Thursday, May 21, 2009

Os relógios de João Vaz de Carvalho





João Vaz de Carvalho tem um mundo muito especial, feito de côr e riso. Este pintor natural do Fundão, mas radicado há muitos anos em Lisboa, tem mantido presente na sua obra uma série de relógios - não são inventados, são máquinas do tempo que lhe povoam a habitação e o quotidiano. É dos poucos artistas portugueses que conheço que mantém com o Tempo uma relação iconográfica perene. Que pode ter uma leitura imediata, infantil (talvez a que mais lhe agrada), ou uma leitura mais elaborada, cheia de ironia e segundos sentidos. Alguns exemplos da sua produção mais recente (que inclui outras temáticas, claro) podem ser vistos na Galeria Trema, ao Príncipe Real, em Lisboa, a partir de Sábado e até 20 de Junho.

Sunday, May 17, 2009

O mais antigo relógio de sol em madeira até agora encontrado em Portugal




É um pequeno objecto em madeira, de 4,5 x 4 cm. Foi encontrado no final do século passado em trabalhos arqueológicos no Largo do Corpo Santo, na Lisboa ribeirinha. Mas só agora foi por nós identificado – trata-se da base de um relógio de sol portátil, o mais antigo do seu género de que há conhecimento no país.
Esta meridiana, nome por que é conhecido o tipo de relógio de sol em causa, chegou aos nossos dias com a madeira praticamente intacta porque esteve durante mais de 500 anos debaixo de água.
Está incompleta, já que lhe falta, no centro, uma bússola (material ferroso rapidamente deteriorado). E, para completar o conjunto, havia também uma tampa, de que ainda há na base os sinais de ligação. Essa tampa deveria ser também em madeira, e serviria para gravar no interior uma tabela com nomes das cidades mais importantes da Europa, com as respectivas latitudes. Um fio, preso à tampa e a um ponto da base (de que há também vestígios no objecto achado) serve neste tipo de relógios como gnómon, para projectar a sombra do Sol.
A base, cujo centro escavado servia de assentamento para a bússola, tem gravados algarismos árabes, vendo-se claramente, da esquerda para a direita, o “0” de 10, e depois “11”, “12”, “1”, 2”, “3”, “6”, “8” e “9”. Os números “4” e “7” estão escritos de forma hesitante, demonstrando a antiguidade do objecto. Os algarismos árabes, incluindo o “zero”, foram introduzidos na Europa científica a partir de Itália, no século XII, por Leonardo Fibonacci, mas só lentamente começaram a substituir a grafia da numeração romana no quotidiano ocidental. A base da meridiana em madeira encontrada no Corpo Santo ainda apresenta uma grafia não fixada dos algarismos árabes. “Apesar de os algarismos árabes terem sido usados ocasionalmente pelos europeus desde o século XIV, só no princípio do século XVII começou a generalizar-se na Europa, incluindo Portugal”, refere-nos o matemático Nuno Crato. Isto poderá significar que a meridiana do Corpo Santo terá vindo de Itália, como o material cerâmico encontrado no local.
No quadrante da meridiana encontram-se ainda marcações que deverão indicar pontos de acerto deste relógio de sol portátil. Depois de achado o Norte, através da bússola, o utilizador deveria acertar o objecto para o local onde se encontrava, mediante a latitude que sabia ou que iria consultar na tabela da tampa.
Os relógios de sol foram introduzidos na Península Ibérica pelos romanos, havendo alguns exemplares encontrados no território português. Depois disso há um enorme hiato, durante as ocupações bárbara e islâmica, não se tendo encontrado até hoje qualquer exemplar desses períodos. O relógio de sol volta a aparecer no período românico, adjacente a mosteiros e igrejas. Mas nunca como relógio de sol portátil. A meridiana do Corpo Santo, possivelmente datada do início do século XV, é pois o mais antigo relógio de sol portátil encontrado até hoje no país.
A escavação do Largo do Corpo Santo, dirigida por Clementino Amaro, e com os arqueólogos Ana Vale e João Marques, foi efectuada devido à necessidade de construir um poço de ventilação para o Metropolitano de Lisboa. A área a escavar correspondia a uma circunferência, com cerca de 15 m de diâmetro, no canto nordeste do parque de estacionamento, encostado ao edifício da Marinha.
Os trabalhos arqueológicos no Largo do Corpo Santo, em Lisboa, iniciaram-se em Janeiro de 1996. Imediatamente sob a superfície foram detectadas as estruturas pertencentes às oficinas de serralharia do Arsenal da Marinha, destruídas já neste século, para a construção do parque de estacionamento. Depois de liberta a área de escavação destas estruturas recentes, começaram a aparecer pavimentos e paredes pertencentes ao Palácio dos Côrte-real, cuja edificação data de 1585. A escavação sob os pavimentos revelou que estes assentavam num grande aterro onde abundam os óxidos de ferro e cinzas, possivelmente provenientes das ferrarias aí instaladas no início do século XVI. Teriam sido eventualmente danificadas pelos terramotos de 1531 e 1551 que, segundo os relatos, atingiram duramente a zona ribeirinha de Lisboa. Os seus despojos terão sido utilizados para criar um aterro sobre a praia, destinado à construção do novo e grandioso palácio de D. Cristóvão de Moura, casado com D. Margarida de Côrte-real. O Palácio dos Côrte-real, também conhecido como Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo, sofreu um incêndio em 1751, ficando irrecuperável com o terramoto de 1755.
O material escavado no aterro inclui algumas peças de qualidade excepcional, como as primeiras majólicas importadas do centro de Itália, remontando a sua cronologia ao séc.XV e XVI. A meridiana em madeira foi recolhida num nível junto à praia, ou seja, na base do aterro referido, podendo assim datar-se do final do século XV.


in Cronos - Pilares do Tempo, suplemento saído com o Público de 16 de Maio

Thursday, May 14, 2009

Cronos - Pilares do Tempo, Sábado com o Público


Cronos -Pilares do Tempo sai Sábado, 16 de Maio, com o PÚBLICO. O único suplemento do género num jornal generalista comemora uma década a mostrar o Património, a Cultura e as mais belas Máquinas do Tempo. O achado de uma meridiana quinhentista em madeira na zona ribeirinha da capital, o regresso da Hora Legal ao Cais do Sodré, ou a relação entre o tempo sagrado e o tempo profano nas igrejas de Lisboa são alguns dos temas desta edição.

Thursday, April 30, 2009

Exposição de Relojoaria nas Caldas da Rainha


"Tempos de História" é o título da iniciativa do Museu do Hospital e das Caldas, nas Caldas da Rainha, inserido nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

Até 17 de Maio, de Segunda a Sábado, das 09h00 às 17h00, poderá subir à Torre Sineira da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo e admirar a bela vista e o mecanismo do relógio de quatro mostradores, que acciona os sinos em carrilhão, batendo as horas e quartos progressivos. Poderá ainda passear-se pela cidade, fazendo o ressto do roteiro "Tempos de História", que inclui os marcadores de tempo da Escola de Sargentos do Exército, a Estação Ferroviária, a Praça da república ou a Estação Rodoviária. Se quiser visitar o Museu, onde se encontra um relógio de sol, poderá fazê-lo de Segunda a Sexta, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00, ou aos Sábados, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, e Domingos e Feriados, das 09h00 às 12h30.

Monday, April 6, 2009

Chegado por e-mail:






«Caros Amigos do "Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa",

Foi por acaso que, no decorrer duma pesquisa sobre o Forte Farol do Bugio, desembarquei no vosso blog, que me merece os maiores elogios. Gostei imenso dele.
Numa peça que li, mencionavam que não tinham fotos do RELÓGIO DE SOL implantado no citado Forte Farol do Bugio.
Numa outra peça vi uma referência a um Álbum Fotos/slideshow onde referem que está lá uma foto do relógio.
Infelizmente, não consegui aceder ao show para ver a foto - recebi uma mensagem de erro 404 not found.

É com todo o gosto que vos cedo para publicação no vosso blog, se acharem interessante e conveniente, as minhas fotografias do relógio.
Apenas peço que façam menção ao autor - José António Baptista - e se possível me informem se/quando as publicarem (uma ou todas).
Se pretenderem dar-lhes outra utilização que não o blog, contactem-me para vos dar autorização.

Estas fotografias foram obtidas no decorrer de duas Visitas Guiadas promovidas pela Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras, da qual sou associado e Secretário de Direcção.

Sem outro assunto de momento e com Votos de sucesso,

Respeitosos Cumprimentos,

José António Baptista»

Saturday, March 7, 2009

Exposição e palestra sobre o Tempo, em Tentúgal


Sábado, 14 de Março, a partir das 15h30, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Tentúgal, uma série de iniciativas, que incluem uma exposição sobre o Tempo e uma Palestra de José Mota Tavares sobre o Relógio - a Máquina que divide o Tempo. No âmbito da inauguração de placa comemorativa na Torre do Relógio da localidade.

Monday, March 2, 2009

Colóquios sobre Relojoaria, Tempo e Evolução das Mentalidades


Sopas de Pedra "O Relógio": Jantares-Colóquio regressam ao Claustro do Convento da Graça, em Torres Vedras.


As Sopas de Pedra, conjunto de três jantares-colóquio, regressam em2009 subordinadas ao tema “O Relógio”. A primeira sessão decorrerá já no próximo dia 6 de Março, sexta-feira, pelas 20h00, nos Claustrosdo Convento da Graça e o tema “A História do Tempo” será abordado porFernando Correia de Oliveira, o convidado dessa noite.
Dos cromeleques aos relógios atómicos e ao GPS. Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador da temática multidisciplinar doTempo, faz nesta comunicação uma viagem através da História e das Mentalidades, ligando o Homem e Cronos, e a maneira como o primeiro se tem relacionado com o segundo. Relógios de sol, clepsidras, ampulhetas, a relojoaria mecânica - da de torre à de pulso - são instrumentos que acompanharam a viagem da Humanidade através da realidade mais invisível e, no entanto, mais mensurável - o Tempo. E Portugal, como tem sido o percurso do Tempo Português? Do sagrado ao profano, do público ao privado. E da relação dos vários poderes - religioso, político, económico, científico - com o Tempo e os seus medidores. Fernando Correia de Oliveira abordará todas estas questões, numa viagem com hora marcada.


As Sopas de Pedra terão continuidade durante o mês de Março estando agendadas mais as seguintes sessões:


Dia 13 de Março (Sexta-Feira) - 20h00:“O Relógio de Sol no Município de Torres Vedras” Convidado: José Madruga de Carvalho (professor da Escola Secundária deHenriques Nogueira)


Dia 20 de Março (Sexta-Feira) - 20h00“O Relógio Mecânico e a Medição do Tempo em Torres Vedras” Convidado: José Mota Tavares (investigador)


As Sopas de Pedra são uma organização do Arquivo Municipal e do Museu Municipal Leonel Trindade, destinam-se a toda a família e o preço de cada jantar-colóquio é de € 10 (€ 25 os três jantares). A sua inscrição pode ser realizada pelo telefone 261 320 736 ou pelo e-mail:

Sunday, February 22, 2009

Relógio no Lago do Campo Grande


Agora que se está a limpar o Lago do Campo Grande, em Lisboa, não seria boa altura (é sempre...) de dar uma reparação geral ao mobiliário urbano que o rodeia? É que a zona podia ser privilegiada em termos de espaço público alfacinha, em vez de ser paragem de marginais. O edifício do centro comercial encontra-se fechado, abandonado, quando ali podia ser um espaço de cultura e lazer, já que o enquadramento é ideal. Quanto aos barcos, jazem de momento a seco, velhos, descoloridos, decadentes. Não haveria um concessionário interessado em explorar as várias explanadas, restaurantes, renovando a "frota"? E que dizer do relógio ali colocado em meados do século passado, e que servia para magalas e sopeiras saberem se já tinham esgotado o tempo pago para o passeiozinho a remos e para maior intimidade no namoro? O relógio é um exemplar SATIF, que bem merecia recuperação.
António Nunes Fitas foi um relojoeiro nascido no início do séc. XX. Estabeleceu-se na Rua da Bica Duarte Belo, 28, em Lisboa, com oficina de reparação e fabricação de relógios, que comercializou com a marca SATIF. Mais tarde, dedicou-se à reparação e venda de aparelhos de precisão, actividade que ainda hoje lá se exerce, mantendo a firma a mesma designação de “SATIF”. (in Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal (Âncora, 2006).

Friday, January 30, 2009

No relógio eram 9h e no pulso 9h20


A coisa continua e desta vez era um atraso de 20'. Mais valia deixarem-no parado.

Thursday, January 22, 2009


A notícia é boa mas o artigo está mal feito pois não investigou coisa nenhuma. Acontece que foi a CML, por via de proposta dos Cidadãos por Lisboa, quem conseguiu incutir bom senso aos incultos de quem depende aquele espaço. A bem de Lisboa.

Friday, January 16, 2009

Rotunda do Relógio












Este é o estado actual da chamada Rotunda do Relógio. Houve tempos em que nela figuraram dois relógios florais, um dizendo "Bem Vindo" e outro "Boa Viagem", saudando os que chegavam ou partiam de avião numa Portela recém-estreada. Hoje, com o gigantesco viaduto que lhe passa por cima, a Rotunda do Relógio está totalmente abandonada, com as duas esculturas em pedra que lá foram colocadas, com os seus relógios, completamente perdidas no espaço e no tempo. Há poucos dias, descobri uma fotografia a cores da antiga Rotunda, que serviu de capa a um "single" pimba dos anos 60. Quem tem mais imagens desta rotunda que já foi bonita?



Thursday, January 8, 2009

2009 – “qual relógio de sol em tempo brusco”


Respigando os dados para Almanaques do Observatório Astronómico de Lisboa, e tomando como referência o calendário gregoriano, o dia 14 de Janeiro corresponde ao dia 1 de Janeiro do calendário juliano. O ano 2009 da era vulgar, ou de Cristo, é o 9.º do século XXI e corresponde ao ano 6722 do período juliano, contendo os dias 2 454 833 a 2 455 197. O ano 7518 da era bizantina começa no dia 14 de Setembro. O ano 5770 da era israelita começa ao pôr do Sol do dia 18 de Setembro. O ano 4646 da era chinesa (ano do búfalo) começa no dia 26 de Janeiro. O ano 2785 das Olimpíadas (ou 1º da 697ª), começa no dia 14 de Setembro, ao uso bizantino. O ano 2762 da Fundação de Roma “ab urbe condita”, segundo Varrão, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 2758 da era Nabonassar começa no dia 21 de Abril. O ano 2669 da era japonesa, ou 21 do período Heisei (que se seguiu ao período Xô-Uá), começa no dia 1 de Janeiro. O ano 2321 da era grega (ou dos Seleucidas) começa, segundo os usos actuais dos sírios, no dia 14 de Setembro ou no dia 14 de Outubro, conforme as seitas religiosas. O ano 2047 da era de César (ou hispânica), usada em Portugal até 1422, começa no dia 14 de Janeiro. O ano 1931 da era Saka, no calendário indiano reformado, começa no dia 22 de Março. O ano 1726 da era de Diocleciano começa no dia 11 de Setembro. O ano 1431 da era islâmica (ou Hégira) começa ao pôr do Sol do dia 17 de Dezembro.


Já se quiser ver o próximo eclipse total do sol, a 21-22 de Julho, terá que estar nessa altura na Índia, Nepal, China ou algures no Pacífico onde a sua “faixa de totalidade” passe.


Isso faz-nos lembrar breu, penumbra sombra, luz, relógios de sol.Em tempo de crise, nada melhor do que citar Joaquim Fortunato de Valadares Gamboa, poeta menor português que em 1791 dava à estampa em Lisboa o seguinte poema:


Que relógio de sol, que serventia / Ter não pode de alguma utilidade / Quando o dia está brusco, e na verdade / Ninguém faz dele caso nesse dia: / Assim se da pobreza a mão sombria / Faz no homem qualquer escuridade / Em lhe faltando do ouro a claridade / É dos outros desprezo e zombaria: / Dos planetas mais nobre é o sol louro; / O ouro dos metais; e está mais fusco, / Que relógio sem sol, homem sem ouro: / Disto exemplos alheios eu não busco; / pois me vejo que estou, com vil desdouro, / Qual relógio de sol em tempo brusco.

Pois que 2009 não seja um eclipse total e que a luz do sol volte depressa, dizemos nós.

Wednesday, December 31, 2008

2009


O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa.
António Vieira, S.J. (1608-1697)

Ninguém pára o Futuro.
Que 2009 comece. E avance. E acabe.
O melhor possível.

Saturday, December 27, 2008

Como "ver" o segundo extra de 2008


Como já referimos aqui, o ano de 2008 vai ter no seu final um "segundo intercalar" ou "leap second" em inglês. Segundo o International Earth Rotation Service (IERS), que é o organismo responsável pela decisão da introdução deste segundo adicional, a passagem do dia 31 de Dezembro de 2008 para o dia 1 de Janeiro de 2009 deverá ocorrer segundo a sequência:
2008 Dezembro 31, 23h 59m 59s
2008 Dezembro 31, 23h 59m 60s
2009 Janeiro 1, 00h 00m 00s

A esmagadora maioria dos relógios digitais não está preparada para mostrar "23h59m60s", passando imediatamente dos 59s para os 00s. Neles, o acerto terá que ser feito manualmente.

Mas há pelo menos um relógio que poderá seguir comodamente, em casa, e que lhe dará a possibilidade de "ver" esse segundo extra, enquanto tocam as doze badaladas e você tenta não se enganar na escolha dos desejos e na deglutição das tradicionais passas.

Falamos do relógio que se encontra no site do Observatório Astronómico de Lisboa, a entidade que em Portugal superintende no Tempo e na Hora Legal.

Assim, se na Passagem do Ano, tiver o computador ligado a http://www.oal.ul.pt/ terá oportunidade de ver o segundo intercalar e começar 2009 no passo certo.

Tuesday, December 23, 2008

Observatório no Anuário Relógios & Canetas




Acaba de chegar às bancas a edição 2009 do Anuário Relógios & Canetas, e o Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa é noticiado.

Thursday, December 18, 2008

Portugal, a China, os Relógios e um que esteve no Arco da Rua Augusta




O antigo relógio do Convento de Jesus (actual Academia das Ciências), que foi parar ao Arco da Rua Augusta, adaptado por Augusto Justiniano de Araújo, já foi restaurado, por Luís Cousinha, e está patente temporariamente numa exposição sobre um jesuíta português na corte de Beijing, que entre outras coisas fez relógios.


(extracto da Nota que fizemos ao Catálogo da exposição sobre Tomás Pereira, S.J., patente no Centro Científico e Cultural de Macau, à Junqueira, em Lisboa)

O relógio patente nesta exposição é um exemplar do século XVIII, possivelmente de fabrico nacional, provavelmente anterior ao Terramoto, proveniente do Convento de Jesus, em Lisboa, e intervencionado no final do século XIX.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o espólio dos vários conventos, incluindo relógios, passa para terceiras mãos, sejam elas o Estado ou os particulares. O Convento de Jesus passou a albergar a Academia das Ciências, local onde ainda hoje a instituição se encontra, e o relógio saiu de lá em 1883. Foi parar ao Arco Triunfal da Rua Augusta, que era finalmente construído, mais de um século após o terramoto de 1755.
O relógio do Convento de Jesus é um exemplar da chamada relojoaria grossa ou férrea e as suas peças estão arrumadas numa gaiola cavilhada, característica da técnica dos séculos XVII e XVIII. Como relata a imprensa da época, o relógio “não estava preparado para indicar as horas para o lado da rua”. Ou seja, era, como muitos exemplares do seu tempo, para “bater” e não para “mostrar” o tempo, não tinha mostrador. Assinalava sonoramente as horas e os quartos através de sinos que estavam a ele ligados. Quem o adaptou para ter mostrador e ponteiros e lhe deu um novo escape (substituindo o de folliot por um de âncora) foi Augusto Justiniano de Araújo, o fundador da Escola de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa, ainda hoje a única que se dedica ao ensino da relojoaria em Portugal. O relógio acaba de ser restaurado, numa acção de mecenato que incluiu também a recuperação do relógio que se encontra actualmente no Arco da Rua Augusta e que o foi substituir nos anos 40 do século passado.
Escolhemos este exemplar de relojoaria grossa para ilustrar o tipo de relógios que os padres jesuítas fabricavam no século XVII na China. Foram os portugueses que introduziram a relojoaria mecânica, primeiro na Índia, depois na China, no Vietname, na Coreia e no Japão, quase sempre pela mão pioneira dos Jesuítas. […]
Tomás Pereira (1645-1708), músico de formação, construía os seus próprios órgãos e, aplicando os conhecimentos musicais e mecânicos, construiu mesmo um enorme carrilhão, com relógio, que colocou numa das torres da igreja dos jesuítas, na capital do império. É esse relógio com carrilhão que aparece na célebre gravura incluída na Mursurgia Universalis, de Atanásio Kircher, de 1650. O mecanismo de relojoaria accionava um tambor com espigões, semelhante aos das caixas de música, que por sua vez accionavam arame ligados a sinos, assinalando todas as horas com melodias tradicionais chinesas. […]

Wednesday, December 10, 2008

Segundo intercalar será introduzido no final de 2008


No próximo dia 31 de Dezembro será introduzido um segundo extra (leap second, ou segundo bissexto) ao Tempo Universal Coordenado (UTC). Assim, às 23 horas, 59 minutos e 59 segundos do último dia do ano não se seguirão as zero horas, zero minutos e um segundo do primeiro dia de 2009, havendo um segundo extra colocado no meio. Em Portugal, será o Observatório Astronómico de Lisboa (http://www.oal.ul.pt/) a coordenar o processo, já que ele é a entidade que emite e regula para todo o território nacional a chamada Hora Legal. É de lá que respigamos algumas explicações básicas:
O Tempo Universal Coordenado (UTC) é a escala de tempo de referência e é derivada do Tempo Atómico Internacional (TAI) calculado pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) usando uma rede mundial de relógios atómicos. O UTC, que difere do TAI por um número inteiro de segundos, está na base de todas as actividades mundiais. UT1 é a escala de tempo baseada na observação da velocidade de rotação da Terra, que, actualmente, é derivada usando VLBI (Very Large Baseline Interferometry). As variações irregulares progressivamente identificadas na velocidade de rotação da Terra conduziram, em 1972, à substituição do UT1 como escala de tempo de referência. No entanto, era desejável pela comunidade científica internacional, manter a diferença UT1-UTC menor do que 0,9 segundos, para assegurar a concordância entre as escalas de tempo físicas e astronómicas.
Desde a adopção deste sistema em 1972 foi necessário adicionar 23 segundos ao UTC. Este facto deveu-se, em primeiro lugar, à escolha inicial do valor do segundo (1/86400 do dia solar médio do ano de 1820) e, em segundo lugar, à diminuição progressiva da velocidade de rotação da Terra. A decisão de introduzir um segundo intercalar ao Tempo Universal Coordenado é da responsabilidade do International Earth Rotation Service (IERS). De acordo com os acordos internacionais a introdução destes segundos deverá ser efectuada, de preferência no final dos meses de Dezembro ou Junho, ou em caso de necessidade, no final dos meses de Março e Setembro. Desde que o sistema entrou em vigor em 1972, só foram introduzidos segundos intercalares em alguns dos meses de Junho e Dezembro.
O último segundo adicional foi introduzido no dia 1 de Janeiro de 2006 às 0h UTC.
Para saber mais sobre o Leap Second, ver http://tycho.usno.navy.mil/leapsec.html.

Sunday, December 7, 2008

Observatório na Focus




Já saiu o suplemento anual da Focus dedicado à Relojoaria e o Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa vem lá referido.

Sunday, November 30, 2008

O relógio do Paço da Ribeira e a Restauração do 1º de Dezembro




Representação do Relógio do Paço (Museu do Azulejo) e Capa de Tempo e Poder em Lisboa
Há precisamente 368 anos, um sábado, pelas nove horas da manhã, dava-se início à operação militar que resultaria na restauração da independência do reino de Portugal, que desde 1580 ficara sob Coroa espanhola. Como em qualquer operação militar, o tempo sincronizado era importante e, para isso, era necessário um relógio comum aos conspiradores – no caso, o relógio do Paço da Ribeira.



Mesmo sob ocupação filipina, e com a capital do reino unificado em Madrid, Lisboa e o seu Paço não deixaram de ter importância política, pois era aí que se encontrava a viver o representante do rei castelhano. O golpe de 1640, liderado por nobres descontentes com a situação, procurando a recuperação da independência de Portugal, é uma operação militar. Decorre na zona do Paço e, como operação militar, necessita de um emissor de tempo comum, que sincronize as acções a desenvolver.
Diz D. Luís de Menezes na História de Portugal Restaurado que o grupo de Conjurados decidiu na última reunião antes da revolta, lendariamente realizada no Palácio dos Almadas, ao Rossio, avançar a acção para sábado, 1 de Dezembro de 1640. E que, “com o menor rumor que fosse possível, se achassem todos junto ao Paço, repartidos em vários postos, e que tanto que o relógio desse nove horas saíssem das carroças ao mesmo tempo”. Mais à frente, nesse mesmo dia, os conjurados, “impacientes, esperavam as nove horas, e como nunca o relógio lhes pareceu mais vagaroso, tanto que deu a primeira, sem aguardarem a última, arrebatados do generoso impulso saíram todos das carroças e avançaram ao Paço”. O resto, já se sabe. Portugal recuperou a independência, que tinha estado hipotecada a Espanha nos 60 anos anteriores. O relógio que deveria bater as nove horas era, possivelmente, o do Paço da Ribeira, com torre própria desde os tempos de D. Manuel I.
Outro relato coevo, a RELAÇÃO DE TUDO O QUE PASSOU NA FELICE ACLAMAÇÃO DO MUI ALTO E MUI PODEROSO REI DOM JOÃO O IV, NOSSO SENHOR cuja monarquia prospere Deus por largos anos, 1.ª edição de Lisboa, Oficina de Lourenço de Anveres, s. d. [1641]:
“Desde o domingo até a sexta-feira daquela venturosa semana se fizeram com grande
fervor e diligência infinitas preparações, ajuntaram-se as armas que para o efeito eram mais acomodadas, deu-se ponto aos amigos e parentes, e muitos convidavam para um empenho grande que sábado às nove horas da menhã haviam de ter no terreiro do Paço, sem declararem o que era. Não se passou noite nenhuma em que não houvesse junta em casa de João Pinto Ribeiro. Iam os fidalgos a ela com grande recato, porque importava já muito a dissimulação, e donde quer que a cada um deles lhe anoitecia, se apeava e, embuçados, entravam no Paço do duque, em cujas salas tudo era sombras e horror, e somente na casa mais oculta − que era aonde se fazia o conselho − estava ũa candeia tão desviada e com tão pouca luz que escassamente alumiava. […]
“Deu-se enfim o ponto para as nove horas da menhã, e deu-se ordem a todos para
que, poucos a poucos, por vários caminhos, se ajuntassem no terreiro do Paço, o que se fez com recato e boa disposição, que uns em coches, outros a cavalo, outros a pé se dividiram em troços por todo aquele espaço que há desd’ o Arco dos Pregos até o Arco do Ouro.[…]
Neste comenos deu o relógio do Paço nove horas, e como quando o fogo de ũa mina
atea na pólvora e saem num mesmo instante por várias aberturas da terra − em cópia larga,com medonho ímpeto − mil raios e mil despedaçados e abrasadores mármores, assi feros, assi terríveis e assi furiosos saíram num mesmo tempo alguns fidalgos dos coches, e logo foram em seu siguimento com a mesma deliberação os mais que, a cavalo, ou a pé, vinham para aquele efeito. Subiram todos intrépidos por ũa e outra escada do Paço, já com as armas prontas, e dispostos para ver a cara ao mais estupendo transe em que desde que hove guerras no mundo se viu o coração humano”.

Para saber mais sobre os marcadores de tempo colectivos na capital e a sua relação com os poderes religioso, político, económico e científico, desde a Reconquista até aos nossos dias, acaba de sair a obra Tempo e Poder em Lisboa – O Relógio do Arco da Rua Augusta, da autoria do jornalista e investigador Fernando Correia de Oliveira e do olissipógrafo José Sarmento de Matos. O livro está disponível ao público em exclusivo nas livrarias Bertrand e na própria editora , a Espiral do Tempo, por 19,50 euros.

Thursday, November 27, 2008

Meridiana do Paço da Rainha


O Palácio da Bemposta, conhecido por Paço da Rainha, foi mandado construir pela filha de D. João IV, D. Catarina de Bragança, viúva de Carlos II, Rei de Inglaterra, quando regressou a Portugal depois da morte do marido, em 1693. Como residência real, estava munida de uma meridiana, também ela com a função de dar o meio-dia solar verdadeiro e, assim, servir de controlo para acerto de relógios mecânicos. Hoje, o Palácio da Bemposta alberga a Academia Militar. Quanto a mais esta meridiana real, está no estado que se vê, ignorada, num parapeito ignoto.

Sunday, November 23, 2008

Meridiana do Paço de Queluz


Meridana real, nos jardins do Palácio de Queluz. Servia para acertar os relógios do Paço, ao meio dia solar verdadeiro. Ali jaz,vandalizada, ignorada, abandonada, à espera de tempos melhores. Cada residência real, Paço, tinha uma meridiana, para esse fim, algumas vezes com um sistema de artilharia acoplado, para assinalar o meio-dia solar verdadeiro de forma sonora (como a peça da Pena, entretanto restaurada). A meridana do Paço da Rainha (actual Academia Militar) está também vandalizada e ao abandono. Há meridianas em Vila Viçosa e Convento de Mafra.

Tuesday, November 18, 2008

Faleceu Pedro Torres


Faleceu ontem, 17 de Novembro, em Paris, Pedro Augusto Arez Torres, vítima de doença prolongada. Para quem teve o privilégio de o conhecer, o Pedro será para sempre relembrado como homem de extrema sensibilidade. Adorava a vida e partilhava-a a cada momento com os seus amigos e parceiros de negócios. Descendente de uma das mais antigas famílias que se dedica no país ao ramo da Relojoaria (tudo começou em 1910, em Torres Vedras), o Pedro foi criado e educado e viveu os primeiros anos da sua vida profissional na Baixa pombalina, onde os Torres têm um estabelecimento. Seguindo o seu caminho, o Pedro fundou a Torres Distribuição há cerca de duas décadas, empresa que se tornou a referência incontestável da Alta Relojoaria em Portugal.
Um dos projectos queridos do Pedro era a protecção da relojoaria grossa nacional, tendo sido o grande promotor da acção de recuperação e restauro efectuada no início do ano nos relógios do Arco da Rua Augusta, em Lisboa. "Sempre me meteu confusão aquele relógio, quando olhava para ele, em toda a minha juventude, nunca estar certo. Prometi a mim próprio que um dia iria fazer algo por ele", dizia ele, cheio de alegria, quando o relógio retomou a sua marcha. O projecto previa a recuperação de outros relógios públicos, numa acção de mecenato, um no Porto e outro em Coimbra.
A missa de corpo presente terá lugar na Igreja de São João de Deus, às 13.30, na Sexta-Feira, 21 de Novembro.Seguirá para o cemitério dos Olivais onde terá lugar às 16.00 a cerimónia fúnebre.

Tuesday, November 4, 2008

Finalmente, foi aprovada a proposta dos CPL.

Ainda que sem o ponto 1. Ou seja:

«Considerando que o Observatório Astronómico de Lisboa, criado pela Carta de Lei de 6 de Maio de 1878, e construído na base do projecto do Observatório Astronómico de Poulkova (Rússia), segundo planos cedidos pelo seu director, William Struve, mas adaptado por portugueses, é parte integrante da Tapada da Ajuda, conjunto classificado como Imóvel de Interesse Público (Dec. n.º 5/2002, DR 42 de 19 Fevereiro 2002);

Considerando que o Observatório Astronómico de Lisboa foi integrado na Faculdade de Ciências por deliberação do Senado Universitário em 1994, publicada em aviso no D. R. II série, n.2 de 3.1.95 e que o processo de integração resultante daquela deliberação ainda está em curso;

Considerando que o OAL é uma instituição única a nível europeu porque comporta um acervo histórico-científico documental, bibliotecário e de equipamento astronómico ainda totalmente original, tornando-o uma referência exclusiva a nível mundial e numa mais valia inquestionável para Lisboa;

Considerando que o OAL é um local de investigação, ensino e transmissão de conhecimento tanto ao público como aos mais novos, por excelência;

Considerando que em volta do OAL, num raio de 100m, existe um valiosíssimo jardim botânico histórico, cuja manutenção é de difícil execução por parte do OAL, dadas as restrições orçamentais da Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências);

Considerando que o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) detém a presidência e é a estrutura base de funcionamento da Comissão Permanente da Hora desde 1944;

Considerando que a divulgação e disseminação da hora legal é um serviço público fundamental à sociedade e que exige qualidade, integrado que está no dia-a-dia do quotidiano actual, sendo vital para uma série de actividades, do comércio aos serviços e repartições públicas;

Considerando que o relógio mecânico da Hora Legal, até há bem pouco tempo instalado no ‘Edifício da Hora Legal’, no Cais do Sodré, nunca chegou a funcionar bem, agravando-se os seus problemas técnicos durante os últimos 20 anos por falta de manutenção; porque, sendo mecânico, teria sempre que estar sujeito a uma manutenção rigorosa e quase diária (que nunca se verificou) e, por outro lado, a sua localização sujeitou-o a amplitudes térmicas (nem todas resolvidas com a colocação da pala) que desregulavam o seu mecanismo, o que se agravou pelas constantes trepidações a que está submetido, provocadas pela crescente intensidade do trânsito automóvel;

Considerando que o sistema de transmissão da Hora Legal há muito que deixou de ser electromecânico a partir da pêndula principal do Observatório Astronómico de Lisboa (Ajuda), cujos impulsos eléctricos eram transmitidos até ao relógio mecânico do Cais do Sodré, mas passou a sê-lo por intermédio da linha internet que envia a hora mantida numa bateria de relógios atómicos, que não se compadecem com os problemas dum relógio clássico e mecânico cuja inércia nos componentes provocava avarias assinaláveis na máquina;

Considerando que a Administração do Porto de Lisboa (APL), no seguimento da construção das sedes da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu da Toxicodependência no Cais do Sodré, procedeu ao depósito do antigo relógio mecânico da Hora Legal na Estação de Alcântara-Mar, substituindo aquele por um exemplar de quartzo, sem, contudo, manter a ligação ao OAL, inviabilizando, assim, a atribuição do estatuto de Relógio da Hora Legal ao relógio ora existente no Cais do Sodré;

Considerando a opinião dos responsáveis do OAL que referem dever ser o relógio de Hora Legal na via pública de leitura digital, usar um oscilador de quartzo VCO, pelo menos exacto ao décimo de segundo, e estar disciplinado pelo padrão fundamental da hora atómica do OAL, via protocolo NTP da rede internet;

Considerando que a Administração do Porto de Lisboa, o Observatório Astronómico de Lisboa e a firma Tissot (responsável pelo novo relógio do Cais do Sodré), iniciaram negociações com vista à contextualização ‘in situ’ da guarita que para ele foi feita de propósito, e, por fim, reatar a ligação ao OAL de modo a que o novo relógio aí existente possa de novo utilizar a designação de ‘Hora Legal’;

Considerando que o edifício da Hora Legal não mantém, de modo algum, a centralidade de que outrora gozava o Cais do Sodré - originalmente era accionado desde o relógio um sistema de costa com emissão de raios luminosos, para acerto do cronómetro de bordo dos navios que demandavam a zona;

Considerando que em nenhum local público de Lisboa, nem de Portugal, existe um marcador de tempo colectivo com o estatuto de Hora Legal;

Propomos que a CML, ao abrigo das suas competências descritas nos termos da alínea m) do ponto 2 na redacção em vigor conferida pela Lei 5-A/2002, de 11 de Janeiro estabeleça um protocolo com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Observatório Astronómico de Lisboa com vista a:

1.Cooperação com a Universidade de Lisboa, por forma a manter em boas condições o jardim circundante ao OAL, envolvendo, se necessário,
apoio dos serviços municipais; (eliminado porque o pelouro dos Espaços Verdes diz não ter nem pessoal nem dinheiro para cuidar do jardim circundante ao OAL)

2.Em colaboração com as escolas, um programa conjunto de visitas de estudo ao OAL e restante recinto, suportado por um documento de divulgação do OAL junto do público.

3.Estudar, em relação à Hora Legal, a possibilidade dos serviços da Câmara identificarem o local mais adequado à colocação de mais um relógio da Hora legal, de leitura analógica e digital em simultâneo, e ‘escravo’ do emissor de tempo do OAL, recuperando, assim, a ‘legalidade’ da designação, mas também a centralidade do serviço.

Lisboa, 21 de Maio de 2008

A Vereadora
“Cidadãos por Lisboa”

Helena Roseta
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Tuesday, October 14, 2008

À procura de um relógio inglês


Alguém sabe onde parará um exemplar inglês de relojoaria de torre, da firma William Potts & Sons, de Leeds, importado pelo transitário Valente, Costa & Cª em 1912?
A máquina do relógio veio nessa altura acompanhada de três mostradores, possivelmente semelhantes ao que se vê na fotografia, com uma estrela formada por seis losangos desenhada no centro, como um vitral. Pode ser que no mostrador apareça William Potts & Sons ou, como era habitual, isso ser substituído pelo nome do importador, neste caso a casa Valente, Costa & Cª.
Já agora: A "Valente Costa, Cª" estava situada na Rua Visconde das Devezas, na Freguesia de Santa Marinha e, Vila Nova de Gaia. Há documentação referente à empresa em 1911 (arquivos da câmara de Gaia). Também há referência a uma " Valente Costa & Cª" nos arquivos do vinho em Gaia e Porto. Tratava-se pois de um transitário, dedicado essencialmente ao comércio do Vinho do Porto. Foi uma empresa fundada por Joaquim de Pinho e Costa – entrou para a Almeida & Valente, armazém de vinhos, como escriturário; mudou-lhe o nome para Valente, Costa & Cª quando se tornou principal proprietário "depois de grandes transformações e compra dos mais modernos equipamentos". Vendeu a quota na firma em 1917, e mudou-se para Carcavelos, onde funda a empresa Carcavelos Industrial e onde viria a falecer em 1956.Não encontro actualmente referências à Valente, Costa & Cª, pelo que deve ter desaparecido. Alguém me poderá confirmar isso?

Sunday, October 12, 2008

Viagem pela relojoaria média e fina


Uma tarde na Fundação Medeiros e Almeida

O acervo museológico da Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, reparte-se por núcleos de Mobiliário, Pintura, Porcelana e Relojoaria. Este último, fruto de uma actividade coleccionista exercida essencialmente na primeira metade do século XX, constitui a mais valiosa colecção no país.
Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador da temática do Tempo, da Relojoaria e da Evolução das Mentalidades, faz no sábado, 25 de Outubro, uma visita guiada pelo conjunto de peças do museu, que vão desde o séc. XVI aos nossos dias e que incluem exemplares de sala e de mesa, bem como de bolso e de pulso. O programa inclui um lanche nas instalações da Casa-Museu. Uma viagem no tempo e na técnica, numa iniciativa do Clube dos Entas. Mais informações em www.clubedosentas.com/

Tuesday, August 5, 2008

Ficou-se pelas 7H50 ...


Há dias e dias que o relógio do Arco da Rua Augusta está parado. Eternamente parado nas dez para as oito da manhã. Que desperdício de dinheiros públicos o seu pseudo-restauro de há meses. Uma vergonha! Mais uma!

Tuesday, June 24, 2008

Roteiro da Relojoaria Grossa de Lisboa


Aspecto do grupo que no passado domingo, dia 15 de Junho, participou na iniciativa do Clube dos Entas, onde, e a partir do terraço do Arco Triunfal da Rua Augusta, se partiu para uma análise histórica e cronológica do Tempo e do Poder em Lisboa, focando a chamada relojoaria férrea, grossa, de torre, pública ou monumental.

O evento mereceu notícia no jornal Metro de segunda-feira, dia 16, como se pode ver em:

Monday, June 16, 2008

A propósito da visita guiada de ontem...

E do último post, só para referir que os 'Cidadãos por Lisboa' elaboraram uma proposta sobre o Observatório Astronómico de Lisboa e sobre a Horal Legal, que aguarda agendamento para discussão há demasiado ... tempo.

Thursday, June 5, 2008

Viagem pela relojoaria grossa de Lisboa


Uma forma de aceder ao topo do Arco da Rua Augusta, que não está normalmente aberto ao público, e de conhecer alguma da relojoaria grossa da capital

Domingo 15/06: Roteiro dos Relógios de Lisboa


Uma viagem guiada por Fernando Correia de Oliveira


Ponto de encontro: debaixo do Arco da Rua AugustaEstacionamento: estacionamento subterrâneo atrás do Banco de Portugal, Terreiro do Paço e ruas circundantes

Transportes: metro do Terreiro do Paço (linha azul)Horário: das 16:00h às 19:00h

Dress Code: desportivo, com calçado confortável.Levar: garrafa de água, máquina fotográfica, chapéu/boné, protector solar, bloco de notas e caneta.
14:30h - ponto de encontro, debaixo do Arco da Rua Augusta

15h00 - visita ao interior do arco da Rua Augusta

15:30h - 16:30h - passeio pedestre guiado pela relojoaria grossa de Lisboa (relógio da Sé, o relógio da Alcáçova, o relógio do Paço, o relógio do Carmo, passando-se depois para a Avenida da Ribeira das Naus, com passagem pelo relógio do Arsenal - referência ao balão da hora - e pelo Cais do Sodré - relógio da hora legal)

17h00 - lanche de confraternização final entre os participante e o guia18h00 - entrega dos manuais e encerramento
Preço: 35€

Organização: Clube dos Entas


contactos para inscrição:

http://www.clubedosentas.com/index.php ou eventos@clubedosentas.com e os telefones 960055526/ 21 2452862

Saturday, May 31, 2008

O Balão do Arsenal




Em 1858, no Observatório de Marinha, então instalado na frente de rio junto ao actual Arsenal, entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, foi colocado um balão, que servia para os navios ancorados no Tejo fazerem o chamado "estado do cronómetro" - saber os desvios diários deste precioso mecanismo, utilizado para o achamento da longitude no mar.


Desde 1829 que havia este tipo de dispositivo, utilizado pela primeira vez na Base Naval de Portsmouth, Inglaterra, o chamado "time ball". Içado lentamente num mastro um quarto de hora antes de uma determinada hora (meio-dia solar médio ou uma hora da tarde, como no caso de Lisboa), caia subitamente nessa altura determinada, sendo visível de bordo. O primeiro balão de Lisboa funcionava muito mal e era alvo do escárnio de quem nos visitava, nomeadamente da imprensa inglesa. Um segundo balão, ligado por linha eléctrica ao Observatório da Ajuda, veio substitui-lo, agora já com grande qualidade. O cair do balão da hora, em Lisboa, era acompanhado de um sinal sonoro, servindo também para o acerto dos relógios normais dos alfacinhas. Do primeiro e do segundo balões nada resta, levados para o lixo ou por um incêndio que destruiu parte do Arsenal. O Balão do Arsenal tinha, entretanto sido substituído pelo Relógio da Hora Legal, ao Cais do Sodré, de que já temos falado aqui. Houve, em Lisboa, outros balões da hora - adjacentes ao Observatório da Ajuda e ao Observatório da Escola Politécnica.

Surge agora uma ideia - apadrinhada pelo Comandante Estácio dos Reis, um oficial de Marinha que também é historiador, e se tem dedicado à descoberta e preservação do nosso património, nomeadamente astrolábios. Aproveitando a passagem das sedes das agências europeias da Droga e do Mar para a zona do Cais do Sodré, pretende-se que, junto ao novo edifício, onde hoje está um parque de estacionamento, e onde ficava o Observatório de Marinha, se erga de novo um Balão da Hora - para recordar os balões passados e haver um instrumento de Tempo público com a hora certa na capital portuguesa - coisa que hoje não há. A Marinha está envolvida neste projecto, falta sensibilizar a União Europeia e as suas agências, especialmente a marítima, cujas sedes ficarão a funcionar na capital portuguesa. Nas imagens, o balão de Nova York; o balão que existiu à Escola Politécnica.

Tuesday, May 13, 2008

Gare Marítima de Alcântara


"No próximo dia 14 de Maio" - amanhã, portanto - "um dos maiores navios de cruzeiro do mundo, o Independence of the Seas, escalará Lisboa na sua viagem inaugural com início e fim no porto de Southampton, em Inglaterra, e será o maior navio de cruzeiros de sempre a visitar a capital Portuguesa". Ao chegar, informa a Administração do Porto de Lisboa (APL) no seu portal, o Independence of the Seas "será escoltado por rebocadores lançando jactos de água até ao Terminal de Cruzeiros de Alcântara, onde ficará acostado. Tal como vem sendo habitual nas primeiras visitas a Lisboa, os passageiros serão agraciados com animação de cais que se traduzirá na actuação de um grupo de monociclos e andas, de um pequeno grupo musical e na oferta de brindes, e ao comandante do navio será entregue a placa comemorativa do evento".

Obra de Porfírio Pardal Monteiro, e uma das jóias do modernismo aplicado ao desenho de equipamentos portuários, a Gare Marítima de Alcântara, hoje Terminal de Cruzeiros de Alcântara, também tem os seus trunfos, mas o portal da APL pouco fala deles, o que é pena. O relógio da gare... bom... está como é regra na cidade: não funciona e falta-lhe um dos ponteiros. Que pensarão os 3634 passageiros do Independence of the Seas quando amanhã, já em terra, olharem a fachada principal do complexo e virem o seu relógio neste estado?


Friday, April 25, 2008

O relógio do Quartel do Carmo

... E o relógio foi mesmo «inaugrado»... :
Também ontem foi assinalada a entrada em funcionamento do relógio mecânico da torre do quartel (do Carmo), avariado há vários anos e só agora restaurado por um profissional.
Gina Pereira, JN

Thursday, April 24, 2008

Inauguração do Relógio do Carmo restaurado


O exemplar que agora é devolvido à cidade, devidamente restaurado e reparado, é um relógio francês do final do séc. XIX, início do séc. XX, da firma Prost Frères, mais tarde adquirida por Francis Paget et Cie. Tanto a primeira como a segunda assinavam as suas obras com “P. F.”, iniciais que se podem ver nos suportes do mecanismo. A chamada relojoaria grossa, monumental, de torre ou pública teve forte tradição na região francesa do Jura, nomeadamente em Morèz, uma pequena cidade junto ao rio Bienne, onde a Prost Frères e depois a Francis Paget estavam instaladas. Portugal foi um bom cliente da relojoaria grossa e média de Moréz du Jura, havendo dezenas, se não centenas de exemplares desse tipo espalhadas pelo país.

O Convento do Carmo já tinha tido relógio, antes da instalação deste exemplar. Nos Arquivos da Câmara de Lisboa encontra-se um contrato assinado em 1872, onde um grande relojoeiro do séc. XIX português, Veríssimo Alves Pereira, se compromete a aproveitar e a concertar algumas peças de um antigo relógio do Convento que, tal como este, assinalava as horas e as meias horas. O bater das horas do Carmo é citado em dois trechos de A Relíquia, de Eça de Queiroz, (1887). Desta antiga máquina, não há hoje rasto.

No século XX há indicação de que o relógio do Carmo era importante para a comunidade do pequeno comércio que fazia da zona o bairro mais chique da cidade. O seu bater de horas regulava o abrir e fechar de taipais, a ida para almoço de caixeiros e patrões. Sabe-se que uma associação de comerciantes da Rua do Carmo teve durante décadas a seu cargo a manutenção do relógio, que depois ficou parado. Hoje, é devolvido à Baixa mercê do trabalho de recuperação e restauro de Luís Cousinha, neto de um outro grande construtor de relojoaria grossa do século XX português, Manuel Francisco Cousinha.

Friday, April 18, 2008

Relógio do Convento do Carmo / Comando Geral da GNR





No âmbito das comemorações oficiais do 25 de Abril, o Comando Geral da Guarda Nacional Republicana leva a efeito nas suas instalações, no Convento do Carmo, em Lisboa, uma cerimónia de inauguração do relógio de torre ali instalado, e recentemente restaurado.
Na ocasião, será proferida uma intervenção sobre a relojoaria grossa na capital e, particularmente, sobre esta peça originária de Morez du Jura, França, que marcou durante décadas o tempo colectivo de parte da Baixa pombalina, nomeadamente do seu comércio.
A cerimónia ocorre a 24 de Abril, pelas 16h00, com entrada livre, pela Porta de Armas do Quartel do Carmo.

Saturday, March 22, 2008

Antes e depois - o relógio da Igreja da Charneca do Lumiar




Onde param o painel de azulejos policromáticos (de que só tenho foto a preto e branco) e o ponteiro barroco que serviam de mostrador ao relógio da Igreja da Charneca do Lumiar?

Wednesday, March 19, 2008

Ainda o relógio do nº 50 da rua da Boa Vista


O prédio sito no nº 50 da rua da Boa Vista, agora recuperado, e que ostenta uma caixa de relógio com dois mostradores (penso que oca, mas isso é outra conversa) terá sido um importante foco de propaganda do conhecimento científico e industrial durante grande parte do século XIX português. Penso que o relógio que lá esteve (semelhante a um outro, na imagem, que se encontrava na Rua da Imprensa Nacional, e que entretanto desapareceu, e que estava à porta de um relojoeiro que fechou) era de origem francesa, possivelmente comercializado em Portugal por Paul Plantier, e que foi durante muitos anos fornecedor também dos Caminhos de Ferro nacionais. Este relógio no nº 50 da rua da Boa Vista é dos tempos da Associação Promotora da Indústria Fabril, fundada em 1837 e que penso teve sede lá (ou no número 46 anexo). Essa organização, génese da actual Associação Industrial Portuguesa (AIP) foi muito activa na promoção do Progresso e na divulgação científica, editando, por exemplo, a Gazeta das Fábricas. Do ponto de vista da relojoaria, será ainda de notar que Veríssimo Alves Pereira foi um dos seus membros mais activos. Veríssimo, natural do Porto, era um mestre relojoeiro que construiu as meridianas na Torre dos Clérigos e, depois, no Castelo de São Jorge e na Escola Politécnica, na capital. Vizinho à Associação, encontrava-se então o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, fundado em 1852 por Fontes Pereira de Melo, e que está na génese do Instituto Superior Técnico. Em 1854, fundou-se no Instituto uma oficina de instrumentos de precisão, para reparar e até construir vário tipo de aparelhos - incluindo relógios. O objectivo era o abastecimento e manutenção desses aparelhos de precisão (incluindo cronómetros) a todos os estabelecimentos científicos do Estado. As instalações do Instituto eram gigantescas, ocupavam todo um quarteirão, e tinham porta principal para o lado do rio e porta secundária para a rua da Boa Vista. Eram tempos em que a zona fervilhava de indústria e comércio - Augusto Justiniano de Araújo teve a sua oficina de relojoaria grossa no nº 164 da mesma rua e George Gundersen uma outra na vizinha Rua de São Paulo. Alguém se lembra ainda dos Armazéns do Conde Barão? e da Loja dos Parafusos? O que ardeu, ardeu, o que não ardeu está moribundo e entregue a lojas de chineses. Ainda está por fazer uma história do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, onde o Tempo era tratado de maneira muito pouco portuguesa - com precisão.