guerra o relógio foi munido com um sistema de sirenes, que avisariam os habitantes caso Lisboa viesse a ser bombardeada.

Paulo Costa Dias diz que os problemas estruturais do edifício da Sé são outro obstáculo ao restauro daquele que é o primeiro relógio público de Lisboa, e que está igualmente parado. Com um único ponteiro, o das horas, não era máquina de grande precisão, mas na Idade Média isso também não tinha grande importância. Inicialmente nem sequer tinha mostrador. "Não era para mostrar as horas, era para as bater, com os sinos", explica Fernando Correia de Oliveira. Era através dele que mouros e judeus sabiam que era altura de recolherem aos seus bairros, cujas portas se fechavam às 18h para só reabrirem às 7h do dia seguinte. O investigador chama a atenção para um pequeno quadrado que está a meio da torre da Sé. Passa quase despercebido, até porque a numeração já se encontra apagada, mas é um relógio de sol. Era por ele que na Sé se acertava o mecanismo dos carrilhões.

E quem quiser saber as horas mesmo certinhas é ir ao Cais do Sodré. Na esquina das agências europeias, o relógio da hora legal transmite o tempo oficial emitido pela única entidade habilitada para o fazer - o Observatório Astronómico da Ajuda (através de um "diálogo" entre computadores, um instalado na Tapada da Ajuda, outro na guarita do Cais do Sodré). "Ao fim de muitos anos e também de muitas peripécias, parece que finalmente o relógio está a servir para o que foi criado. É só pena não ter ponteiro dos segundos", diz Fernando Correia de Oliveira.

O PÚBLICO tentou obter junto de diversas entidades explicações para a existência de tantos relógios mortos cidade fora. Os Correios de Portugal dizem que não há nada a fazer no caso da Praça D. Luís. "O relógio está avariado e não tem arranjo.Há dois anos que sabemos isso", refere o assessor de imprensa dos CTT, Fernando Marante.

Já o Igespar remeteu todas as explicações para a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, que não conseguiu responder em tempo útil. Questionada sobre se o instituto tem nos seus quadros pessoal especializado neste tipo de património, a sua porta-voz, Maria Resende, respondeu: "Não tem nem tinha que ter, na medida em que, sempre que se torna necessário, recorre a outras entidades com técnicos na área em questão."

Fernando Correia de Oliveira lamenta a falta de especialistas na reparação da relojoaria grossa. A meia dúzia que ainda existe fá-lo por tradição familiar ou vem da Marinha, instituição onde os cronómetros nunca deixaram morrer este ofício. Pelas suas contas, mais de metade dos relógios públicos antigos de Lisboa estão parados.

Friday, January 28, 2011

Estado desastroso da relojoaria pública em Lisboa, domingo no Público

O estado de calamidade que atingiu a relojoaria pública na capital - os relógios estão quase todos parados, ao abandono - é tema de reportagem na edição de domingo no Público. Na imagem, a Torre do Galo, na Ajuda, onde um raro relógio do século XVIII, de fabrico nacional, está em risco de se perder.

Wednesday, January 26, 2011

E continua a trabalhar e CERTO!


Desde há dias a funcionar certo, é caso de espanto e agradecimento. Hossana nas alturas! Até quando?

Wednesday, January 19, 2011

E continua a trabalhar mas ...

Vinte minutos atrasado. Em que ficamos? Já chega desta novela caricata do Relógio do Arco da Rua Augusta!

Tuesday, December 28, 2010

E volta a trabalhar e apenas 3 minutos adiantado...


Será que 2011 vai ser o ano em que não vai parar, o primeiro em muitos anos? E será que é desta que sala do relógio passa a estar de portas abertas ao público, permanentemente, apesar das queixinhas de quem se recusa a subir e a descer as escadas? Oxalá.

Friday, December 10, 2010

Anuário dos Relógios & Canetas - edição 2011 já nas bancas

O Anuário dos Relógios & Canetas 2011 está a partir de agora nas bancas.

Monday, December 6, 2010

Sol de pouca dura ...

Pois é, o relógio do Arco da Rua Augusta, embora funcionando, já está penosamente atrasado em cerca de 10 minutos. Uma novela, portanto. Cenas dos próximos capítulos?

Thursday, November 25, 2010

Está a trabalhar e à hora


Desde há uns dias a esta parte que, para grande espanto meu, os ponteiros do relógio do arco da Rua Augusta estão mais ou menos certos. E, cúmulo dos cúmulos, não é que tive a impressão de ouvir o sino tocar uma vez quando bateram as 9h30? A ver se é desta que temos um relógio a trabalhar em condições. A ver e ouvir...


Foto

Tuesday, October 12, 2010

O Relógio da República

No Centenário da República, uma viagem, do Tiro da Politécnica aos tiros do Adamastor.

O Relógio da República procura identificar e contextualizar quais as mudanças estruturais que o novo regime trouxe, há cem aos, ao quotidiano do tempo nacional. Duas, essencialmente – a adesão ao sistema internacional de Fusos Horários, por um lado; a introdução do regime de Hora de Verão e de Hora de Inverno, por outro.

Pelo meio, ficam personagens que ditaram os últimos dias da Monarquia em termos de tempo colectivo – os relojoeiros Veríssimo Alves Pereira e Augusto Justiniano de Araújo; ou marcadores de tempo como o Balão do Arsenal ou o Tiro da Politécnica.

Ou ainda figuras revolucionárias, como um jovem relojoeiro suíço, Giuseppe Fontana, que trouxe para Portugal o ideário socialista, a visão cooperativa das comunidades de relojoeiros da sua terra natal. Ou Mendes Cabeçadas, que comandou a partir do Adamastor, e coordenando-se pelo seu relógio de bolso, os tiros decisivos contra o Palácio das Necessidades, a 4 de Outubro de 1910.

Do novo regime, saía reforçado o papel do Observatório Astronómico de Lisboa como emissor único do tempo oficial português ou a implantação do Relógio da Hora Legal, ao Cais do Sodré.

O Relógio da República, de Fernando Correia de Oliveira
Editora Âncora
Apoio Longines e Tempus Internacional
PVP: 14,50 €

Monday, September 6, 2010

Relógio do Arco volta a ter ponteiros

Parado, claro, mas já tem de volta os seus ponteiros, ao que parecem limpos dos kg de detritos que lhes estavam agarrados.

Sunday, July 18, 2010

Arco da Rua Augusta abre ao público em Agosto

Segundo informações de fonte próxima da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, o Arco da Rua Augusta deverá reabrir ao público em Agosto. Mais pormenores, aqui.

Thursday, July 15, 2010

Ainda sobre o relógio do Arco da Rua Augusta:

Prezado Hermínio,

É sempre uma satisfação receber o seu e-mail com novidades.
Sinto apenas por este último que não foi portador de boas noticias sobre o relógio histórico de Lisboa.
Realmente é triste que elementos que ajudam a contar a história de um povo estejam sendo banalizados.
Infelizmente aqui esse tipo de ação também acontece. (Sempre imaginei que na Europa era diferente...)
Pessoas sem escrúpulos e “empresas” sem o menor interesse histórico e sobretudo preparo técnico são contratadas para o serviço de restauro de peças valiosas.
Deveria existir uma avaliação melhor por parte dos órgãos responsáveis pela conservação de bens históricos, sobre quais os profissionais mais indicados para executar as restaurações.
Uma avaliação séria do profissional poderia ser feita através das obras que este realizou durante a sua caminhada profissional e não apenas pelo orçamento apresentado.
Outro aspecto que não é levado em conta é que as pessoas que participam destes órgãos deveriam ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto a que pretendem opinar. Um bom exemplo disso que estou falando está neste caso do relógio de Lisboa. Se a pessoa ou grupo responsável por contratar o serviço de um relojoeiro conhecesse um pouco sobre o funcionamento de um relógio de torre, saberia que o dito “profissional relojoeiro” não poderia nunca argumentar peso excessivo dos ponteiros para simplesmente substituí-los. Ora, os ponteiros foram projetados para esse tipo de relógio desde o início e portanto não ficaram mais pesados com o passar do tempo...sem falar que visivelmente em outra fotografia observa-se os contra pesos dos ponteiros, algo justamente projetado para (falando em uma linguagem simples)“facilitar” o funcionamento do mecanismo.
Outro ponto que aconteceu neste seu caso mas que é bem comum aqui no Brasil, é o argumento que muitos dos “profissionais relojoeiros” falam com a “boca cheia” de que o relógio da torre não funciona pois “os pesos estão muito leves” Outro absurdo!
Já restaurei máquinas de relógio de torre onde foi necessário refazer várias engrenagens que possuíam dentes todos gastos devido ao excesso de peso que foi acrescentado para “forçar” o funcionamento do relógio, fora todo o tipo de sujidade que foi simplesmente ignorada pelo “profissional relojoeiro”. O pior dessa história é que o responsável pela peripécia, por incrível que pareça, ficou famoso frente as reportagens por ter sido aquele que “consertou” o relógio histórico. Só que os jornalistas se esqueceram de mencionar que o relógio funcionou por apenas 8 meses, depois parou por quebra de três dentes de uma engrenagem de transmissão. Foi onde finalmente me chamaram para restaurar o dito relógio. Aqui (no Brasil) se tem um ditado que diz que nesse caso “saiu mais caro o molho do que o peixe”.
Já fiquei descontente com esses fatos, mas como aqui fazer uma reclamação pública sobre isso é o mesmo que “uma voz que clama no deserto”, adotei uma filosofia própria que é continuar fazendo e trabalhando da melhor forma possível de forma que aos poucos os devidos méritos sejam dados a quem merece. Digo isso não porque estou a procura de méritos e louros, mas porque acho que devo contribuir com a minha parte na preservação da história, e as pessoas que realmente se importam com isso vão notar a minha dedicação e aos poucos os profissionais ruins serão esquecidos.
Acho que isso é tudo.
Conheço o seu trabalho e dedicação através das obras que apreciei quando visitei o seu Site, e por isso tenho confiança que o seu trabalho será mais reconhecido em breve.
Faço votos que os profissionais despreparados sejam logo esquecidos em sua terra!
Atenciosamente
Fábio
*



* Relojoeiro brasileiro

Monday, July 12, 2010

Monday, July 5, 2010

Relógio do Arco da Rua Augusta, além de parado, está agora sem ponteiros

É este o estado actual do relógio do Arco da Rua Augusta, em Lisboa. Uma opinião sobre esta anedota, que está a tornar-se numa vergonha, pode ser lida aqui.

Friday, July 2, 2010

Enviado à Direcção Regional de Cultura

Assunto: Substituição dos ponteiros do relógio do Arco da Rua Augusta

Exmos. Senhores


Foi com espanto que deparámos esta manhã com o desaparecimento dos ponteiros do relógio do Arco da Rua Augusta.

Imaginamos que tal se deva à sua substituição por ponteiros mais leves, como forma de viabilizar a última operação de restauro daquele relógio, que, como é do conhecimento público, tem sido tudo menos eficaz, dado que o relógio, quando não está parado, apresenta constantes atrasos.

Independentemente de não concordarmos com a solução técnica encontrada, como já expressámos a V.Exas., preocupa-nos agora a solução estética que resultará desta substituição dos ponteiros, pelo que apelamos para que haja bom senso na escolha do "design" dos mesmos por forma a não desvirtuar, pelo menos do ponto de vista cénico, o mostrador do relógio.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, José Carlos Mendes e Virgílio Marques

Thursday, March 25, 2010

Arco da Rua Augusta vai abrir terraço em Maio para visitas

In Público (25/3/2010)
Por Carlos Filipe

«Director Regional de Cultura considera que intervenção no monumento é delicada, mas a abertura ao público é considerada imperativa

A subida pelo interior do Arco (do Triunfo) da Rua Augusta, que faz a ligação dos edifícios da Praça do Comércio classificados como monumento nacional, deverá ser permitida à fruição pública o mais tardar até Maio, dando acesso ao patamar do terraço com ampla visão sobre aquela praça e o Tejo e a Baixa pombalina.

Empenhada em renovar acessibilidades para potenciar o turismo, a Direcção Regional de Cultura (DRC) de Lisboa e Vale do Tejo considera mesmo que "é um imperativo a devolução do monumento à cidade", simultaneamente com a reabertura, em Maio, para a missa papal, de parte do Terreiro do Paço, já com o novo arranjo arquitectónico.

Aquela direcção de Cultura pondera o estudo de soluções profundas de intervenção no monumento, que classifica como "delicadas", mas João Soalheiro, que dirige a entidade, disse ao PÚBLICO que sem deixar de lado as hipóteses em estudo, a DRC "está empenhada em abrir ao público o monumento nas exactas condições que o mesmo oferece, embora isso signifique a adopção de condicionalismos vários, a exemplo do que se passa em monumentos emblemáticos espalhados por urbes históricas da Europa."

A história da intervenção no arco não é nova, e em 2006 já dela se falava, inclusivamente com recurso a mecenas, solução encontrada para a recuperação do relógio que lá se encontra. Mais tarde, em Outubro de 2007, por ocasião da apresentação da recuperação do mecanismo do relógio, com a presença da então ministra Isabel Pires de Lima, também foi dito quão prioritária seria a recuperação de todo o conjunto, ainda que não tenha sido anunciada uma calendarização. Todavia, foi assumida a intenção da sua abertura ao público, eventualmente com recurso a uma plataforma elevatória que permitisse aos visitantes evitar uma penosa escalada pelos mais de 80 íngremes degraus.

Relógio acerta no domingo

Já uma solução final para o funcionamento do relógio deverá ser encontrada até ao final de Abril. João Soalheiro admitiu ao PÚBLICO que o seu mecanismo revelou-se "caprichoso, ao ponto de voltar a falhar a sua missão, reacção que surpreendeu os especialistas". Por isso, a DRC está em processo de consulta às pessoas e instituições envolvidas [Cultura e mecenas], no sentido de serem equacionadas respostas técnicas capazes de solucionar o problema.

Luís Cousinha, neto do fabricante do actual mecanismo, admitiu recentemente problemas de ajustamento dos pesos e também no acesso ao local onde está alojado, mas rejeitou responsabilidades. "[O relógio] andará certo desde que lhe seja dada corda e na madrugada de domingo será acertado pela hora de Verão", disse ontem ao PÚBLICO.

O Arco da Rua Augusta, na versão final segundo projecto de arquitectura de Veríssimo José da Costa, foi construído entre 1873 e 1875.»

Wednesday, March 17, 2010

Relógio do Arco da Rua Augusta

O relógio do Arco Triunfal da Rua Augusta, que recentemente foi objecto de reparação e restauro, num mecenato da Jaeger-LeCoultre e do importador desta marca de Alta Relojoaria para Portugal, a Torres Distribuição, continua actualmente parado.

Uma situação alheia à manufactura e ao seu representante, que a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo promete resolver rapidamente. A RTP passou recentemente mais uma peça sobre o assunto. Pode ser vista aqui.

Monday, March 1, 2010

Dia do Tempo no Maria Matos

Dia do Tempo, no próximo domingo, 7 de Março, no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Das 11h00 às 20h00, entrada livre. De manhã, até às 13h00, especialmente dedicado às crianças e às famílias.

Um programa multidisciplinar, que vai desde a exposição de relojoaria grossa até às noções elementares da Hora Legal e Calendário, passando pela Gestão ou a Psicologia do Tempo, a Slow Food, o Banco de Tempo, a Arte e a Arquitectura e o seu relacionamento com o Tempo.

Sunday, February 28, 2010

O caso do Relógio do Arco da Rua Augusta

Jornal de Notícias de hoje, 28 de Fevereiro de 2010 (carregue nas imagens para aumentar)